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Polícia mineira investiga irregularidades na Cemig e em Furnas

Segundo a fonte, autoridades federais têm conhecimento das investigações realizadas pela Polícia Civil de Minas Gerais

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Cemig: as apurações envolvem suspeitos já sob investigação na Operação Lava Jato (Cemig/Divulgação)

Cemig: as apurações envolvem suspeitos já sob investigação na Operação Lava Jato (Cemig/Divulgação)

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Luciano Costa, da Reuters

Publicado em 20 de junho de 2017 às, 18h59.

Última atualização em 20 de junho de 2017 às, 21h08.

São Paulo - A Polícia Civil de Minas Gerais tem conduzido investigações sigilosas sobre eventuais irregularidades praticadas na elétrica estadual Cemig e na estatal federal Furnas, da Eletrobras, que envolveriam nomes como o do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), afirmou à Reuters nesta terça-feira uma fonte com conhecimento do assunto.

As apurações envolvem suspeitos já sob investigação na Operação Lava Jato, em que autoridades federais descobriram um enorme esquema de corrupção envolvendo estatais, políticos e empresas privadas no Brasil. Um esquema semelhante poderia terocorrido na Cemig, disse a fonte.

"A Polícia Civil de Minas Gerais vem investigando irregularidades na Cemig e em Furnas, há mais de um ano, em sigilo absoluto", disse a fonte, que falou sob a condição de anonimato.

A elétrica mineira é controlada pelo governo de Minas Gerais e pela construtora Andrade Gutierrez. Aécio Neves foi governador mineiro entre 2003 e 2010, sendo posteriormente sucedido pelo também tucano Antonio Anastasia, que comandou o Estado até 2014.

Aécio, que hoje está na mira de procuradores da Lava Jato e teve a prisão pedida ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Ministério Público Federal, já viu serem presos sob acusação de corrupção sua irmã, Andréa Neves, e seu primo Frederico Pacheco de Medeiros, filmado quando recebia uma mala com propina da empresa de alimentos JBS.

Medeiros foi diretor de Gestão Empresarial da Cemig entre 2011 e o início de 2015.

A fonte disse à Reuters que a polícia mineira não pode investigar Aécio, por exemplo, porque ele como parlamentar possui direito a foro privilegiado, mas pode apurar possíveis irregularidades na Cemig e em Furnas, como em contratos e licitações.

O afastamento de Aécio do mandato de senador foi determinado em maio pelo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. A decisão foi tomada depois de o tucano ter sido gravado pedindo 2 milhões de reais ao empresário Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS e que fechou acordo de delação premiada com a Justiça.

Segundo a fonte, autoridades federais têm conhecimento das investigações realizadas pela Polícia Civil de Minas Gerais.

A fonte não comentou sobre o período de abrangência das investigações. Não havia informações se as apurações avançam para a gestão do atual governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).

Suspeitas

O Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindeletro) tem levantado acusações de corrupção na Cemig durante as gestões do PSDB no Estado.

O diretor-geral do Sindeletro, Jefferson Silva, disse à Reuters nesta terça-feira que suspeita que a estatal tenha sido utilizada para "negociatas e propinas para financiamento de campanhas."

"A gente tem levantado esses elementos, mas o necessário era que houvesse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar que vínculos eram esses estabelecidos nessa gestão, principalmente com a indicação do Frederico Pacheco por Aécio", complementou Silva.

Na visão do sindicato, o governo mineiro teria gerido a Cemig de maneira a atender aos interesses da Andrade Gutierrez, que durante a gestão tucana conseguiu força no Conselho de Administração da Cemig e poder garantido em estatuto para indicar um diretor responsável por negócios como fusões e aquisições da elétrica.

Em Furnas, segundo a fonte com conhecimento das investigações, as apurações têm como base documento divulgado pela imprensa brasileira em 2006, a Lista de Furnas, que levantou acusações de irregularidades na estatal.

Em sua delação premiada à Lava Jato, o ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) disse que, embora a Lista de Furnas possa ser falsificada, "realmente existia repasse de valores para políticos" na elétrica. Ele citou Aécio Neves entre os beneficiados.

Procurada, Furnas afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que "sempre esteve e estará à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades". Disse ainda que a "empresa é a principal interessada na elucidação dos fatos".

Já a Andrade Gutierrez afirmou, por meio de nota, que "segue colaborando com as investigações em curso dentro do acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Público Federal e reforça seu compromisso público de esclarecer e corrigir todos os fatos irregulares ocorridos no passado".

A Cemig informou em nota que "prefere aguardar a evolução das investigações, antes de emitir qualquer comentário a respeito dos questionamentos apontados".

A Eletrobras não comentou imediatamente o assunto.

A Polícia Civil de Minas Gerais não respondeu a um pedido de comentário.

Não foi possível falar imediatamente com um representante de Aécio Neves, que tem negado irregularidades.

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