Ameaçado por coronavírus, Airbnb levanta US$ 1 bi para reforçar caixa

O aporte será um salva-vidas do caixa em meio à pandemia. Antes, empresa de aluguel temporário havia anunciado fundo de US$ 250 mi para locadores

A empresa de aluguel temporário Airbnb levantou 1 bilhão de dólares em uma rodada liderada pelas empresas de capital de risco Silver Lake e Sixth Street Partners.

O anúncio foi feito na segunda-feira, 6. No comunicado oficial, a empresa afirmou que o capital vai ajudá-la a reforçar a relação com seus parceiros, sobretudo os chamados “anfitriões”, que alugam suas casas na plataforma.

O Airbnb já havia anunciado em março um fundo de 250 milhões de dólares para ajudar financeiramente os anfitriões mais frequentes — os chamados superhosts. Devido ao coronavírus, o Airbnb precisou ampliar as regras de cancelamento, permitindo que viajantes cancelassem sem custo estadias já marcadas. Mas muitos locadores tiram toda ou parte da renda com o aluguel pela plataforma.

Com o fundo, os anfitriões recebem de volta 25% do valor da estadia que foi cancelada. Do novo aporte, a empresa diz que 5 milhões de dólares vão para o fundo de ajuda aos anfitriões.

O restante deve ajudar a fortalecer o caixa da empresa, que tomará um duro baque em meio à crise do coronavírus. O Airbnb, ao lado de negócios como agências de viagem, hotéis e companhias aéreas, faz parte de um ecossistema de turismo que foi duramente afetado com as restrições a circulações de pessoas e viagens no mundo.

A empresa tinha, antes da crise, mais de 7 milhões de opções de hospedagem em mais de 100.000 cidades em 200 países. Com o coronavírus, o número de reservas caiu mais de 70% em mercados como Ásia e Europa, segundo a consultoria AirDNA, que coleta dados de reservas na plataforma.

Segundo o jornal The New York Times, o Airbnb tem ainda 3 bilhões de dólares em caixa para superar a crise. Ainda assim, tomou a decisão de levantar mais dinheiro para se preparar para as semanas difíceis que estão por vir. A empresa já havia cortado toda a sua verba de marketing, de 800 milhões de dólares, e reduziu também o salário dos principais executivos.

Hóspedes de longo prazo

No comunicado em que anunciou o aporte, o Airbnb também voltou a enfatizar a importância de seus anfitriões no modelo de negócio. A empresa disse ainda que, passada a crise, vai focar em três frentes principais: manter e conquistar novos anfitriões, focar em estadias de longo prazo e experiências nas viagens.

“O desejo de se conectar e viajar é uma verdade humana duradoura que só tem sido reforçada durante nosso tempo separados. Mas o jeito que ela se manifesta vai evoluir à medida em que o mundo muda”, disse no comunicado o fundador, presidente e diretor de comunidade do Airbnb, Bryan Chesky.

Nesta virada, um dos novos focos, diz Chseky, devem ser as viagens “mais próximas de casa”, e não só de turismo. A ideia é ser opção para estudantes mudando de cidade ou pessoas em longas estadias de trabalho. Embora a empresa já tenha casos de estadia de longo prazo e até mesmo prédios inteiramente reservados para locação via Airbnb construídos com parceiros, é a primeira vez que a companhia dá mais detalhes sobre um plano desse tipo.

Já os projetos de experiência já vêm sendo um foco da plataforma nos últimos anos. No geral, são parcerias com os superhosts para passeios com os viajantes e outras atividades.

IPO adiado?

Antes da crise, a empresa tinha como plano fazer uma oferta inicial de ações (IPO) neste ano. O Airbnb era avaliado, antes deste último aporte, em 31 bilhões de dólares. Para o IPO, contudo, a empresa já cogitava ir à bolsa com um valor de mercado menor.

Com a crise econômica global causada pelo coronavírus e que deve perdurar mesmo após a estabilização da pandemia, os mercados já perderam mais de 1 trilhão de dólares e o momento para ir à bolsa passou a ser menos propício.

O Airbnb ainda não confirmou se planeja adiar os planos de IPO para este ano. Mas a decisão de ir ao mercado privado levantar capital parece ser mais uma mostra de que a empresa tentará, por ora, se sustentar com o dinheiro de outras fontes antes do IPO.

Criado em 2008 em São Francisco, nos Estados Unidos, o Airbnb nasceu meio à recessão daquele ano. Ainda assim, com preços mais baratos que hotéis tradicionais, foi opção em meio à crise e tornou-se referência do modelo de economia compartilhada — quando uma plataforma de tecnologia serve como intermediária entre quem oferece o serviço e os clientes.

A esperança do Airbnb — e de seus investidores — é sobreviver até que a crise tenha um fim. O co-presidente do Silver Lake, Egon Durban, disse no comunicado anunciando o aporte que, embora “o ambiente atual seja claramente difícil para a indústria”, o desejo de viajar e viver experiências continuará. “O modelo de negócio diverso, global e resiliente do Airbnb é particularmente adequado para prosperar quando o mundo inevitavelmente se recuperar e todos nós voltarmos a sair para vivenciar isso”.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.