Petrobras aprova plano estratégico de US$ 55 bi e reduz metas de produção

A pandemia do novo coronavírus foi um fator preponderante na revisão da companhia

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira, 26, seu plano estratégico para o período de 2021 a 2025, com investimentos previstos de 55 bilhões de dólares, frente aos 64 bilhões estimados no plano 2020 a 2024. Com os impactos da pandemia do novo coronavírus, a petroleira acabou revisando para baixo suas metas de produção para os próximos anos.

Do montante total, 84% serão alocados em exploração e produção de petróleo e gás (E&P). Cerca de 32 bilhões de dólares (70%) serão destinados para ativos do pré-sal.

"A alocação está aderente ao nosso posicionamento estratégico, com foco em ativos de classe mundial em águas profundas e ultraprofundas, onde somos donos naturais, tendo em vista a qualidade do capital humano, estoque de conhecimento tecnológico e capacidade de inovar", disse a empresa em comunicado.

Em entrevista recente à EXAME, Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, afirmou que após o início da crise do coronavírus, a empresa se comprometeu a fazer uma espécie de stress test do portfólio de projetos. "Só aqueles que fossem resilientes a um preço de petróleo de 35 dólares por barril seriam de fato implementados. Resiliente significa que o projeto paga todos os custos, inclusive o de oportunidade do capital, incluindo dívida e remuneração do acionista", disse o executivo.

Ele também acrescentou que a companhia não estava preocupada com a maximização da produção, mas sim de valor ao acionista. Neste sentido, a petroleira estatal anunciou hoje a revisão para baixo das metas de produção. Em 2021, a empresa prevê 2,75 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), ante 2,9 milhões previstos anteriormente. Para 2024, Petrobras prevê 3,3 milhões de boe/d, ante 3,5 milhões projetados anteriormente.

"A produção de óleo para 2021 reflete os impactos associados à covid-19 e os desinvestimentos ocorridos em 2020", disse a companhia. O foco será principalmente o pré-sal, que tem menor custo de extração.

Gráfico elaborado pela companhia

Gráfico elaborado pela companhia (Petrobras/Divulgação)

"A revisão era esperada pois os impactos desse ambiente de preços baixos está se prolongando. É um movimento natural das maiores petroleiras do mundo de cortar custos operacionais, reduzir investimentos e vender alguns ativos", afirma Marcelo Assis, chefe de pesquisa da consultoria especializada Wood Mackenzie América Latina na área de upstream.

O especialista destaca que a companhia adotou uma postura mais conservadora em relação às metas de produção. "Até o último planejamento estratégico, a Petrobras colocava metas ambiciosas que não conseguia cumprir. Recentemente passou a ser mais realista, agradando o investidor."

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, a decisão foi acertada. "O movimento é uma forma natural de a companhia ajustar a produção diante da perspectiva de um cenário mais complexo.”

Gráfico elaborado pela companhia

Gráfico elaborado pela companhia (Petrobras/Divulgação)

Ele acrescenta que o foco em projetos core é importante para a Petrobras reduzir o endividamento. "A companhia segue com a régua afiada, se propondo a tocar projetos rentáveis a um Brent de 35 dólares."

Assis ressalta que os desinvestimentos são importantes, mas a preços justos, mesmo em um cenário adverso.  "Desde que a companhia venda os ativos por um preço justo, não vejo um impacto negativo da redução da produção."

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