A petroleira Saudi Aramco vale mesmo US$ 2 trilhões?

Estatal saudita acumula alta desde que lançou ações, há dois dias, apesar da desconfiança de analistas sobre a sustentabilidade de seus resultados

São Paulo — A abertura de capital da petroleira saudita Saudi Aramco escancarou incoerências no mercado global de energia. O preço do petróleo acumula queda de 20% em dois anos, e a cada dia surgem novas iniciativas para reduzir o consumo de combustíveis fósseis.

Nesta quinta-feira, por exemplo, líderes europeus vão avaliar um ambicioso projeto que prevê fazer o continente neutro em emissões de carbono até 2050, o que exigiria investimentos anuais de até 320 bilhões de dólares.

Há até a opção de mudar o escopo do banco europeu de investimento para um banco do clima. Além disso, como se sabe, a adolescente sueca Greta Thunberg, foi escolhida ontem pela revista Time como a personalidade do ano de 2019.

Pois bem, enquanto a pressão contra o aquecimento global avança, a maior petroleira do planeta vive dias de glória. A Saudi Aramco, controlada pelo governo saudita, alcançou o valor de mercado pretendido pela coroa dois dias após a abertura de capital na bolsa local: 2 trilhões de dólares.

É quase sete vezes mais que a tradicional petroleira Exxon Mobil e o suficiente para fazer da Aramco a empresa mais valiosa do mundo, com quase duas vezes o valor de mercado de gigantes de tecnologia como Amazon, Apple e Microsoft.

As ações da petroleira saudita subiram 8% ontem depois deter levantado 25,6 bilhões de dólares oferecendo cerca de 2% de suas ações na bolsa. O bom momento tem levado a questionamentos. Parte do avanço se deve à pressão do governo sobre bilionários locais.

Analistas da Bernstein estimam o valor de mercado da companhia em 1,36 bilhão de dólares, alertando para o risco de baixo crescimento se o preço do petróleo não avançar. A companhia ainda escreveu em relatório que a companhia saudita, embora mais eficiente que suas competidoras, deveria ser negociada com um desconto em virtude de riscos de governança.

Os riscos, claro, se referem ao fato de a empresa ser controlada por uma ditadura que recentemente foi acusada de matar um jornalista opositor. Um bombardeio vindo do vizinho Iêmen, em setembro, atingiu a maior refinaria da companhia. O risco do país acaba refletindo no risco da empresa.

Considerada a empresa mais rentável do mundo, com um lucro líquido de 111 bilhões de dólares em 2018, a gigante petrolífera saudita controla a segunda maior reserva de petróleo do planeta. As reservas comprovadas garantem, ao menos, 70 anos de exploração no ritmo atual de 10 milhões de barris por dia.

O plano saudita é usar os recursos do IPO para intensificar a diversificação econômica do reino, para cortar a dependência do petróleo. Se até o governo saudita busca reduzir a dependência da Saudi Aramco, a dúvida é se os investidores se manterão entusiasmados com a maior petroleira do planeta.

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