Consumidor brasileiro não é fiel às marcas, aponta Google  

Segundo a pesquisa, apenas 19% dos entrevistados indicaram que consomem sempre as mesmas marcas

93% das pesquisas sobre produtos na ferramenta de buscas são genéricas, citam apenas as categorias (Andre Coelho/Getty Images)
93% das pesquisas sobre produtos na ferramenta de buscas são genéricas, citam apenas as categorias (Andre Coelho/Getty Images)
Marcos Bonfim
Marcos Bonfim

Repórter de Negócios

Publicado em 21 de março de 2023 às 19h44.

Última atualização em 21 de março de 2023 às 19h55.

Um levantamento do Google registrou que 64% dos brasileiros não têm “love brands”, aquelas marcas que não deixam de comprar por nada. O principal motivo para as mudanças na hora de escolher as marcas de consumo é o preço, de acordo com 37% das pessoas.

A pesquisa foi encomendada pela big tech à Offerwise e consultou mais de 2 mil pessoas de todas as idades, classes sociais e regiões do país. O estudo procurou entender a relação que os brasileiros têm com marcas de alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza.

O resultado mostra o retrato de um quadro econômico desgastado, consequência da crise econômica, inflação em alta e de quebras na cadeia de abastecimento. E também de um cenário mais competitivo: novas marcas como as nativas digitais e aquelas fundadas por criadores de conteúdo surgem diariamente e concorrem com as grandes companhias antes estabelecidas.

A diluição da força das grandes marcas é reforçada por um outro dado do próprio Google. 93% das pesquisas sobre produtos na ferramenta de buscas atualmente são genéricas, citam apenas as categorias. As marcas são lembradas nos 7% restantes.

Segundo a pesquisa da Offerwise, apenas 19% dos entrevistados indicaram que consomem sempre as mesmas marcas.

O levantamento também chamou a atenção para a geração Z, grupo da população nascido a partir de 1995. Eles têm uma relação um pouco mais desapegada, 65% declararam que não são fiéis.

E 10% afirmaram que adquirir itens de “marcas grandes” não é um diferencial – na população em geral, o percentual ficou em 7%.

Como conquistar o coração dos brasileiros

Há um discurso que ecoa no mercado publicitário e de marketing há muito tempo, baseado em duas  palavras: experiências e personalização. Nem sempre postas em prática, as duas iniciativas despontam ao lado de "benefícios" entre os itens mais esperados pelo consumidores.

Questionados sobre como as marcas podem criar conexões, eles listaram:

  • Descontos e benefícios - 65%; entre as mulheres, o percentual é de 70%
  • Experiências de compra mais personalizadas, 45%
  • Produtos personalizados – 40%; na geração Z, o número é de 44%
  • Propósito (mais ação e menos discurso) – 29%; na geração Z, 35%

“As marcas que forem constantes e consistentes na comunicação são aquelas que vão conquistar o coração dos futuros e presentes shoppers”, disse Maria Dafne, líder do squad de geração Z do Google.

Frente às transformações, tendências e novos formatos, o streamer Casimiro, fenômeno nas redes, defendeu que as marcas precisam estar cada vez mais abertas às possibilidades.

“Se a marca olhar o criador de conteúdo como um colaborador, não um verbalizador, será muito melhor”, disse em participação por vídeo. Ele citou o case feito com a Heinz em que falava sobre hamburguer às 3h da manhã. “O criador conhece o público”.

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