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Net zero já é uma realidade na construção civil. Entenda

Aumentam os pedidos de certificações para edifícios com operações sustentáveis no Brasil

Creche pública Assis, em Florianópolis: economia de mais de 17 mil reais por ano com medidas de eficiência energética e geração local de energia renovável. (Prefeitura de Florianópolis/Divulgação)

Creche pública Assis, em Florianópolis: economia de mais de 17 mil reais por ano com medidas de eficiência energética e geração local de energia renovável. (Prefeitura de Florianópolis/Divulgação)

Mesmo em um período marcado pela crise, o registro de novos empreendimentos que buscam certificados de sustentabilidade continua avançando. A quantidade de certificações emitidas pelo Green Building Council Brasil aumentou 28% em 2020 na comparação com o ano anterior, e a expectativa é de crescimento semelhante em 2021.

“O movimento de edifícios sustentáveis no Brasil vem crescendo com muito dinamismo, a ponto de o país liderar o ranking de certificações LEED”, comenta Felipe Augusto Faria, CEO da Green Building Council Brasil.

A certificação LEED a que o executivo se refere é sigla para “Leadership in Energy and Environmental Design”. Trata-se de um sistema internacional de certi­ficação e orientação ambiental para edi­ficações utilizado em mais de 160 países, e possui o intuito de incentivar a transformação dos projetos, obra e operação das edi­ficações, sempre com foco na sustentabilidade.

“Somos o quinto país com maior número de empreendimentos certificados ou em processo de certificação”, afirma Faria. “Podemos afirmar que tivemos um ganho de maturidade e experiência em termos de ‘green building’ no Brasil, onde se destacam profissionais e empresas dispostos e capazes em maximizar a eficiência no uso de recursos naturais nas edificações.”

Zero Energy

Recentemente uma nova certificação foi lançada pela instituição, a Zero Energy, concedida a edificações que em 12 meses corridos de operação geram 100% da energia necessária para operar.

“Já temos 52 empreendimentos na certificação GBC Zero Energy, e aguardamos o registro de outros 208 prédios públicos de sete municípios do Paraná e outras 30 escolas privadas da região Sul do país.”

Faria explica que no caso dessa certificação não há possibilidade de compensação das emissões. “Na verdade, o mercado precisa entender que a prioridade é a eficiência e a otimização da gestão. Estas medidas ajudam a pagar os investimentos em geração de energia renovável, assim encontramos a viabilidade técnica e financeira para o Zero Energy."

Existem ainda exemplos de edificações “zero água”. Em Curitiba, no Paraná, o edifício Eurobusiness é autossuficiente em água. Toda água potável é retirada de poço artesiano e 100% do esgoto é tratado, de forma a reutilizar a água para fins não potáveis e o excedente devolver ao lençol freático. “O processo de todo o sistema é natural e não estão fazendo uso de elementos químicos para o tratamento”, afirma Faria.

O executivo explica que o crescimento dos edifícios verdes também é consequência da maior acessibilidade à tecnologia para geração de energia. “Além disso, a lei da micro e minigeração de energia renovável auxiliou no custo de todo o sistema, e ainda temos incentivos à fundo perdido do Programa de Eficiência Energética (PEE), que pode fomentar iniciativas.”

A creche pública Assis, em Florianópolis, por exemplo, economiza por ano 17.181,52 reais com medidas de eficiência energética e geração local de energia renovável. As medidas de eficiência energética do edifício economizam 40% do seu consumo, o restante é gerado pelo sistema fotovoltaico. Além da certificação GBC Zero Energy, ele foi o primeiro prédio público no Brasil a alcançar a certificação LEED Platinum.

Na comparação com o resto do mundo, já que o Green Building Council está presente em 80 países, o executivo vê o Brasil em ritmo avançado em relação ao conceito net zero atrelado à operação das edificações.

Mas quando o assunto inclui as emissões e considera o carbono incorporado nos materiais de construção, o que significaria zerar as emissões na fase de construção também, a situação é outra. “Aí passamos a ser desafiados pela falta de banco de dados preciso em matéria de avaliação de ciclo de vida. Trata-se de uma prática ainda incipiente, mas vejo com naturalidade. Avançaremos.”

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