Pão de Açúcar e Casas Bahia estão longe de acordo

São Paulo - Reunidos ao longo do dia da última sexta-feira (16), representantes das Casas Bahia e do Pão de Açúcar ainda estão longe de um acordo para salvar a fusão entre as empresas. Os encontros começaram pela manhã, com a participação de Samuel e Michael Klein, das Casas Bahia, e Abilio Diniz, do Pão de Açúcar. A reunião entre os controladores durou cerca de duas horas.

À tarde, as discussões prosseguiram entre os advogados e os assessores financeiros. Novos encontros ainda vão acontecer. As Casas Bahia se manifestaram oficialmente pela primeira vez desde que o conflito entre os dois grupos varejistas veio a público. Em uma breve nota enviada à imprensa, a empresa informou que "continua empenhada em manter tratativas visando a preservação dos interesses de seus sócios e de seus mais de 56 mil colaboradores".

Anunciada em dezembro do ano passado, a união entre Pão de Açúcar e Casas Bahia começou a dar problemas pouco tempo depois. Michael Klein passou a se queixar a amigos de que precisava submeter suas decisões à aprovação de Abilio e que isso o incomodava. Também não gostava de ver executivos do Pão de Açúcar interferindo na gestão das Casas Bahia.

A principal queixa, no entanto, tem base financeira. A família Klein entende que seus ativos foram subavaliados em pelo menos R$ 2 bilhões na operação de fusão.

Um dos maiores empecilhos a um acordo é que, mesmo que o Pão de Açúcar concordasse com tudo que os Klein desejam mudar, o grupo tem limitações por ter capital aberto, com ações negociadas na Bolsa. Mudar o contrato pode dar margem a processos por parte dos acionistas minoritários, que negociaram papéis da companhia durante quatro meses sob as bases do acordo de dezembro.

Há pouco mais de um mês, os Klein contrataram um grupo de advogados e de assessores financeiros para avaliar a situação e rediscutir o contrato. O clima ficou mais tenso nos últimos dias quando Samuel Klein, o patriarca de 84 anos, entrou em cena e ameaçou cancelar a fusão. Por enquanto, os profissionais envolvidos na negociação não enxergam uma solução a curto prazo. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

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