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Impasse em conversas eleva pressão sobre OGX

As negociações que acontecem em Nova York para buscar parceiros dispostos a aportar recursos na petroleira não avançam, o que aumenta o risco de falência


	Eike Batista na abertura de capital da OGX: uma das propostas que foram postas à mesa dos credores seria a transformação dessa dívida, ou de parte dela, em ações
 (Fernando Cavalcanti/EXAME.com)

Eike Batista na abertura de capital da OGX: uma das propostas que foram postas à mesa dos credores seria a transformação dessa dívida, ou de parte dela, em ações (Fernando Cavalcanti/EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2013 às 10h33.

São Paulo - As negociações que acontecem em Nova York para buscar parceiros ou bancos dispostos a aportar recursos na petroleira OGX não avançam e o impasse aumenta o risco de a companhia chegar à falência, mesmo após um pedido de recuperação judicial, disse fonte com conhecimento do assunto.

Também não teriam progredido as conversas com os credores de US$ 3,6 bilhões em bônus emitidos pela empresa no exterior. “A recuperação deverá ser pedida, mas mesmo assim, sem aporte de recursos no curto prazo, os riscos de falência e contaminação do grupo X são enormes”, afirmou.

De acordo com informações que circulam desde a semana passada, assessores financeiros e legais da OGX estão em Nova York nesta semana negociando uma solução para evitar o colapso da companhia. São mantidas conversas também com os credores externos e essas negociações também estariam emperradas. Uma das propostas que foram postas à mesa dos credores seria a transformação dessa dívida, ou de parte dela, em ações.

A agência Dow Jones disse que as reuniões com os credores têm sido longas, que alguns avanços foram feitos, mas que o resultado das negociações é incerto e talvez seja preciso mais tempo para um acordo final ser alcançado. A Dow Jones informa também que a empresa acredita que poderá pedir recuperação judicial após 20 de outubro.

A OGX está inadimplente com os credores externos por conta do não pagamento de US$ 45 milhões em juros sobre US$ 1,063 bilhão dos bônus com vencimento em 2022, mas tem até dia 1º para honrar esse compromisso. Se não o fizer, os credores podem pedir a falência da companhia.

A hipótese maior é de que a OGX entre com pedido de recuperação judicial. No entanto, precisa de uma injeção de dinheiro para operar o quanto antes o campo de Tubarão Martelo, o único ainda viável. O Broadcast noticiou na semana passada que a companhia estaria conversando com fundos de private equity, especializados em companhias em processo de recuperação judicial, para tentar um aporte de recursos mínimo para dar início à produção em Tubarão Martelo.

 


Na imprensa internacional circulou a informação de que a OGX negociaria com o Credit Suisse, o Barclays e o Goldman Sachs uma tipo de empréstimo comum nos Estados Unidos para empresas em processo de recuperação judicial. Por meio de sua assessoria de imprensa, o Credit Suisse disse que não está participando desse processo, enquanto o Goldman Sachs preferiu não comentar. O Barclays não respondeu.

A mesma fonte observou que, nem mesmo o próprio controlador da companhia, o empresário Eike Batista, tem interesse em evitar o pior desfecho, uma vez que ignora o cumprimento do contrato de put, exigido pela diretoria da companhia, pelo qual teria de fazer um aporte de US$ 1 bilhão na OGX. Para ele, somente o exercício do put evitaria a falência da OGX e que não haverá como salvar a empresa de construção naval OSX se a OGX for à falência.

Depois da divulgação, na semana passada, da avaliação da consultoria DeGolyer and MacNaughton (D&M) sobre as reservas de Tubarão Martelo a atratividade da companhia piorou. A D&M informou reservas inferiores à avaliação feita anteriormente, o que, de acordo com analistas, aumentaria o custo de exploração.

Os bônus externos da OGX despencaram desde a divulgação do levantamento sobre as reservas. Estão operando em torno de 6% do valor de face, uma queda de mais de 60% dos níveis de 15% em que vinham operando antes dos números.

A OGX contratou os conselheiros financeiros Lazard e Blackstone para coordenar as conversas com os credores. Os principais credores, a Pacific Investment Management Co (Pimco) e a BlackRock, são representados pelo banco europeu de investimento Rothschild. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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