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Avon expande cosméticos à base de cannabis, mas Brasil fica de fora

Empresa já tinha lançado, em 2020, cremes hidratantes com propriedades calmantes para a pele; legislação do país não permite cosméticos com derivados da cannabis

Linha de produtos da Avon à base de Cannabis: marca anunciou ampliação nesta semana (Avon/Divulgação)

Linha de produtos da Avon à base de Cannabis: marca anunciou ampliação nesta semana (Avon/Divulgação)

Victor Sena

Victor Sena

Publicado em 4 de junho de 2021 às 11h57.

Última atualização em 4 de junho de 2021 às 16h30.

Seguro, vegano e dentro das tendências. Nas palavras da própria Avon Internacional, estes são alguns dos benefícios de se utilizar derivados medicinais da cannabis, a mesma planta que dá origem à maconha, em uma linha de cosméticos.

Em 2020, a empresa lançou três produtos com o composto canabidiol: um hidrante para o rosto, um para o corpo e um óleo que promete limpar e acalmar.

Um anúncio feito esta semana pela empresa mostra que a linha cresceu. Agora há um protetor e um brilho labial, um "elixir" para a pele que promete um efeito iluminador e uma máscara para nutrição.

Apesar de ter comprovações clínicas focadas no tratamento de dor crônica e de doenças como a epilepsia, o mercado de cannabis medicinal também tem apostado em utilizar o canabidiol em produtos tópicos. Ou seja, que são aplicados na pele.

Essa substância não é psicoativa e quando ingerida costuma promover relaxamento muscular. Na pele, as marcas têm apostado no efeito calmante que ele pode ter, inclusive para tratar condições como rosácea.

Em seu site internacional, a Avon afirma que os produtos são antioxidantes, rejuvenescedoras e calmantes para a pele. "É a resposta da natureza para confortar e nutrir a pele sensível e estressada. Ao equilibrá-la e hidratá-la, a pele fica tão bem quanto se sente", diz um trecho da descrição dos produtos.

A empresa também reforça que os produtos não contém tetrahidrocanabinol - o elemento psicoativo da planta cannabis.

O mercado de derivados da cannabis pode atingir até 107 bilhões de dólares no mundo até 2025, segundo dados da Ahead Intel, levando em conta os usos recreativos e medicinais.

No Brasil, apenas o uso medicinal é permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O cenário, porém, ainda é inicial. Para ter acesso aos produtos, é necessário importar ou recorrer a importações ou apenas uma marca nas farmácias físicas.

O acesso a cosméticos e produtos de uso tópico, porém, só é possível por importação, receita médica e uma autorização que é possível conseguir no site da Anvisa, o que impede a empresa de investir na produção e venda local dos produtos.

Procurada pela Exame, a Avon Brasil afirmou que ainda não tem previsões de trazer o produto para o Brasil.

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