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Milei confirma Luis Caputo como novo ministro da economia da Argentina

O novo titular da pasta terá a missão de enfrentar uma severa crise econômica, com inflação de três dígitos e 40% da população na pobreza. Ele foi ministro do ex-presidente Maurício Macri

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Governo Milei: Caputo foi confirmado como ministro da Economia (X/Reprodução)

Governo Milei: Caputo foi confirmado como ministro da Economia (X/Reprodução)

O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, confirmou nesta quarta-feira, 29, que o economista Luis Caputo será o seu ministro da Economia. O ultraliberal fez a revelação do nome em entrevista para rádio La Red, logo após voltar de uma viagem aos Estados Unidos. "O ministro da Economia é Luis Caputo", afirmou. 

O novo titular da pasta terá a missão de enfrentar uma severa crise econômica, com inflação de três dígitos e 40% da população na pobreza. Caputo já foi ministro das Finanças e presidente do Banco Central durante o governo do ex-presidente Mauricio Macri. Questionado se dará autonomia para a gestão do próximo ministro da economia, Milei disse que o equilibro fiscal é inegociável.

Caputo viajou para os Estados Unidos com Milei, e segue em solo americano para reuniões com autoridades Washington, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). O presidente eleito disse que o governo americano "compreende perfeitamente a problemática da Argentina", e a questão dos passivos remunerados do Banco Central da República Argentina (BCRA), com as Letras de Liquidez (Leliq), que Milei diz que pretende resolver logo em sua administração.

Logo após o segundo turno, o nome mais cotado pela mídia argentina para o posto era de Federico Sturzenegger, também ex-presidente do BC argentino durante o governo Macri, mas ele perdeu força nas últimas semanas.

Quem é Luis Caputo, futuro ministro da economia de Milei

Luiz Caputo, de 58 anos, é formado em economia pela Universidade de Buenos Aires. Ele é professor de economia e finanças na pós-graduação da Universidade Católica da Argentina.  Durante a infância, foi colega de escola de Mauricio Macri. Ele é primo de Nicolás Caputo, empresário do setor de construção e nome muito próximo de Macri.

Caputo já comandou o banco alemão Deutsche Bank na Argentina e a gestora de fundos Axis. Trabalhou ainda como chefe de trading no banco de investimentos JP Morgan entre 1994 e 1998. Casado e com seis filhos, ele é considerado por alguns economistas argentinos como o "Messi das finanças".

Durante o governo Macri, Caputo foi secretário de Finanças no primeiro ano. Depois da saída de Alfonso Prat-Gay do ministério da Fazenda e do desmembramento da pasta em dois, o economista assumiu como ministro das Finanças. Na época, ele tinha a difícil missão de estancar a forte desvalorização da moeda argentina, quando o dólar desvalorizava mais de 7%. 

Sua principal marca durante à frente do ministério foi a resolver a situação das Lebacs, que são dívidas de curtíssimo prazo emitidas pelo BC para absorver pesos do mercado e ajudar a segurar a inflação do país. As letras também serviam como meio de financiamento do governo argentino. Hoje, o país enfrenta um parecido, mas com uma crise mais severa.

Ele participou ainda da negociação de um acordo de US$ 16 bilhões com os "holdouts", detentores de títulos da dívida argentina que não aceitaram os termos da reestruturação da dívida do país de 2002 e exigiam o pagamento integral da dívida.

O economista ainda foi responsável por coordenar a emissão de um título do Tesouro argentino com vencimento em 2117 e ficou conhecido como o “homem do título de 100 anos”. Em 2020, o governo de Alberto Fernandez trocou o título após entrar em default.

Em 2018, deixou o ministério para assumir o Banco Central do país. Porém, ficou no cargo por apenas três meses. Ele alegou problemas pessoais para se afastar da função. O Banco Central argentino tinha como desafio conter a desvalorização acentuada do peso.

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