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Conheça 3 iniciativas que estão fazendo a diferença para a bioeconomia da Amazônia

Soluções servem de referência para projetos sustentáveis na região

 Max Petrucci e Edgard Calfat, criadores da MAHTA. (MAHTA/Divulgação)

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EXAME Solutions
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Publicado em 6 de maio de 2024 às 08h00.

O potencial da bioeconomia para o desenvolvimento sustentável da Amazônia é enorme – renda para 750 mil famílias que dependem da atividade extrativista, pode movimentar R$ 38,6 manter a floresta em pé, além de conservar a sociobiodiversidade única da região e gerar bilhões em 2050, segundo projeções do WRI. 

Por outro lado, as cadeias que produzem a partir da floresta conservada são complexas e enfrentam uma série de entraves para progredirem economicamente de forma significativa e possibilitarem uma melhora nas condições de vida dessas comunidades. 

Por isso, boas referências são importantes para impulsionar a bioeconomia da região. Conheça três iniciativas que estão destacando-se nesse cenário:

Mahta: super food à base de castanha da Amazônia

Na cadeia da castanha-do-brasil, uma dessas histórias de referência é a da Mahta, empresa apoiada pela aceleradora Amaz que atua no ramo da nutrição por meio de super foods com bioativos da floresta. O alimento em pó da foodtech, ingerido na forma de shakes, é 100% natural, tem alto teor proteico e baixa quantidade de carboidratos.

Para produzi-lo, a Mahta agrega valor a um resíduo extremamente nutritivo que hoje é jogado fora no beneficiamento da castanha. “O desafio é achar fornecedor que faça o processamento desse subproduto na Amazônia, para gerar renda na região. Hoje, a produção ocorre em São Paulo e, para conseguir a matéria-prima em escala viável, a solução tem sido parcerias de compra junto com outras empresas”, conta Fabio Muller, head de operações e supply da Mahta.

Em 2023, a empresa comprou dez toneladas de castanha de diversos fornecedores do Pará e Mato Grosso, mais do que o dobro da quantidade do ano anterior. Para 2024, o plano é levar o superalimento feito com resíduo de castanha para o mercado americano.

Coopaiter: valorização da castanha de qualidade

Outro bom exemplo da mesma cadeia vem da Cooperativa de Produção do Povo Indígena Paiter Suruí (Coopaiter), que abrange a produção agrícola de 2.400 famílias da Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, entre elas a da castanha-do-brasil. 

Depois de receber apoio do governo estadual para a compra de equipamentos e estabelecer parcerias para obter o know-how de beneficiamento, a cooperativa se juntou à Conexsus para viabilizar o início da produção. O resultado foi excelente: a venda da castanha a valores cinco vezes superiores aos de mercado. 

“Não temos o perfil de disputar preços pela quantidade, mas sim pela qualidade, à altura de um povo indígena que utiliza o produto na alimentação e geração de renda”, enfatiza Elisângela Suruí, gerente de produção da Coopaiter.

Ela explica que, para conseguir manter a valorização e viabilizar o processo produtivo, a cooperativa precisa atingir a produção de 2 mil Kg/mês a R$ 70/Kg. E já estão no caminho. Uma das estratégias foi criar uma embalagem de alto padrão com simbologias do povo indígena e iniciar parcerias para o mercado de consumo consciente. 

“A expectativa é de sensibilização do consumidor devido ao poder de ajudar a conservação da Amazônia pelo consumo. Quem valoriza a castanha valoriza a manutenção da floresta como um todo, até porque a movimentação dos indígenas para coleta dos frutos é chave para o monitoramento do território”, diz. 

Warabu: chocolates finos com cacau da floresta

Já na cadeia do cacau, um dos cases identificados é o da Warabu, que produz chocolates premium usando o cacau que vem da Amazônia. São 12 versões de chocolates, comercializadas em lojas e marketplaces. 

“Apostamos no conceito da alta qualidade e da origem amazônica das matérias-primas por meio de uma relação justa e direta junto a pequenos produtores, com capacitação e certificação”, comenta Jorge Neves, fundador da empresa.

Depois de aportes que somam quase 4 milhões, a Warabu conseguiu custear novas tecnologias que garantiram um aumento de 30% a 40% na qualidade dos seus produtos. Agora, os planos são iniciar as exportações e, com novos investimentos previstos, verticalizar o processo de fabricação, aproveitando subprodutos do cacau. 

“Além do selo vegano e orgânico, estratégicos ao reconhecimento internacional, investimos em maquinário italiano de alto padrão tecnológico para chocolates especiais. Em 2024, vamos aumentar a capacidade de nossos fornecedores, com garantia de compra, pagando o dobro do preço de mercado”, conta. 

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