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Quem é a mulher que escalou a Estátua da Liberdade em protesto

“Eu tinha pensado 'é a Estátua da Liberdade, é o 4 de julho e há crianças em gaiolas'”, disse ela na sua primeira entrevista individual

Patricia Okoumou saindo da corte federal um dia após o protesto (Shannon Stapleton/Reuters)

Patricia Okoumou saindo da corte federal um dia após o protesto (Shannon Stapleton/Reuters)

João Pedro Caleiro

João Pedro Caleiro

Publicado em 7 de julho de 2018 às 16h38.

Última atualização em 7 de julho de 2018 às 17h17.

São Paulo - A última quarta-feira (04) foi um dia importante na vida da nova-iorquina Therese Patricia Okoumou.

Usando uma camisa onde se via escrito “Levante-se e resista”, ela subiu o pedestal da Estátua da Liberdade, com cerca de 30 metros de altura.

Era um protesto contra as políticas de imigração do governo Trump. A personal trainer de 44 anos nasceu na República do Congo, de onde emigrou há 24 anos, e é hoje cidadã americana.

No mesmo dia, ativistas do grupo "Rise and Resist", do qual ela faz parte, haviam estendido uma faixa com os dizeres "Eliminem o ICE".

ICE é a agência governamental responsável pela prisão e deportação de imigrantes sem permissão legal para estar nos Estados Unidos. O protesto resultou na prisão de 7 ativistas - mas Therese quis ir além.

“Eu tinha pensado 'é a Estátua da Liberdade, é o 4 de julho e há crianças em gaiolas, estamos fazendo um protesto mas eu quero mandar uma mensagem ainda mais forte e hoje é o dia perfeito para isso.' Todos esses elementos juntos foram necessários para me dar coragem,”, disse ela na sua primeira entrevista individual, publicada neste sábado (07) pelo jornal britânico The Guardian.

O monumento acabou tendo que ser fechado em pleno feriado da Independência Americana, enquanto Therese ignorava os pedidos da polícia para que descesse.

Ela acabou cedendo após 3 horas e foi presa e acusada de três crimes: invasão, conduta desordeira e interferência com administração governamental.

Therese se declarou inocente e foi liberada da custódia federal pela pouca gravidade das acusações. Ela terá que se apresentar novamente no tribunal em 3 de agosto.

Ela disse ao Guardian que gostava de escalar coisas quando ainda morava no Congo e que chegou a tirar uma breve soneca durante o protesto, apesar do medo de ser vítima de um tiro ou tranquilizante da polícia.

O presidente americano Donald Trump, em um comício em Montana no dia seguinte ao protesto, chamou Therese de "palhaça" e disse que a polícia deveria ter esperado que ela pulasse ao invés de arriscar sua própria segurança ao escalar para capturá-la.

(Com agências)

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