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Lixo cobre santuário das aves marítimas nas ilhas do Golfo de Fonseca

Dejetos chegam do continente após serem despejados nos rios que cortam cidades e vilarejos de países vizinhos

Lixo: dejetos, principalmente de plástico, chegam do continente depois de serem despejados nos rios (Agence France-Presse/AFP)

Lixo: dejetos, principalmente de plástico, chegam do continente depois de serem despejados nos rios (Agence France-Presse/AFP)

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Agência de notícias

Publicado em 1 de agosto de 2023 às 13h47.

Uma garça filhote bate suas pequenas asas logo após nascer, em um ninho cercado por garrafas plásticas e outros lixos em uma ilha do Golfo de Fonseca, no Pacífico centro-americano.

Tomada por aves marinhas escandalosas, a Isla de los Pájaros (Ilha dos Pássaros, em tradução literal) faz parte da reserva da baía de San Lorenzo, neste golfo de águas azul-turquesa compartilhado por Honduras, El Salvador e Nicarágua.

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Milhares de garças, gaivotas, pelicanos, fragatas, colhereiros e outras aves se reproduzem em um concerto de sons vindo dos ninhos construídos nos galhos dos manguezais desta ilha hondurenha de apenas 2,5 hectares.

No entanto, há meia dúzia de garrafas de plástico e outros dejetos que chegaram pelo mar ao lado do ninho onde nasceu o filhote de garça.

O lixo, principalmente de plástico, chega do continente depois de ser despejado nos rios que cortam cidades e vilarejos de Honduras e, eventualmente, El Salvador e Nicarágua.

Este golfo de 3.200 quilômetros quadrados tem uma dezena de ilhas e vários ilhéus. A região foi palco de disputas territoriais nas últimas décadas, por onde correm cinco rios que cortam os países ribeirinhos.

Decomposição demorada

Para limpar os detritos das ilhas, houve um trabalho conjunto da ONG Comitê para a Defesa e Desenvolvimento da Flora e Fauna do Golfo de Fonseca, do Instituto de Conservação Florestal de Honduras (ICF) e dos municípios costeiros de San Lorenzo e Marcovia, onde existem dezenas de vilas de pescadores.

Sob um sol quente, eles entraram agachados sob os arbustos de mangue. Entre as raízes estavam vasilhas de plástico, garrafas de vidro e outros dejetos.

"Esses lixos sólidos [...] levam anos para se degradar", diz à AFP a técnica ambiental Helen Castillo, da estatal ICF.

O golfo tem "cinco das sete espécies de mangue que existem no mundo, por isso é um dos focos de conservação dentro da área protegida", disse à AFP Carlos Zorto, também técnico ambiental e da ONG que participa da limpeza.

"A proteção dessas áreas é de suma importância [...] pela grande diversidade de espécies", acrescenta.

O Golfo de Fonseca é um refúgio para aves migratórias que lá chegam para se reproduzirem, assim como para alguns peixes, como o robalo e o pargo, para caranguejos, camarões e vários moluscos, além de répteis como iguanas e lagartos.

"Somos vulneráveis"

Grande parte do lixo jogado nas ruas das cidades e povoados do centro e do sul de Honduras acaba nos rios, que os transportam para o mar, explicou Castillo.

"Vimos tartarugas marinhas que tinham um garfo ou colher de plástico enfiado nas narinas", o que ocasionou a morte dos animais, acrescentou.

Ele reforça que, quando a maré sobe, os dejetos são empurrados para as ilhas.

O chefe do projeto de limpeza da ONG, Adán Rivas, explica que eles também farão a coleta de lixo com membros das comunidades costeiras para conseguir "uma ação mais abrangente".

"Somos os que recebem o maior impacto por sermos países vulneráveis e, neste caso, em Honduras, estamos vendo secas, inundações" e "a diminuição de algumas espécies marinhas", disse Rivas à AFP.

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