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Biotônico Fontoura, Melhoral, Merthiolate: o que aconteceu com remédios da infância

Dos remédios que fazem parte da memória dos adultos que foram crianças no século passado, muitos ainda existem sob novas fórmulas

Desde o Biotônico Fontoura até o Merthiolate, cada um carrega histórias de pequenos acidentes infantis, muitos deles curados rapidamente sob o olhar atento de uma mãe. (Reprodução)

Desde o Biotônico Fontoura até o Merthiolate, cada um carrega histórias de pequenos acidentes infantis, muitos deles curados rapidamente sob o olhar atento de uma mãe. (Reprodução)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 11 de maio de 2024 às 09h25.

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Durante o século passado, não havia casa no Brasil sem pelo menos um desses medicamentos: Biotônico Fontoura, Emulsão Scott, Merthiolate, Melhoral Infantil e Sadol

Neste Dia das Mães, a EXAME te conta o que aconteceu com cada um desses aliados das mamães na missão de curar dores e aflições dos filhos.

Esses produtos representam mais do que soluções para males físicos; são parte da cultura de um cuidado materno. Desde o Biotônico Fontoura até o Merthiolate, cada um carrega histórias de pequenos acidentes infantis, muitos deles curados rapidamente sob o olhar atento de uma mãe.

A transformação de suas fórmulas ao longo do tempo revela um diálogo constante entre tradição e inovação, característica marcante no papel das mães: a habilidade de adaptar-se e superar novos desafios.

Boa leitura. E feliz Dia das Mães.

Biotônico Fontoura

Eis um produto 100% brasileiro. O Biotônico Fontoura é um medicamento fortificante e antianêmico criado em 1910 pelo farmacêutico Cândido Fontoura. Ele criou o remédio para o tratamento de sua esposa, que estava com a saúde fragilizada. Uma curiosidade é que o nome do medicamento foi dado por Monteiro Lobato. Ele e Cândido trabalhavam juntos no jornal Estado de São Paulo.

O produto ficou popular em muitas casas brasileiras ao longo de todo o século passado. Sua fórmula teve de ser alterada em 2001, em decorrência de uma determinação da Anvisa que proibiu que tônicos, fortificantes e suplementos destinados às crianças contivessem álcool etílico na formulação. Na época o produto tinha um teor alcoólico de 9,5%, tanto é que chegou a ser comercializado aos Estados Unidos durante a Lei Seca como remédio, numa tentativa dos norte-americanos driblarem as leis e terem acesso a algum produto alcóolico. 

A marca existe até hoje, vendendo suplementos alimentares e para reposição de ferro.

Sadol

O Biotônico Fontoura teve um concorrente à altura. Foi criado em 1924 pelo Laboratório Boettger, pioneiro em farmácia na região. Ele vendia seus remédios ao Laboratório Catarinense (hoje em dia, Catarinense Pharma) em Joinville, que mais tarde adquiriu a operação da Boettger. Sadol, juntamente com outros remédios como Melagrião e Bálsamo Branco, continuou sendo produzido em Joinville após a venda do laboratório original. 

Em 2001, assim como o Biotônico Fontoura, precisou rever a fórmula e tirar o álcool etílico. Ficou sob essa nova fórmula em produção até meados do ano passado, quando deixou de ser produzido como medicamento e entrou na categoria de suplementos alimentares

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Emulsão Scott 

Um dos medicamentos mais antigos do mundo, a Emulsão Scott foi criada em meados dos anos 1800 e era conhecida, principalmente, por ser um grande repositor de vitaminas A e D. Em sua composição, havia também óleo de fígado de bacalhau. Essa mistura dava um sabor não tão agradável assim -- quem já precisou tomar, sabe bem. 

Nos Estados Unidos, o produto foi um fenômeno, atribuído, em parte, ao sucesso de marketing da empresa. Este sucesso se estendeu ao Brasil, onde começou a ser vendido no início do século 20, alcançando grande popularidade na década de 1920.

Aqui no Brasil, a marca existiu até algum tempo atrás, comercializada pela GSK. Hoje em dia, porém, o produto não é mais encontrado à venda. Em outros países, a mistura ainda é vendida, principalmente naqueles em que há pouca exposição de sol. 

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Merthiolate 

O Merthiolate nasceu em 1951 como um antisséptico indicado para ferimentos em geral, eliminando bactérias e prevenindo infecções. Ele foi desenvolvido alguns anos antes pela Universidade de Maryland por Morris S. Kharasch, e comercializado pela empresa “Eli Lilly and Company”. Para muitas crianças brasileiras, porém, ele ficou conhecido não por quem o fundou ou por quem o vendia, mas pela sensação que tinha quando passava o antisséptico: a de ardência. 

A ardência, porém, durou até 2001. Naquele ano, o governo federal proibiu a venda do produto no Brasil porque entendeu que seu princípio ativo (o timerosal) não teria mais capacidade de combater bactérias. As vendas ficaram suspensas por poucos dias, porém. Logo depois, a Eli voltou a comercializar o medicamento com novas substâncias -- que já não ardiam mais na pele das pessoas. 

O Merthiolate existe até hoje. Está sob o guarda-chuva da fabricante de medicamentos Cosmed, que faz parte do grupo Hypera. Em 2022, a marca lançou um novo produto, chamado Merthiolate Cicatrix, para cicatrização de cortes e arranhões.

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Melhoral Infantil

Estava resfriado? Com alguma dor no corpo? Febre? Não importava a doença, o Melhoral podia ajudar. Essa era a impressão que se tinha nos anos 1980 e 1990, quando quase todas as casas tinham uma cartela de melhoral para ajudar nas queixas das crianças. 

Presente no mercado desde meados do século 20 no Brasil, a marca foi introduzida pela multinacional Sidney Ross, que também fabricava produtos de gosto popular como Leite de Magnésia Phillips e o Talco de Ross. Nas rádios e televisões brasileiras dos anos 1940 aos anos 1960, também era comum ver propagandas e até programas patrocinados pelo remédio.

A marca em si existe até hoje em dia, também produzida e comercializada pela Cosmed, da Merthiolate. O medicamento em si, também ganhou força, conhecido como AAS.

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