Negócios

Murilo Ferreira assume a Vale com investimentos de US$ 24 bi para 2011

Orçamento aprovado ainda na gestão Agnelli é recorde e foca o Brasil

Planta de Carajás: maior investimento da Vale no Brasil em 2011 (Divulgação/Agência Vale)

Planta de Carajás: maior investimento da Vale no Brasil em 2011 (Divulgação/Agência Vale)

DR

Da Redação

Publicado em 9 de junho de 2011 às 11h18.

São Paulo – Murilo Ferreira assume a Vale no momento em que a mineradora apresenta um plano recorde de investimentos. O orçamento de 24 bilhões de dólares, aprovados ainda na gestão de Roger Agnelli, é o maior já lançado pela empresa, e é praticamente o dobro dos 12,9 bilhões aplicados no ano passado.

Do total programado para este ano, 63,8% serão investidos no Brasil, o correspondente a 15,3 bilhões de dólares. O maior desembolso previsto soma 1,289 bilhão de dólares, destinados à ampliação da capacidade de escoamento da ferrovia EFC para 150 milhões de toneladas por ano. A ferrovia liga as minas da Vale ao terminal marítimo de Ponta da Madeira, no Maranhão. A obra deve ser concluída no segundo semestre de 2012.

O segundo maior investimento da Vale previsto para o Brasil, em 2011, é o de Serra Sul, em Carajás. O projeto envolve a abertura de uma mina de minério de ferro e a instalação de uma usina de beneficiamento com capacidade para 90 milhões de toneladas anuais. A verba prevista para Serra Sul, neste ano, é de 1,017 bilhão de dólares. A planta deve entrar em operação no segundo semestre de 2014.

Mercado externo

No exterior, o maior investimento programado pela Vale neste ano está na Argentina. Trata-se do projeto Rio Colorado, que envolve a implantação de uma mina de potássio com capacidade para 2,4 milhões de toneladas anuais, em sua primeira fase, e da construção de um ramal ferroviário de 350 quilômetros e um terminal marítimo.

Tudo isso somado, o orçamento para Rio Colorado, neste ano, é de 1,225 bilhão de dólares. A fase 1 deve ser concluída no segundo semestre de 2013.

Em termos de países, o Canadá, onde a Vale produz níquel nas minas da Inco, receberá o maior aporte – 1,959 bilhão de dólares. A China vem em terceiro, após a Argentina, com 663 milhões de dólares.

Na área de minério de ferro, para a qual a Vale destinou a maior fatia de seu orçamento de 2011, a empresa também aposta no potencial do projeto de Simandou, na Guiné. Com orçamento de 861 milhões de dólares neste ano, o projeto prevê a abertura de uma mina de minério de ferro e a construção de uma usina de beneficiamento, com capacidade para 50 milhões de toneladas por ano.

Revisão

É claro que esses planos podem ser revistos. Afinal, o orçamento foi aprovado pelo ex-presidente da Vale junto a um conselho de administração pouco alinhado aos interesses do governo. Com a indicação, pela Previ, de conselheiros mais sintonizados com a presidente Dilma Rousseff, o conselho de administração que tocará a Vale, a partir de 19 de abril, poderá determinar a suspensão de alguns projetos e o remanejamento da verba para o Brasil.

O problema, segundo uma fonte que conhece profundamente a Vale e acompanhou a troca de comando de perto, é que há pouco espaço para ampliar os investimentos no país. “Não é viável para a Vale centrar a maior parte dos esforços no mercado interno”, diz. Os próximos anos dirão os interesses do governo trombaram apenas com Agnelli, ou se bateram de frente mesmo é com a realidade do mercado de mineração.

Acompanhe tudo sobre:ConcorrênciaDiversificaçãoEmpresasEmpresas abertasEmpresas brasileirasExecutivosExecutivos brasileirosgestao-de-negociosIndústriaMineraçãoMurilo FerreiraReestruturaçãoRoger AgnelliSiderúrgicasVale

Mais de Negócios

A rota da KLM para transformar viagens em conexões inesquecíveis

De pequena lanchonete à franquia bilionária: o que o sucesso do McDonald’s ensina aos empreendedores

Desenrola Pequenos Negócios renegocia R$ 1,25 bilhão até 12 de junho

Executivos veem a inteligência artificial como um “divisor de águas”

Mais na Exame