Exame logo 55 anos
Remy Sharp
Acompanhe:

Uma invasão militar da Venezuela na Guiana piorará as relações já estremecidas do país comandado pelo ditador Nicolás Maduro com o mundo, incluindo o Brasil, afirmaram à EXAME interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, Lula não apoiará nenhum conflito armado e pode até romper relações com o aliado histórico, em caso de guerra, disseram os mesmos auxiliares do chefe do Executivo.

"Havia um esforço de diversos países, inclusive os Estados Unidos, para reduzir sanções e reestabelecer o diálogo com a Venezuela. Essa postura eleitoreira de Maduro e uma eventual guerra piorará as relações venezuelanas com o mundo, incluindo o Brasil", disse um assessor de Lula.

Os interlocutores do presidente brasileiro relembraram que Lula reestabeleceu as relações diplomáticas entre os dois países e que o petista trabalhava para ajudar o governo Maduro.

"Nenhum conflito armado será apoiado pelo Brasil. Defendemos uma resolução pacífica. Queremos manter a América do Sul como uma região de paz", declarou um auxiliar de Lula.

Decretos para anexação

Como mostrou a EXAME, Maduro fez mais um evento nesta sexta, 8, para avançar com o plano de anexar parte da Guiana. Frente a uma plateia de apoiadores e de militares, assinou decretos para oficializar anúncios feitos na terça-feira, 5.

Entre as medidas previstas nos decretos, estão a criação de um estado, chamado Guiana Essequiba, a oficialização de um novo mapa da Venezuela, que inclui a área em disputa, a abertura de uma divisão da petroleira PDVSA para atuar na região e conceder licenças de mineração e a criação de um Zona de Defesa Integral da nova região.

Um decreto também prevê a criação de uma alta comissão para defesa e recuperação da Guiana Essequiba. Maduro convocou a comissão para "debater a estratégia para que, até 2030 ou mais, para cumprir o mandato do povo que votou sim", uma referência à anexação. Madurou nomeou Delci Rodriguez como autoridade máxima dessa comissão.

História do conflito Venezuela x Guiana

Os dois países disputam há mais de um século o território do Essequibo, uma região de 160.000 km², rica em petróleo e minerais, que atualmente é administrada pela Guiana.

O tema voltou a ganhar força depois que a companhia ExxoMobil descobriu grandes reservas de petróleo na região. As tensões, no entanto, aumentaram depois que a Guiana concedeu as licitações a empresas estrangeiras para explorar estas jazidas.

Caracas argumenta que o rio Essequibo é a fronteira natural, como em 1777 quando a Venezuela era colônia da Espanha, e apela ao acordo de Genebra, assinado em 1966 antes da independência da Guiana do Reino Unido, que estabelecia as bases para uma solução negociada e anulava um laudo de 1899, que fixou os limites atuais. A Guiana defende esse laudo e pede que seja ratificado pela Corte Internacional de Justiça.

Como a crise entre Venezuela e Guiana avançou?

No domingo, 3, o governo de Nicolás Maduro fez um plebiscito no qual diz que 96% dos eleitores da Venezuela que compareceram às urnas votou a favor da anexação.

Nos dias seguintes, Maduro celebrou o resultado em vários eventos e pronunciamentos. Em um deles, exibiu o que chamou de "novo mapa da Venezuela", já com parte da Guiana anexada. Ele também nomeou um general para governar o novo território e determinou que a estatal PDVSA começasse a tomar medidas para atuar na exploração de petróleo na região. Determinou, ainda, que os moradores de Essequibo, a área em disputa, recebam documentos de identidade da Venezuela.

Já houve algum movimento militar?

Além da criação de uma 'zona de defesa" por Maduro, o Brasil reforçou a presença de militares na fronteira com a Venezuela e a Guiana, e também enviará 20 veículos blindados para a área.

Recentemente, o Exército brasileiro aumentou para 130 o efetivo para patrulhamento na fronteira com a Venezuela. O Pelotão Especial de Fronteira de Pacaraima, em Roraima, que normalmente opera com 70 homens, ganhou o reforço de mais 60 militares na semana passada.

Já houve algum confronto militar entre Venezuela e Guiana?

Até a tarde desta sexta-feira, 8, não. Maduro não disse se pretende fazer uma invasão militar.

Créditos

Últimas Notícias

Ver mais
Chile busca investidores na Europa para seu projeto de hidrogênio verde

Mundo

Chile busca investidores na Europa para seu projeto de hidrogênio verde

Há 18 horas

Javier Milei se reúne com papa Francisco no Vaticano nesta segunda-feira

Mundo

Javier Milei se reúne com papa Francisco no Vaticano nesta segunda-feira

Há 19 horas

Secretário de Defesa dos EUA é hospitalizado por possível problema na bexiga

Mundo

Secretário de Defesa dos EUA é hospitalizado por possível problema na bexiga

Há 22 horas

Rússia lança 45 drones em massa em nove regiões da Ucrânia, incluindo Kiev

Mundo

Rússia lança 45 drones em massa em nove regiões da Ucrânia, incluindo Kiev

Há um dia

Continua após a publicidade
icon

Branded contents

Ver mais

Conteúdos de marca produzidos pelo time de EXAME Solutions

A regulamentação de cigarros eletrônicos pode trazer mais segurança para o consumidor?

A regulamentação de cigarros eletrônicos pode trazer mais segurança para o consumidor?

Escritórios Verdes, da JBS, regularizam 8 mil fazendas
EXAME Agro

Escritórios Verdes, da JBS, regularizam 8 mil fazendas

“Deixei o mundo corporativo para empreender com a Herbalife”

“Deixei o mundo corporativo para empreender com a Herbalife”

Loja pop-up da Lacoste em Trancoso conecta a marca com o verão brasileiro

Loja pop-up da Lacoste em Trancoso conecta a marca com o verão brasileiro

Exame.com

Acompanhe as últimas notícias e atualizações, aqui na Exame.

Leia mais