Alexandre Durce e Felipe Videira, sócios da DESH: “A empresa nasceu experiente. O CNPJ é novo, mas a estrutura e as pessoas têm mais de 30 anos de estrada” (Divulgação)
Freelancer em Negócios
Publicado em 13 de maio de 2026 às 08h52.
Última atualização em 13 de maio de 2026 às 14h11.
A empresa de comércio exterior Desh Global Trading nasceu em 2021 com uma ambição daquelas para uma empresa recém-criada: começar grande.
Fundada por ex-executivos da gigante global de cervejas AB InBev e profissionais com experiência em comércio exterior, a companhia já estreou com operação internacional, estrutura própria e capital para escalar rapidamente.
Cinco anos depois, a empresa movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão em operações de importação e exportação e projeta dobrar esse volume nos próximos dois anos.
“A empresa nasceu experiente. O CNPJ é novo, mas a estrutura e as pessoas têm mais de 30 anos de estrada”, afirma Alexandre Durce, CEO da companhia.
Para sustentar a próxima fase de crescimento, a Desh trouxe Felipe Videira como sócio e vice-presidente de negócios. A estratégia passa por ampliar a área comercial, entrar em novos segmentos e expandir a atuação internacional da empresa – o que deve dobrar a operação em dois anos.
A DESH atua na estruturação de operações de comércio exterior para empresas de médio e grande porte. Na prática, a companhia organiza processos de importação e exportação que envolvem compra internacional, logística, financiamento e operação tributária
Entre os fundadores da empres estão, além de Durce, Paulo Esteves, Cassiano Hissnauer e Fued Sadala. Parte dos sócios veio da AB InBev, multinacional de bebidas, onde atuaram em posições globais de liderança em compras e operações internacionais.
Isso significou iniciar com capital elevado, presença internacional e uma rede já estabelecida. Desde o início, a empresa operou com bases no Brasil e no Uruguai, além de conexões com Estados Unidos e China.
Segundo Durce, o plano desde o começo era estruturar uma companhia preparada para operações complexas.
O crescimento foi acelerado. “O crescimento veio porque a empresa já nasceu preparada para operações maiores, tanto em estrutura quanto em capital e equipe”, afirma Durce. Já no primeiro ano, a Deshfaturou R$ 280 milhões. Em 2024, o número já chegava a R$ 800 milhões.
A DESH começou a operar com filiais em estados como Espírito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo, além das operações internacionais. O foco também foi definido cedo: atender empresas de médio e grande porte, com operações mais complexas e exigências maiores de compliance, conjunto de regras e controles internos.
Para sustentar a próxima fase de crescimento, a empresa trouxe Felipe Videira, que possui mais de 25 anos de experiência em comércio exterior, como sócio e vice-presidente de negócios. A decisão tem um objetivo claro: acelerar a frente comercial.
“A empresa está preparada — caixa, sistemas e operação — para dar um salto de crescimento. Para isso, precisamos investir na área comercial”, afirma Durce. “As empresas querem previsibilidade e eficiência, e isso exige um nível de estrutura e experiência multidisciplinar”, diz Videira.
A estratégia inclui ampliar o portfólio de serviços, entrar em novos segmentos e aumentar a atuação em mercados internacionais.Um dos pilares do crescimento está fora do Brasil. A operação no Uruguai funciona como hub, centro operacional, para atender não só clientes brasileiros, mas também empresas na Europa, nos Estados Unidos e em outros países da América do Sul.
Ao mesmo tempo, a empresa mira setores específicos com maior demanda por estrutura, como energia, infraestrutura e bens de consumo. “Hoje existem segmentos importadores que não existiam há 4 ou 5 anos”, afirma Videira.
A companhia estuda novas frentes, como representação de produtos internacionais em mercados específicos.
Mudanças cambiais, conflitos geopolíticos e gargalos logísticos fazem parte da rotina das operações internacionais. “Você tem que ter capacidade e agilidade para contornar, buscar novos fornecedores, novas rotas, novas soluções”, afirma Durce.
Além disso, a reforma tributária deve alterar estruturas fiscais e impactar operações de importação e exportação.
Outro desafio está no próprio timing das operações. Uma decisão de compra pode levar até 60 dias para se concretizar, entre produção, transporte e chegada ao destino. “Se você não planejar bem e não mapear os riscos, pode ter surpresas quando a mercadoria chega”, diz Videira.
Apesar da meta de dobrar o volume movimentado, a empresa não pretende crescer de forma indiscriminada.
Hoje, a Desh atende cerca de 30 clientes — em sua maioria empresas de médio e grande porte — e quer manter esse perfil. A lógica é priorizar operações mais complexas e com maior valor agregado.
“Não queremos 200 clientes. Queremos manter um atendimento próximo e estruturado”, afirma Durce.