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Da Redação
Publicado em 14 de outubro de 2010 às 13h16.
Entre os convidados da festa de lançamento do jato 190 da Embraer, no início de fevereiro, estava David Neeleman, fundador da JetBlue, a empresa regional que vem revolucionando o transporte aéreo nos Estados Unidos com o tripé custos baixos, tarifas reduzidas e bons serviços. Para desbravar novas rotas no maior mercado do mundo, Neeleman, ex-missionário mórmon nascido no Brasil que se define como um amerileiro, acertou a compra de 100 jatos da família 170-190 nos próximos sete anos, um negócio de 3 bilhões de dólares, sem falar numa opção de compra de outras 100 unidades. Leia a seguir trechos da entrevista que concedeu a EXAME.
O papel do Embraer-190 na expansão da JetBlue
Precisávamos de um avião com as especificações necessárias para atrair passageiros de cidades menores, ainda não atendidas por rotas aéreas. O novo modelo da Embraer, com capacidade de acomodar entre 100 e 108 passageiros, é o modelo ideal para estimular esses novos mercados. Num setor que perde dinheiro e onde a concorrência é muitas vezes predatória, é preciso três coisas: reduzir custos, ter um produto superior e ampliar a oferta de vôos. Um trecho entre Los Angeles e Nova York é vendido hoje por 79 dólares. Sobrevive quem consegue tornar suas operações mais eficientes.
As vantagens do avião brasileiro
Conforto é uma questão fundamental. Quando iniciamos a negociação com o Maurício (Maurício Botelho, diretor-presidente da Embraer), disse-lhe que estávamos sondando outros fabricantes, mas ele respondeu: Não, não. Você é a JetBlue e seus clientes gostam de conforto. Os corredores desse modelo são mais largos, o teto mais alto e o espaço para acomodar as pernas bem maior. Não entendemos a Air Canada. Jamais compraríamos aquele avião da Bombardier. Nossos passageiros não gostariam do produto.
A razão do sucesso da JetBlue
Os aviões da empresa permanecem no ar mais tempo do que os de nossos concorrentes. Voam de noite e de dia. O tempo em solo entre uma viagem e outra é de apenas 30 minutos. Todo o mundo ajuda a limpar o avião. Além disso, quase 80% dos passageiros usam o sistema de reservas pela Internet. Temos hoje freqüências diárias para 24 cidades americanas e fechamos o ano passado com receitas de quase 1 bilhão de dólares. Em 2011, nosso faturamento deve ficar entre 4 e 5 bilhões de reais. Nossos clientes são muito leais, porque os tratamos muito bem. Tarifa reduzida não é tudo. Os comissários de bordo são simpáticos, quase nunca cancelamos vôos, nossos assentos são de couro e transmitimos programas de televisão via satélite. Inclusive já falei para empresas que operam no Brasil que deveriam oferecer novelas em seus vôos porque os brasileiros adoram esse tipo de programa.
Como recruta seus funcionários
Pedimos aos candidatos a emprego que nos dêem exemplos concretos de como trabalham em equipe e do que fazem para ajudar os outros no trabalho. Se eles não fizerem nada, não podem dar. Se não podem dar, não podem servir bem os passageiros. Eles têm de fazer mais do que é esperado deles no emprego.
Sobre a possibilidade de se associar à Gol
Não tenho tempo para isso no momento. Estou muito ocupado fazendo tudo o que temos de fazer para crescer nos Estados Unidos, Canadá, México e Caribe. O mercado americano é imenso, quase do tamanho do resto do mundo. Existem muitas oportunidades ali. Quanto à Gol, posso dizer que visitei a empresa e que vez por outra troco idéias com seus donos e executivos. Quando me disseram nos Estados Unidos que pretendiam fundar a Gol, disse-lhes que precisavam adotar o sistema de reservas eletrônico e lhes apresentei à empresa que desenvolveu o software para nós. O David Barioni Neto (vice-presidente da empresa) me disse que o sucesso da companhia deve-se em parte a esse sistema de reservas. Mas a JetBlue não possui todas as respostas. Podemos aprender muito com a Gol.