Califórnia processa marca de cigarros eletrônicos por campanha para jovens

Recurso alega que a Juul não cumpriu suas obrigações de verificar a idade dos consumidores; no estado, a lei proíbe a venda para menores de 21 anos

A Califórnia abriu um processo contra a marca líder de cigarros eletrônicos Juul nesta segunda-feira (18), acusando-a de desenvolver uma estratégia de marketing focada na conquista de menores de idade para adquirir seu produto.

O recurso do procurador-geral do estado Xavier Becerra e sua contraparte no condado de Los Angeles alega que Juul não cumpriu suas obrigações de verificar a idade dos consumidores e que, quando o fez, reteve indevidamente os endereços de e-mail dos menores de idade para enviá-los publicidade.

“Nós colocamos muito esforço e dinheiro no controle do tabaco para permanecermos de braços cruzados enquanto os californianos sucumbem aos vaporizadores e ao vício em nicotina”, disse Becerra em entrevista coletiva.

“A Juul adotou práticas sinistras da indústria de tabaco e usou anúncios dirigidos aos objetivos mais vulneráveis sem levar em conta a saúde pública”, acrescentou.

A lei desse estado, o mais populoso e mais rico dos Estados Unidos, proíbe a venda de vaporizadores para menores de 21 anos, que, segundo a ação, foi ignorada por Juul, que comercializava seus produtos com sabores como manga, menta e creme brulee para atrair os mais jovens.

Becerra demonstrou alarde com o grande participação de menores de idade no mercado de vapores nos Estados Unidos.

Antecipando uma decisão iminente das autoridades de saúde, o líder em cigarros eletrônicos anunciou recentemente que a venda de cápsulas com sabor de menta iria parar depois da publicação de um estudo que apontou que este era o sabor preferido dos estudantes americanos do ensino médio.

A Juul agora vende apenas três sabores: dois com tabaco e um com mentol. Algumas dessas práticas de marketing levaram a uma investigação da Agência Federal de Defesa do Consumidor contra Juul, que na época dizia que “nunca promoveu seus produtos entre os jovens”.

A empresa também alegou que havia mudado totalmente sua estratégia em relação a uma campanha realizada em 2015 focada em adultos de 25 a 34 anos que “podia ser consideradaatraentes para menores de idade”.

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