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Pets, investimentos e IA generativa: 3 tendências no Web Summit Rio

Em sua segunda edição, o Web Summit Rio tem sido dominado pela pauta da IA generativa

 (Web Summit Rio/Divulgação)

(Web Summit Rio/Divulgação)

Marcos Bonfim
Marcos Bonfim

Repórter de Negócios

Publicado em 17 de abril de 2024 às 20h55.

Última atualização em 23 de abril de 2024 às 16h43.

RIO DE JANEIRO - A palavra mágica dos últimos meses continua ressoando no Web Summit Rio. Não é à toa, a inteligência artificial generativa tem um mercado estimado para chegar a US$ 1,3 trilhão de dólares em 2032. Diferentemente do ano passado, os casos de uso e os números iniciais estão aí.

“O que nós temos visto com a IA generativa são as traduções indo de 50% com supervisão humana para algo em torno de 70% sem a necessidade de interação humana. E é algo que tende a aumentar”, afirma Pedro Vasco, CEO da Unbabel, plataforma de tradução americana que oferece os serviços a companhias que estão expandindo os seus mercados de atuação. 

Desde 2013 no mercado, a empresa oferece uma combinação entre uso de IA e a interação humana. Com o avanço da tecnologia, a Unbabel apresentou recentemente uma plataforma que faz a jornada de ponta a ponta. “O que queremos é ter a flexibilidade para usar diferentes estratégias de acordo com o contexto. A IA generativa tem um grande papel nisso porque é mais rápida, barata e melhor”, diz. 

Movimento semelhante está acontecendo na Pendo, uma startup criada em 2013 para oferecer experiências digitais para empresas em aplicativos. Com grandes volumes de dados, a empresa tem usado a IA generativa para resumir estudos, entender os feedbacks de experiência dos usuários dos clientes e sugerir mais rapidamente eventuais mudanças e funcionalidades. 

“O que levaria horas para os nossos clientes fazerem na mão, agora fica pronto em questão de segundos”, diz Todd Olson, um dos fundadores e CEO da empresa americana. 

Como todo processo de transformação, a tecnologia ainda experimenta curvas de adoção. As preocupações passam por questões existenciais, como a perda de empregos, àquelas mais práticas, a exemplo de como os dados serão utilizados e o grau de proteção.  

“Nós estamos em um estágio inicial da tecnologia, mas também estamos em uma corrida”, afirma Vasco, da Unbabel. “Quando as empresas perceberem que a solução, na verdade, traz um ganho de margem, oferece um serviço melhor para os seus clientes e economiza dinheiro, elas tendem a mudar a percepção”.  

Há vida para além da IA generativa

Apesar do hype com IA generativa, há quem defenda a fuga dos modismos. É o caso de Ross Saario, CEO da Intelipost, empresa de tecnologia para o mercado logístico.“IA generativa é só uma abordagem, uma técnica de IA”, diz. 

“Nós usamos mais o campo de supervised learning do que IA generativa. Agora, estamos usando IA generativa para o desenvolvimento de produtos  com o copilot da GitHub. Mas é uma solução usada mais pelo time de marketing para a criação de conteúdos e pelo time de vendas”, afirma.

O importante, segundo o americano, é que as empresas tenham clareza dos motivos pelos quais - e para os quais - vão empregar a tecnologia. 

Já chegou  a primeira no venture no capital?

Laura Constantini, cofundadora da Astella, e Magnus Grimeland, fundador da gestora Antler, Singapura, subiram ao palco central do Web Summit 2024 para trazer um panorama dos VCs em 2024, após anos de agonia no mercado e escassez de capital. 

Segundo Grimeland, o cenário já está mudando. Como exemplo, citou que sete das 8 startups que saíram do programa de formação da gestora nos Estados Unidos em janeiro já obtiveram uma nova rodada de capital. 

“Eu acho que estamos no começo de uma onda, inclusive no Brasil”, diz. O sueco também está otimista com o momento de mercado, por uma perspectiva histórica. “Eu acho que realmente é um ótimo momento para investir e para fundar uma empresa. Se você observar a Fortune 500, 30% das empresas foram criadas durante esses tempos de crise”. 

Apesar do otimismo do colega, Laura lembrou que muitas gestoras locais estão descapitalizadas e devem levar mais de um ano para ter dinheiro novo para investir, cenário que pode ser prejudicial para startups em estágios mais avançados e com necessidades iminentes. “Os fundos estão esperando um impulso melhor e devem sair a mercado no segundo semestre”, diz.

Segundo a investidora, pioneira na criação da Astella, em 2009, a diferença é que novos atores podem adotar posturas mais ativas. "Nós temos muitas pessoas que estão investindo nas startups, como investidores-anjo, e criando um cenário totalmente diferente do que tínhamos há 10 anos", afirma. Geralmente, são ex-fundadores, pessoas que entram não só com capital, mas conhecimento.

E pets com tudo isso...

No meio de centenas de plataformas SaaS para automação e gestão de serviços, as startups para pets também estão representadas. A Zazuu, um pet truck para agendamento de banho e tosa, está no segundo ano no evento.

A plataforma faturou mais de US$ 500.000 no último ano e tem criado novas frentes de receita, como um marketplace de veterinários e funcionalidades que permitem aos tutores acompanharem a jornada de saúde dos animais de estimação.

Novata no Web Summit - e de fundação -, a Budz integra o grupo. A startup tem pouco mais de 1 ano e meio de vida e nasceu com investimentos de R$ 1,5 milhão. Tem como Rafael Rojas, Jaimes Almeida Neto e ainda Rodrigo Gomes, cofundador da Fliper, fintech adquirida pela XP em 2020.

Na proposta, ajudar os tutores com o adestramento dos cães. Em MVP, a startup funciona a partir de um app onde os usuários têm acesso a informações sobre como aplicar as técnicas e ainda dicas de como cuidar dos animais. Na evolução para um modelo fremium, a ambição é registrar todos os passos dos bichinhos, criando uma espécie de cartão de saúde.  

Todo mundo de olho em um mercado estimado em mais de 46 bilhões de reais. De acordo com a associação do setor, o Brasil ocupa a terceira posição no ranking global de faturamento no segmento pet no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.  

* O jornalista viajou a convite da Stone

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