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Novas fronteiras: startup de Piracicaba recebe R$ 15 milhões e mira mercado de milho, soja e algodão

No mercado há 15 anos, a startup de Piracicaba analisa dados de mais de 25.000 fazendas; em 2023, faturou R$ 20 milhões

 (Divulgação/Divulgação)

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Marcos Bonfim
Marcos Bonfim

Repórter de Negócios

Publicado em 30 de abril de 2024 às 04h55.

Última atualização em 30 de abril de 2024 às 09h53.

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A festa de debutante da Smartbreeder ganhou um novo sabor e motivação. A startup, criada em 2009, acaba de receber o seu maior cheque em captação: o valor de US$ 3 milhões - pouco mais de 15 milhões de reais na cotação atual. O investimento veio pela EcoEnterprises Fund, gestora que há mais de 25 anos investe em negócios ligados à preservação da biodiversidade e sustentabilidade.

Os recursos irão irrigar os movimentos da Smartbreeder a novos mercados, como milho, soja e algodão. Ao longo dos últimos quinze anos, a agtech, criada em Piracicaba, no interior Paulista, fez uma trajetória oferecendo os seus serviços para o setor de cana-de-açúcar. 

A startup atua no monitoramento do solo, plantios, gestão e controle de pragas e manejo de culturas. Os clientes, mais de 25.000 fazendas cadastradas, estão distribuídos em seis estados brasileiros e compreendem uma área de 3 milhões de hectares.

Para entregar o serviço, a Smartbreeder usa tecnologias como IA, aprendizado de máquina e big data combinadas à agronomia, bioestatística, ecoinformática e sistemas de modelagem para cada perfil de fazendas atendidas.

 As informações são obtidas a partir de sensores, dados satelitais e coletas por aviões e tratores, entre outros. Aos usuários, ficam disponíveis em aplicativos e dashboards (painéis de informações digitais).

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Como surgiu a startup

Os porquês do modelo são mais antigos que a startup e começam nos anos 1990. Engenheiro agrônomo, Éder Giglioti, fundador e CEO da Smartbreeder, tem relação longa com a cana-de-açúcar, iniciada com a sua participação ao longo de 10 anos em um programa de melhoramento e sequenciamento genético da espécie na UFSCAR

Os estudos ajudaram também no desenvolvimento de variedades mais resistentes, algumas das quais estão entre as mais plantadas na região centro-sul do país. 

O projeto gerou o que viria a ser a primeira startup de Giglioti, a Canavialis, um negócio de melhoramento genético da cana financiado pelo Grupo Votorantim e adquirido anos depois pela Monsanto - em 2015, a Canavialis foi descontinuada pela companhia, que decidiu foco no mercado de sementes.

Quando saiu da operação, o empreendedor decidiu criar um novo negócio, a Smarbreeder. A startup faturou R$ 20 milhões no ano passado e prevê crescimento de 30% em 2024, taxa similar à que registra desde 2018. 

Em participação, o controle de pragas é a solução mais comercializada e representa em torno de 65% da receita. “Com redução de custos de monitoramento e diminuição de perdas, nós calculamos que apenas com controle de pragas e nutrição foliar evitamos mais de R$ 3 bilhões em perdas nos últimos cinco anos”, Giglioti.

Os 35% restantes estão divididos por serviços como estimativa de safra, manejo do solo e previsibilidade climática. O objetivo é ampliar o uso desses serviços na indústria de cana, elevando o tíquete médio. 

Como a Smartbreeder pretende crescer

Mas a expectativa maior é com as novas fronteiras a explorar, uma área estimada em mais de 70 milhões de hectares - considerando as culturas somadas de soja, milho e algodão. 

A Smartbreeder passou dois anos fazendo uma prova de conceito em uma área de quase 100.000 hectares de grãos e fibras para mostrar que suas tecnologias funcionam e são escaláveis em qualquer cultura. 

“Estamos muito preparados e precisamos dar o próximo passo: pegar o mercado”, diz. “Nós estruturamos esse projeto e levamos todos os nossos serviços para, em termos de objetividade e competitividade, chegarmos com força de entrada nesses mercados”. 

A startup também quer usar parte dos recursos recém-captados para iniciar o processo de internacionalização, entrando nos Estados Unidos, América Central e Colômbia ainda neste ano. O caminho deve ser semelhante ao experimentado no mercado de grãos e fibras: começar com provas de conceito para ganhar terreno - e mostrar os ganhos em produtividade e sustentabilidade. 

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