Mundo

Exército da Ucrânia alega que suprimentos da Rússia só durarão mais 3 dias

Guerra na Ucrânia chega a 27 dias, com exército ucraniano retomando cidade nos arredores de Kiev e Zelensky pedindo novas negociações. Veja as últimas atualizações desta terça-feira, 22

Destroços de tanque russo em Kharkiv, no leste: exército ucraniano alega que suprimentos russos estão acabando e que ataques a civis podem ser intensificados (Stringer/Anadolu Agency/Getty Images)

Destroços de tanque russo em Kharkiv, no leste: exército ucraniano alega que suprimentos russos estão acabando e que ataques a civis podem ser intensificados (Stringer/Anadolu Agency/Getty Images)

DR

Da Redação

Publicado em 22 de março de 2022 às 07h49.

Última atualização em 22 de março de 2022 às 16h45.

  • Um relatório de inteligência ucraniano alega que suprimentos russos estariam acabando;
  • Um tabloide russo publicou que 10 mil soldados do país teriam morrido e citou o Ministério da Defesa, mas disse depois ter sido hackeado;
  • Mariupol segue sob controle ucraniano;
  • O exército ucraniano anunciou a retomada de Makariv, perto de Kiev;
  • O presidente Zelensky voltou a pedir conversas diretas com Putin;
  • A Rússia ameaça cortar laços com os EUA;
  • Enquanto o presidente Joe Biden disse que Putin pode usar armas nucleares;
  • O opositor russo Alexey Navalny foi condenado hoje e pode enfrentar mais 13 anos de prisão.

LEIA MAIS


Retomada de Makariv

As forças ucranianas afirmam terem retomado nesta terça-feira, 22, o controle de Makariv, nos arredores de Kiev, a apenas 50 quilômetros da capital.

O entorno da capital tem sido uma das principais frentes de embate com as tropas russas, que tentam cercar Kiev por terra enquanto executam bombardeios pelo ar - como o ataque a um shopping center na segunda-feira que deixou oito mortos.

A Rússia afirma que não ataca áreas civis e que o shopping foi bombardeado porque escondia munição ucraniana.

A guerra na Ucrânia chega nesta terça-feira a 27 dias, sem negociações avançadas para um cessar-fogo. 

Civis passam por pontos controlados por separatistas pró-Rússia em Mariupol, em 20 de março: evacuação difícil na cidade (Stringer/Anadolu Agency/Getty Images)

A disputa segue ferrenha sobretudo no controle da cidade portuária de Mariupol, ao sul, cuja posição é estratégica para que a Rússia ligue os territórios da Crimeia e de Donbas, além de sua infraestrutura industrial.

As condições humanitárias no local seguem precárias, com estimativa de que 300 mil pessoas ainda estejam na cidade.

Assine a EXAME e fique por dentro das principais notícias do Brasil e do mundo. Tudo por menos de R$ 0,37/dia

A vice-premiê Iryna Vereshchuk acusa a Rússia de estar bloqueando a evacuação de civis e a chegada de suprimentos a Mariupol. Algumas poucas milhares de pessoas têm sido evacuadas nos últimos dias de ônibus, o que dificulta o processo, mas falta ainda uma evacuação em massa.

Na segunda-feira, a Rússia propôs de forma unilateral uma rendição ucraniana em Mariupol para que um corredor humanitário fosse aberto na cidade sitiada, o que a Ucrânia não aceitou.

10 mil russos mortos?

O tabloide russo Komsomolskaya Pravda divulgou informações de que quase 10 mil soldados russos teriam sido mortos na guerra da Ucrânia, e que 16 mil teriam ficado feridos, mas afirmou depois que seu site teria sido hackeado.

A suposta fonte dos números era o próprio Ministério da Defesa russo.

O veículo alegou nesta terça-feira que seu site foi hackeado e retirou as informações do ar. O Ministério da Defesa russo disse em coletiva de imprensa nesta manhã que não havia o que comentar sobre o caso.

O governo russo reconhece a morte de menos de 500 soldados, enquanto o governo ucraniano diz que são 15 mil. Um relatório do governo dos EUA até o fim da semana passada estimava o número de mortes em ao menos 7 mil.

Exército ucraniano alega que suprimentos russos estão em falta

O exército ucraniano afirmou em um relatório nesta terça-feira que suprimentos russos estariam acabando e que os estoques de comida e munição durarão "não mais do que três dias".

Tropas russas estão em alguma medida mobilizadas na fronteira ucraniana desde o fim do ano passado, embora novos reforços tenham sido enviados desde então e sobretudo após o início dos ataques oficiais à Ucrânia, em 24 de fevereiro.

Os oficiais afirmam que também falta combustível e que a "mobilização" militar do exército estaria sendo executada de forma "caótica".

"Muitos deles não têm especialidade militar, porque nunca serviram no exército antes", diz o relatório.

Ao mesmo tempo, o temor é que, neste cenário, sejam intensificados os ataques aéreos contra civis, sobretudo aéreos. No começo da guerra, o governo russo esperava conquistar as cidades mais importantes da Ucrânia rapidamente, o que não ocorreu.

Moradores examinam prédio danificado por bombardeios em Kiev, em 21 de março: ataques a áreas civis têm aumentado na capital (Narciso Contreras/Anadolu Agency/Getty Images)

Zelensky pede encontro com Putin

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a pedir nesta terça-feira um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, "em qualquer formato".

"Sem essa reunião é impossível entender completamente o que eles estão prontos a fazer para parar a guerra", disse.

Os dois ainda não se falaram desde o início da guerra, embora quatro negociações de paz entre representantes tenham ocorrido.

Na nova fala, divulgada pela imprensa ucraniana, Zelensky diz que está aberto a conversar sobre o status da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014 após referendo, e dos dois territórios em Donbas (Luhansk e Donetsk, que querem independência da Ucrânia e são apoiadas por Moscou).

O ponto é um dos mais sensíveis nas negociações de paz e exigência de Moscou para um cessar-fogo, além da garantia de que a Ucrânia não entre para a Otan e que armas e tropas ocidentais não usem o território do país.

Nesta terça-feira, Zelensky também falou ao Parlamento italiano e publicou em seu Twitter uma conversa virtual com o papa Francisco.

Biden diz que Putin pode usar armas nucleares

O presidente americano, Joe Biden, afirmou na segunda-feira à noite que é "claro" que a Rússia está considerando o uso de armas químicas e biológicas na Ucrânia, após o governo russo ter acusado os EUA de armazenar armas químicas na Europa.

"Simplesmente não é verdade, eu garanto a vocês", declarou a líderes empresariais em Washington.

Biden em encontro com líderes empresariais em 21 de março: acusação de que Rússia pode usar armas nucleares (NICHOLAS KAMM/AFP/Getty Images)

"Também estão sugerindo que a Ucrânia tem armas químicas e biológicas. Este é um sinal claro de que ele (Putin) está considerando usar ambos os tipos (de armas)", disse Biden.

"Agora que a Rússia fez as falsas alegações... todos nós devemos permanecer atentos para a possibilidade de que a Rússia utilize armas químicas ou biológicas na Ucrânia, ou crie operações de bandeira falsa usando as armas", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki.

Rússia ameaça cortar relações

As relações entre EUA e Rússia seguem se deteriorando de vez depois que Biden cravou nos últimos dias que Putin é "um criminoso de guerra".

A Rússia convocou o embaixador americano em Moscou a dar explicações e ameaça cortar laços diplomáticos com os EUA - apesar da guerra e das sanções, os dois países mantém relações diplomáticas oficialmente desde 1933, época da antiga União Soviética.

Biden e Putin falaram por telefone algumas vezes neste ano, além de um encontro presencial no ano passado.

3,5 milhões de refugiados

O número de refugiados chegou nesta terça-feira a 3,5 milhões, segundo nova atualização do Acnur, escritório para refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Só a Polônia já recebeu mais de 2 milhões de pessoas, embora o país também seja ponto de passagem rumo a outros lugares da União Europeia.

Estima-se também que um em cada quatro ucranianos tenha tido de deixar suas casas, incluindo rumo a locais mais seguros dentro da própria Ucrânia.

O número de refugiados vindos da capital Kiev, no entanto, tem diminuído, à medida em que a cidade entra em um toque de recolher de três dias e vê ataques sendo intensificados nesta semana.

Nobel da Paz russo doa prêmio

O editor-chefe do jornal independente russo Novaya Gazeta, premiado no ano passado com o Nobel da Paz por seu trabalho jornalístico em Moscou, anunciou nesta terça-feira que doará a medalha que ganhou como prêmio ao fundo em apoio a refugiados da Ucrânia.

"Eu peço às casas de leilão que respondam e coloquem para leilão esta medalha mundialmente famosa", escreveu.

Navalny condenado

Enquanto a guerra na Ucrânia se desenrola, o cerco à oposição na Rússia também aumenta. O opositor russo Alexei Navalny foi condenado hoje por fraude e desacato, e as autoridades planejam transferi-lo para uma prisão de segurança máxima.

A pena pode chegar a mais 13 anos de prisão.

Os promotores acusam Navalny de desvios de US$ 4,7 milhões a organizações anticorrupção que lidera e com as quais ganhou notoriedade na oposição russa.

Navalny foi vítima em 2020 de uma tentativa de envenenamento, confirmada por médicos na Europa, para onde foi levado para tratamento. A oposição russa acusa o governo de estar por trás do caso, o que o Kremlin nega.

O opositor está preso desde que voltou da Alemanha após o tratamento, no ano passado. Antes da sentença de hoje, ele já cumpria pena de dois anos e meio, em um presídio no leste da Rússia, a 100 quilômetros de Moscou.

Alexei Navalni

Alexei Navalny (foto de arquivo): pena de 13 anos (Simonovsky District Court/Handout/Reuters)

Nas últimas semanas, o governo em Moscou também tem prendido milhares de pessoas em protestos contra a guerra nas cidades russas. A imprensa russa está proibida de usar o termo guerra, que o Kremlin chama de "operação especial" na Ucrânia.

Japão critica Rússia

O governo do Japão criticou a Rússia nesta terça-feira depois que o governo em Moscou se retirou de conversas diplomáticas com os japoneses sobre as chamadas Ilhas Curilhas, que ficam entre a Rússia oriental e o norte do Japão e são disputadas pelos dois países.

A disputa pelo território vinha desde a Segunda Guerra Mundial, quando o Japão esteve ao lado da Alemanha de Hitler e, oficialmente, contra países como EUA, União Soviética (da qual a Rússia é a principal herdeira), França e Inglaterra.

O premiê japonês Fumio Kishida disse que a decisão russa de se retirar das conversas é "inaceitável". Já a Rússia afirma que o movimento vem após o Japão endossar algumas das sanções contra Moscou impostas por potências ocidentais.

"Esta situação toda foi criada por causa da invasão russa à Ucrânia, e a resposta da Rússia de empurrar isso para as relações Japão-Rússia é extremamente injusto e completamente inaceitável", disse Kishida.

(Com AFP, Reuters)

*Esta reportagem será atualizada ao longo do dia com os desdobramentos da guerra na Ucrânia nesta terça-feira, 22. Última atualização às 9h33.


yt thumbnail
Acompanhe tudo sobre:GuerrasRússiaUcrâniaVladimir Putin

Mais de Mundo

Novas pesquisas preveem vitória trabalhista histórica nas eleições britânicas

Líder do Hezbollah diz que 'nenhum lugar' de Israel estará a salvo em caso de guerra

Governo Milei nega 'pacto de impunidade' com Bolsonaro por foragidos do 8 de janeiro

União Europeia repreende sete países por desrespeito às regras financeiras do bloco

Mais na Exame