Na contramão da Netflix, YouTube derruba paywall para conteúdo original

Conteúdo original que empresa está produzindo para o YouTube Premium estará disponível para todos os usuários, com foco na receita de anúncios

Na guerra do streaming que já envolve nomes como Disney, Netflix, Apple e HBO, o YouTube vai apostar em um novo caminho.

A plataforma de vídeo do Google anunciou que não vai mais cobrar para que os usuários assistam às séries originais que vai começar a lançar. O anúncio foi feito durante o lançamento nesta quinta-feira 29 da primeira temporada completa da série Cobra Kai, original do YouTube e baseada no filme Karatê Kid.

As séries originais que o YouTube vai começar a lançar a partir de agora poderão, a partir de 24 de setembro, ser assistidas gratuitamente mesmo para quem não é assinante de seu serviço de streaming, o YouTube Premium, lançado no ano passado. Ao contrário do modelo usado pelos concorrentes, que é baseado em assinaturas, o pagamento dos usuários do YouTube pelo conteúdo original virá de outra forma: em receita de anúncios.

Já os assinantes do YouTube Premium continuarão a poder ver o conteúdo sem anúncios e têm também outras vantagens, como poder "maratonar" as séries -- os não-assinantes terão acesso a somente um episódio por semana. Assinantes também têm vantagens como continuar ouvindo ou assistindo vídeos em segundo plano no celular e ter acesso ao catálogo completo do serviço (para além dos originais do YouTube, incluindo títulos de outras produtoras que não podem ser exibidos gratuitamente por questão contratual).

Para o resto do ano, o YouTube planeja o lançamento de novos títulos de conteúdo original. A líder do projeto é a veterana de Hollywood Susanne Daniels, contratada em 2015 para fazer do YouTube Premium um concorrente aos moldes do Netflix. Daniels disse nesta quinta-feira que a empresa, agora, está "desenvolvendo novas séries e especiais centradas em áreas favoritas dos fãs como música, personalidades e aprendizado de longo prazo".

O conteúdo original deve incluir modelos como reality shows e programas, e não somente séries -- nicho em que os executivos da empresa passaram a aceitar que a concorrência será muito grande e o investimento, muito alto.

Entre este ano e o ano que vem, para além da líder Netflix, produtoras de conteúdo devem lançar suas plataformas próprias de streaming e apostar em conteúdo original para conseguir assinantes mensais. A Disney terá o Disney+, a Apple, o Apple TV+, a Warner e a HBO (agora com a AT&T) terão o HBOMax. A Amazon também já é dona do Amazon Prime Video.

A decisão do YouTube em mudar o foco do conteúdo e apostar nos anúncios vem da tradição da empresa em ganhar dinheiro com publicidade, o que não acontece nas concorrentes do setor de streaming. A consultoria eMarketer estima que a receita de anúncios do YouTube vai crescer 20% em 2019 e chegar a 11,4 bilhões de dólares. O YouTube representa 11% de toda a receita de anúncios do Google.

Dois terços de todos os usuários que assistem vídeo na internet estão no YouTube, que tem 1,7 bilhão de usuários em todo o mundo. Uma base de usuários a ser monetizada que é infinitamente maior que os mais de 140 milhões de usuários da Netflix.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 3,90/mês
  • R$ 9,90 após o terceiro mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 99,00/ano
  • R$ 99,00 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 8,25 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.