Obama ataca diretamente republicanos por paralisação

O presidente Barack Obama atacou o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, dizendo que ele poderia acabar com a paralisação orçamentária americana

Rockville - O presidente Barack Obama atacou diretamente nesta quinta-feira o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, dizendo que ele poderia acabar com a paralisação orçamentária americana em apenas cinco minutos.

Obama insistiu que Boehner pode reabrir o governo e mandar de volta para o trabalho milhares de pessoas "em apenas cinco minutos" ao aprovar o orçamento temporário.

"John Boehner não deixa o projeto receber um sim ou ser votado porque não quer irritar os radicais de seu partido", acusou Obama.

"É disso que essa coisa toda se trata", afirmou ainda.

"Existe uma maneira simples de provar isso. Envie o projeto para o plenário e deixe todo mundo votar".

"O projeto vai passar. Envie-me o projeto e eu vou assiná-lo. A paralisação vai acabar e poderemos voltar aos assuntos do governo e ajudar o povo americano. Isso pode acontecer nos próximos 30 minutos", concluiu.

A crise do orçamento prosseguia nesta quinta-feira, o que, segundo declarou Obama na véspera, o deixava muito irritado.

Prova da divergência total entre democratas e republicanos, os chefes dos respectivos partidos concluíram sem resultados na noite de quarta-feira uma reunião com Obama.

Boehner deixou o encontro alegando que os democratas não querem negociar o fim do fechamento parcial do governo.


A Câmara de Representantes dos Estados Unidos, controlada pelos republicanos, por sua vez, aprovou na quarta uma série de medidas para reativar parcialmente o governo federal, mas o presidente ameaçou vetar a iniciativa.

O plano é o quinto apresentado desde sábado passado pelos republicanos e também parece destinado ao fracasso, já que os democratas do Senado exigem uma lei geral de finanças para seis semanas, que cobriria o conjunto das repartições do Estado, e não apenas alguns setores.

Os representantes republicanos aprovaram duas "mini" iniciativas, uma para financiar a abertura de parques, museus, monumentos e institutos nacionais de Saúde (NIH) envolvidos em pesquisas contra doenças graves, como o câncer; e outra - com o apoio democrata - para manter os serviços municipais de Washington, cujo orçamento depende do Congresso.

O chefe da maioria democrata no Senado respondeu negativamente à iniciativa, que qualificou de tática "irresponsável e perigosa" de seus adversários.

"Com que direito podem selecionar e escolher que parte do Estado vão financiar?" - perguntou Harry Reid em entrevista à imprensa.

Os republicanos escolheram setores cuja paralisia provocou um escândalo político, com a esperança de responsabilizar os democratas pela crise.

"O líder dos democratas diz às crianças cancerosas que não as ajudará", escreveu o republicano Steve Stockman no Twitter.

O democrata Chris Van Hollen respondeu que "se querem reabrir nossos parques nacionais, se querem realmente ajudar nossos veteranos, há uma maneira muito simples de fazê-lo: o presidente da Câmara deve permitir a votação" sobre a lei geral de finanças.


A imagem de ex-combatentes em cadeiras de rodas bloqueados diante de barreiras no Memorial da Segunda Guerra Mundial, em Washington, foi amplamente divulgada pelos republicanos, que acusam os democratas de desrespeitar os veteranos de guerra.

Caso as medidas paliativas sejam aprovadas também no Senado, a Casa Branca anunciou que Obama aplicará o veto diante do que considera uma manobra para retardar sua reforma da saúde, conhecida como "Obamacare".

Após a saída de Boehner da residência presidencial, o chefe da maioria democrata no Senado, Harry Reid, excluiu qualquer possibilidade de ceder em relação à reforma da saúde, aprovada em 2010 e referendada pela Suprema Corte.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos advertiu nesta quinta-feira que um default sobre a dívida pode provocar uma crise pior que a de 2008 e seria catastrófico para a maior economia mundial.

"Se um bloqueio sobre o limite do endividamento levar a um default, pode ter um efeito catastrófico não apenas sobre os mercados financeiros, mas também sobre a geração de emprego, o gasto dos consumidores e o crescimento econômico", disse o Tesouro.

"O mercado do crédito pode congelar, o valor do dólar pode cair e as taxas de juros americanas podem disparar levando a uma crise financeira e a uma recessão que pode lembrar os episódios de 2008, ou inclusive pior", escreveu o Tesouro em um relatório, a duas semanas da data limite para que o Congresso suba o teto da dívida sob o risco de uma moratória dos Estados Unidos.

O governo funciona atualmente com base em medidas extraordinárias adotadas por esta pasta.


O teto do endividamento é de 16,7 trilhões de dólares, e o déficit mensal ronda os 60 bilhões de dólares que devem ser obtidos nos mercados financeiros.

Estas medidas acabarão em 17 de outubro, e deixarão o Tesouro com uma pequena quantidade de dinheiro em comparação com as suas necessidades de pagamentos.

Em 2012, os Estados Unidos sofreram a degradação de sua nota triplo A para sua dívida soberana pela agência de classificação Standard & Poor'd quando atingiu o default por um bloqueio similar no Congresso.

"Um amplo, adverso e persistente choque financeiro como o que começou no fim de 2011 pode resultar em uma economia mais lenta com menos contratações e um maior desemprego que o que deveria existir" se não fosse este problema, advertiu o Tesouro.

O Departamento do Tesouro multiplicou seus apelos ao Congresso nas últimas semanas para que aumente o teto legal de endividamento do país.

Um bloqueio sobre o aumento do limite legal de endividamento dos Estados Unidos seria muito pior que a atual paralisia política sobre o orçamento nos Estados Unidos, opinou a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.

"A paralisia orçamentária já é grave o suficiente, mas a incapacidade de subir o teto da dívida seria ainda pior", disse Lagarde em um discurso em Washington.

O Congresso não chegou a um acordo que permita custear os gastos de governo e aumentar a quantidade de dívida que o país pode emitir.

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