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Por que uma empresa de tecnologia de BH investiu num negócio de Londres para faturar R$ 200 milhões

Empresa deve faturar R$ 135 milhões neste ano ajudando negócios físicos a serem ágeis também no mundo digital

André Dib, da Framework: empresa criada há 15 anos lida com vários clientes que faturam mais de R$ 1 bilhão  (Framework/Divulgação)

André Dib, da Framework: empresa criada há 15 anos lida com vários clientes que faturam mais de R$ 1 bilhão (Framework/Divulgação)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 30 de abril de 2024 às 09h00.

Um paciente sai de uma consulta com uma lista de medicamentos que precisa comprar. Até poucos anos atrás, o processo mais comum era ele passar por uma farmácia, entregar a lista para um atendente e esperar o funcionário buscar todos os remédios. 

Atualmente, ele pode ganhar tempo. No caminho do hospital à farmácia, pode fazer a compra pelo aplicativo da rede, chegar na loja, escanear um QR Code e retirar o produto. Pronto, rapidinho

Por trás desse serviço está a aposta das varejistas em digitalizar suas operações. Algo semelhante ao exemplo acima pode ser encontrado numa empresa de vestuário, ou até numa locadora de veículos. 

A Framework, empresa de Belo Horizonte criada há 15 anos, trabalha com isso: digitalizando a operação de seus clientes. E não costumam ser quaisquer clientes, não. Na lista de empresas que atende estão bilionárias como Localiza, Santander, Unimed BH, Syngenta e Drogaria Araújo, uma rede com mais de 500 lojas pelo estado de Minas Gerais. 

“A Drogaria Araújo foi uma das nossas primeiras clientes. Começamos o processo de transformação digital deles em 2016, criando serviços como aplicativo, compra e retirada e entrega em casa”, diz André Dib, CEO da Framework. 

“Basicamente, nossa empresa é responsável por mobilizar times de tecnologia das companhias e resolver os problemas de um negócio com produtos digitais”, complementa. 

Agora, a empresa faz um novo investimento mirando inteligência artificial e um faturamento de 200 milhões de reais. A Framework acaba de anunciar um investimento na companhia Salus Optima, de Londres.

A londrina é uma empresa de tecnologia que permite a empresas da área de saúde a criarem produtos digitais (como plataformas, aplicativos e dashboards) personalizados. Assim, um hospital, por exemplo, pode desenvolver, rapidamente pela plataforma da Salus, uma área onde o paciente consegue colocar dados da sua saúde, tirar dúvidas e ver o desenvolvimento de um tratamento. Já uma academia pode fazer algo parecido, e ainda postar treinos para serem assistidos e executados com ajuda do app. Tudo ali é criado com ajuda de inteligência artificial

“A ideia não é acabar com os desenvolvedores”, diz Dib. “Pretendemos qualificar os desenvolvedores para criarem produtos a partir da Salus. Nossa ideia é aumentar as nossas posições em 100 vagas e termos 200 desenvolvedores trabalhando com a Salus até 2025”. 

Além disso, com a IA da plataforma, é possível fazer análise preditiva de dados. E isso poderá ser replicado, no futuro, para outras áreas, não só de saúde. 

Qual a estratégia da Framework ao investir na Salus

O investimento na Salus fará com que a Framework tenha exclusividade para trabalhar com a plataforma londrina na América Latina. 

O foco do investimento está na gama de clientes da Framework: há muitos do setor de saúde, que é, justamente, a especialidade da Salus. 

“Queremos pegar o que já foi desenvolvido lá e aplicar nos nossos clientes de saúde aqui”, diz Dib. “Eventualmente, também vamos ganhar novos clientes internacionais vindos da Salus. Esse é outro objetivo nosso, porque queremos internacionalizar a Framework”. 

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A Framework tem hoje cerca de 500 funcionários. A maioria fica em Belo Horizonte, mas a empresa também tem um escritório em São Paulo. O objetivo para este ano, inclusive, é ganhar mais escala em solo paulistano.

A meta para este ano é faturar 135 milhões de reais. No ano seguinte, alcançar os 200 milhões de reais em receita. Para chegar a esses resultados, há na mira aquisições de até duas companhias, o que poderá provocar um crescimento inorgânico também. “Estamos olhando para companhias que trabalham com transformação digital e tenham um faturamento anual de até 20 milhões de reais”, diz o CEO.

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