Negócios

4 erros das empresas brasileiras que querem ser globais

Para Bill Leisy, líder de gestão de talentos da Ernst & Young, companhias brasileiras com atividades no exterior ainda têm que melhorar seus processos


	Segundo estudo da Ernst & Young, a passagem de temporadas no exterior é uma das principais lacunas no currículo dos líderes brasileiros
 (Stock.XCHNG)

Segundo estudo da Ernst & Young, a passagem de temporadas no exterior é uma das principais lacunas no currículo dos líderes brasileiros (Stock.XCHNG)

DR

Da Redação

Publicado em 20 de agosto de 2012 às 09h24.

São Paulo - Mesmo com o pé no freio, a economia continua crescendo. As empresas nacionais, por sua vez, estão ficando maiores e mais globais. Segundo levantamento da Fundação Dom Cabral, 47 multinacionais brasileiras estão presentes em quase 90 países do mundo. A gestão de pessoas dentro dessas companhias, por outro lado, não vem evoluindo no mesmo compasso. Pelo menos é o que acredita Bill Leisy, líder de gestão de talentos da Ernst & Young. Para ele, o Brasil atingiu "o primeiro terço da maturidade" neste quesito.

Autor de um recente estudo sobre os desafios da expansão global, ele sugere que a tarefa de contratar e gerir profissionais está cada vez mais difícil em um mundo tão interconectado. Mas ao contrário de empresas sediadas em economias maduras, que vêm lidando com o desafio de internacionalização há décadas, as companhias tupiniquins - e suas equivalentes em mercados emergentes - ainda estão fazendo a lição de casa.

"Há muito foco voltado para remuneração e retenção de talentos, mas os executivos 'top management' têm essa lacuna de experiência no exterior", afirma Leisy, que sustenta que a falta dessa bagagem seria o ponto mais crítico na gestão de profissionais graduados por aqui.

Para ele, as temporadas internacionais deveriam ser obrigatórias na formação dos gestores. Mais tarde, seriam naturalmente adotadas como pré-requisito para a nomeação de cargos de liderança.

Sem confiança para montar um time próprio para atuar fora do Brasil, no entanto, muitas empresas acabam sentindo o reflexo dessa postura nos negócios, eventualmente prejudicados pela falta de um conhecimento apurado sobre outras culturas e o mercado global.

Mas as implicações não parariam por aí. Confira outros três desafios que, na visão do especialista da Ernst & Young, precisam ser solucionados pelas empresas que têm a ambição de atravessar fronteiras:

Briga por colaboradores

Recrutar funcionários é uma estratégia adotada por muitas companhias que não conseguem preencher o quadro com colaboradores da casa. Mas segundo estudo da Ernst & Young, o processo pode ser "autodestrutivo" ao aumentar as taxas de rotatividade e a inflação salarial, já que uma generosa remuneração costuma ser ofertada para fisgar os executivos da concorrência.


Solução: as contratações no curto prazo devem ser alinhadas com o planejamento da força de trabalho no longo prazo. Grande parte das empresas investe tempo e dinheiro na formação de profissionais recém-saídos da faculdade. Optar por pinçar gente do mercado sem olhar para esse contingente pode custar mais caro – e também passar a mensagem errada aos colaboradores contratados há tempos.

Dificuldade para reter talentos

Feito com 810 executivos de 35 países diferentes, o levantamento também mostra que apenas 20% dos pesquisados aprovam a recompensa dada aos profissionais de suas empresas que executam bem seu trabalho no exterior. Sem incutir nos colaboradores a visão de que eles têm participação ativa no futuro da companhia e devem crescer por isso , as empresas correm o risco de perder profissionais talentosos.

Solução: é preciso valorizar as ambições pessoais dos funcionários, relacionando as estratégias de negócios com seus objetivos pessoais e abrindo janelas para os que demonstram ter um "bom conjunto de habilidades". Vale lembrar que o que pode estimular os funcionários em uma cultura pode desanimá-los em outras.

Ruídos na pirâmide de cargos

Uma das dores da expansão internacional pode ser a perda de sintonia entre os líderes da alta gestão e sua base de funcionários. A conexão entre a matriz e as subsidiárias também pode ser ameaçada diante da descentralização das atividades.

Solução: priorizar uma política de comunicação clara entre os profissionais de todos os níveis. Ainda que a valorização da diversidade se torne cada vez mais importante à medida que a empresa se torna global, todos os funcionários devem estar comprometidos com uma mesma missão, forte o suficiente para atravessar diferentes cargos hierárquicos e continuar sendo replicada nas regiões onde a companhia atua. 

Acompanhe tudo sobre:Empresasgestao-de-negociosDesempenhoEY (Ernst & Young)

Mais de Negócios

'O fim da taxa das blusinhas é a destruição do varejo nacional', diz fundador da Havan

Taxa da blusinha: ‘É uma grande vitória para o consumidor’, diz CEO da Shein no Brasil

Fim da 'taxa das blusinhas' vai custar empregos no varejo brasileiro, diz CEO da Dafiti

Este biólogo vai faturar milhões com aparelho que promete acabar com incêndios florestais