A pandemia, o retrocesso na educação e as oportunidades a partir da crise

Tecnologia se tornou aliada de professores e alunos para construir experiências e promover interação

Por Juliana Amorina*

A educação brasileira tem um grande desafio pela frente: retomar o crescimento dos indicadores de ensino que durante a pandemia de covid-19 apresentaram intensa queda. Para se ter uma ideia, em abril deste ano, o Banco Mundial publicou um estudo sobre as defasagens de aprendizagem dos alunos durante a pandemia. Antes da crise, 50% deles tinham um nível de proficiência abaixo do mínimo. Pouco mais de um ano depois, esse índice saltou para 71%.

Em um recorte específico do Estado de São Paulo, com base em estudo da Secretaria Estadual de Educação, que analisou os dados do SAEB – principal ferramenta de avaliação da Educação Básica no Brasil – e fez uma comparação entre o ano de 2019 e a avaliação amostral de 2021, ficou claro o impacto da pandemia na educação básica.

O estudo revela uma perda significativa de aprendizado nos anos iniciais do ensino fundamental na disciplina de matemática com queda de 46 pontos no resultado do SAEB. Para atingir o patamar de 2019, que chegou a registrar 243 pontos e hoje não passa de 196, seria necessário multiplicar por 11 vezes o aprendizado que os estudantes levam um ano para concluir. Já nos anos finais do Ensino Fundamental, a disciplina de matemática registrou uma queda de 14 pontos no sistema. Neste caso, seria necessário saltar três vezes no aprendizado para compensar o déficit.

A pandemia também impactou o aprendizado da disciplina de língua portuguesa no Ensino Médio. O índice do SAEB que estava em elevação desde 2017 e em 2019 chegou a atingir 279 pontos na escala, em 2021 permanece em 268. Para alcançar o patamar de 2019 seria necessário elevar 18 pontos na escala.

O que se vê com a suspensão das aulas presenciais por pouco mais de um ano, o fechamento das escolas para conter a pandemia e as incertezas sobre o ano de 2021, é um retrocesso significativo nos avanços educacionais do país. Os resultados apurados pelo sistema de monitoramento educacional, que além do SAEB, incluem Censo Escolar e IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) vinham apontando melhora dos índices desde 2019, mas em meio ao contexto desafiador, alguns indicadores não se mantiveram equilibrados.

Embora gigantes, os esforços das redes de ensino e a oferta de atividades híbridas para reduzir as perdas no processo de aprendizagem e manter os estudantes engajados, esbarram no aumento do risco de abandono e de evasão escolar. Ele acontece principalmente quando a escola se distancia das necessidades dos alunos, além de outros motivos como, por exemplo, a necessidade priorizar o trabalho. Prejuízos no aprendizado, ampliando as diferenças entre estudantes ricos e pobres e danos à saúde mental também são registrados em virtude da pandemia.

O retorno das atividades escolares presenciais pode apontar um caminho para tentar reverter o quadro, mas, principalmente nos anos iniciais, de alfabetização, é fundamental estar atento ao desenvolvimento de habilidades, ao o vínculo da criança com a aprendizagem e ao sentimento de pertencimento ao grupo, principalmente quando se tratam alunos com dificuldade de aprendizagem.

Recursos tecnológicos têm se mostrado grandes aliados de escolas, estudantes e professores durante a pandemia. Em tempos de aulas híbridas, eles ajudam a construir as experiências dentro da sala de aula, por meio de atividades que incluem vídeos, apresentações e interação on-line. Também possibilitam fazer microavaliações de cada atividade do aluno, permitindo conhecê-lo individualmente e gerar um diagnóstico do processo de aprendizagem.

A tecnologia também pode atuar como facilitador quando o assunto é algum tipo de dificuldade na aprendizagem. Um bom exemplo é o EduEdu, aplicativo gratuito de alfabetização e reforço escolar com soluções tecnológicas acessíveis, desenvolvido pelo Instituto ABCD. Com recursos de gamificação, a ferramenta faz uma avaliação para identificar as áreas que a criança necessita de apoio, cria atividades personalizadas e monitora a evolução do aluno.

Mais do que nunca, é fundamental um esforço coletivo que una escola e família para avançar. Os dois grupos precisam trabalhar juntos para promover a aprendizagem e evitar que qualquer aluno fique para trás. É essencial consolidar essa ponte, manter uma escuta ativa e se envolver com grupos que possam estimular o engajamento para que seja possível recuperar perdas e retomar o crescimento.

*Juliana Amorina é diretora presidente do Instituto ABCD

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