UE pede que países tentem ao máximo evitar lockdown. Como está a situação

A taxa de contágios na Europa aumentou nas últimas semanas e grandes cidades já começam a impor novas restrições

O avanço do coronavírus na Europa segue sendo uma das principais preocupações do momento. Nesta quinta-feira, 15, a Comissária europeia de Saúde, Stella Kyriakides, pediu aos países-membros da União Europeia que façam "o que for preciso" para evitar um novo lockdown, mas que corram para controlar o aumento do contágio.

Mesmo países que conseguiram vencer a primeira onda da doença, como a Alemanha, têm tido alta nos casos. Algumas regiões da Alemanha já devem começar a ampliar restrições de deslocamento, impactando a economia.

Com o avanço do coronavírus, Londres proibiu encontros dentro de casa e Paris impôs um horário limite para sair às ruas

Na Europa Oriental, incluindo países como Rússia e República Tcheca, que haviam conseguido escapar relativamente da primeira onda, os novos números de contágio também preocupam.

A França também colocou o país em estado de emergência de saúde nesta quinta-feira. A capital Paris impôs um horário limite para que pessoas saiam às ruas à noite e reduziu a abertura de bares.

No Reino Unido, que tem um dos cenários mais graves da segunda onda de covid-19, algumas regiões já estão em lockdown, como Liverpool. Nesta quinta-feira, a capital Londres também baniu os encontros caseiros entre amigos e parentes: pessoas de casas diferentes estão proibidas de se encontrarem em locais fechados.

A oposição britânica tem sugerido um lockdown “circuit breaker” (fazendo paralelo com o mecanismo usado na bolsa para conter a volatilidade), com uma quarentena rápida e para estancar a crise. O governo do premiê Boris Johnson é contra.

A Europa já registra quase 7 milhões de casos e mais de 245.000 mortes por coronavírus. Juntando todos os países do continente, são mais de 100.000 casos de coronavírus por dia, o dobro dos Estados Unidos -- outro país em que o número de contágios avança e é até agora o país com mais casos sozinho.

"O tempo urge, e todos devem fazer o que for necessário para evitar os devastadores efeitos sociais, econômicos e de saúde de um confinamento generalizado"

Comissária europeia de Saúde, Stella Kyriakides

Uma das boas notícias neste cenário é que a mortalidade tem sido menor, uma vez que há mais testes sendo feitos, os hospitais ainda não voltaram a ficar superlotados e as técnicas médicas para combate à doença avançaram (embora ainda não haja remédios totalmente eficientes contra a doença).

Ainda assim, o diretor da seção Europa da Organização Mundial do Saúde (OMS), Hans Kluge, teme que, caso a doença continue avançando, a Europa possa chegar a um nível de mortalidade "quatro ou cinco vezes maior" do que no pico da pandemia em abril.

À rede americana CNBC, um analista do mercado financeiro chegou a resumir a situação europeia como "fora de controle", com forte impacto nos mercados. As bolsas na Europa amanheceram em queda de mais de 2% nesta quinta-feira em meio à perspectiva de mais restrições de deslocamento, prejudicando a economia dos países.

Nem a vacina salva

A comissária da UE lembrou hoje também que, mesmo após a vacina, será necessário um alto grau de organização para aplicar os imunizantes e a crise não acabará imediatamente. "Não vamos conseguir reverter a tendência da noite para o dia, nem mesmo com uma vacina", insistiu Kyriakides.

O Executivo europeu recomenda que os Estados-membros deem prioridade à vacinação de populações vulneráveis: profissionais da área da saúde e de lares para idosos, pessoas acima de 60 anos, pessoas com problemas de saúde e trabalhadores de setores essenciais, entre outros.

Ainda não se sabe a data exata em que uma vacina estaria disponível na Europa ou no resto do mundo. No Brasil, o governo de São Paulo planeja encerrar nesta semana os testes com a vacina do laboratório chinês Sinovac e começar a aplicação em grupos prioritários já em dezembro.

Outras vacinas estão sendo também testadas no Brasil em estágio avançado, como a da AstreZeneca com a Universidade de Oxford. O Brasil também está no programa global de vacina da ONU, e fechou acordo para adquirir milhões de doses.

Ainda assim, até que uma parte significativa da população esteja imunizada, a vacina não será suficiente para conter a disseminação do vírus e evitar mortes.

Com AFP

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