Com 60% de ociosidade, montadoras terão novos desafios para sobreviver

A perspectiva de retomada está aquém do ideal nos próximos anos e as empresas terão que cortar custos e rever suas estratégias

Diante de um horizonte de retomada aquém do ideal no mercado automotivo brasileiro, as montadoras se preparam para um ambiente adverso nos próximos anos. Com uma ociosidade de 60% em suas linhas de produção, a indústria terá que adotar medidas inevitáveis para sobreviver.

A primeira delas — e mais devastadora — é o enxugamento do nível de emprego. Desde o início da pandemia, já foram cortados cerca de 4.100 postos de trabalho entre as montadoras e, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o número pode aumentar nos próximos meses.

A indústria está trabalhando de acordo com o ritmo da demanda. As empresas estão se ajustando”, afirma Luiz Carlos de Moraes, presidente da entidade.

Outra medida é refazer a estratégia de produção, mudando o mix para modelos de maior demanda, como picapes e utilitários esportivos, por exemplo, cujo consumo está ligado à alta da atividade do agronegócio.

“As marcas estão procurando verificar a demanda dentro do novo momento do setor para poder responder às necessidades do mercado”, diz Moraes.

A gestão assertiva dos custos também tem sido crucial para a sobrevivência das montadoras. Com a alta do dólar e a crise na pandemia, os preços dos insumos vêm aumentando, impactando a cadeia.

As empresas também vêm mudando a estratégia de mercado, colocando à mesa a difícil decisão de optar por volumes ou rentabilidade. Com isso, o consumidor também sofre: durante a pandemia, os preços dos automóveis já estão mais caros.

“Temos visto repasses de preços, mas isso depende da estratégia de cada montadora”, afirma o dirigente.

Projeções

Nesta quarta-feira, 07, a Anfavea revisou suas projeções para o ano, que antes contemplavam uma retração de 40% das vendas no mercado brasileiro em 2020. Agora, a entidade prevê uma queda de 31%, para 1,9 milhão de unidades, sem descartar, porém, um recuo mais brando no ano, a depender da retomada da economia.

Com essa expectativa, a projeção de produção também foi revisada, de uma queda de 40% para 35%. “Ainda assim, é muito aquém do que precisávamos para reduzir a ociosidade. A indústria vai manter os estoques justos, como tem acontecido nos últimos meses. O capital de giro ainda é muito importante para a sobrevivência das empresas.”

A revisão é positiva, mas esconde a difícil situação da indústria. Atualmente, as montadoras somam aproximadamente 5 milhões de unidades de capacidade instalada no país e, neste ano, a produção deve ser de pouco mais de 1,90 milhão de veículos, resultando em uma ociosidade acima de 60%.

Apesar dos desafios para sobreviver, Moraes acredita que a crise acelerou as oportunidades de transformação do modelo de negócio. “A principal delas é a digitalização das vendas, atuando de forma muito mais forte no ambiente virtual.”

Balanço

Em setembro, a produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus atingiu 220.162 unidades, alta de 4,4% sobre agosto. Na comparação anual, porém, houve queda de 11%.

No acumulado do ano, o volume produzido atingiu 1,33 milhão de unidades, queda de 41,1%. Além da retração nas vendas, a produção também foi afetada pela queda de 38,6% das exportações.

Segundo o presidente da Anfavea, os embarques para a Argentina — maior destino dos veículos brasileiros — apresentaram melhora em setembro, mas não foram suficientes para amortecer a queda no ano.

“O desempenho das exportações para todos os mercados em que atuamos continua muito ruim”, diz Moraes.

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