Mundo

Crise na Líbia expõe divisão entre países da Opep

Com o uso político do petróleo dentro e fora da Líbia, a crise no norte da África já afeta a Europa, que recebe 80% do petróleo de Kadafi

Muammar Kadafi usou sua declaração à TV estatal para fazer uma ameaça à União Europeia (Gianluigi Guercia/AFP)

Muammar Kadafi usou sua declaração à TV estatal para fazer uma ameaça à União Europeia (Gianluigi Guercia/AFP)

DR

Da Redação

Publicado em 25 de fevereiro de 2011 às 11h11.

Priorizar nos meus resultados Google

São Paulo - O petróleo de Muamar Kadafi virou arma política, dentro e fora da Líbia, e sua cotação voltou a explodir. Ontem, rebeldes anunciaram que tomaram poços e dutos no sul do país, enquanto o ditador líbio ameaçou a comunidade internacional com o fechamento das torneiras das refinarias.

Fora do país, o governo saudita começou a negociar o abastecimento extra de petróleo para os países que dependiam do fornecimento da Líbia e, assim, acalmar os mercados. Mas os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, declaram que são contrários a uma decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de aumentar a produção nesse momento, rachando o cartel. Com o uso político do petróleo dentro e fora da Líbia, o barril se aproximou dos US$ 120 e a crise no norte da África já afeta a Europa, que recebe 80% do petróleo de Kadafi. A gasolina já deu sinais de subir, refinarias começam a ter dificuldades e empresas aéreas prometem repassar os preços do combustível aos passageiros.

Uma semana depois da eclosão dos conflitos, a Líbia está produzindo menos 25% do seu volume normal. Ontem, Kadafi usou sua declaração à TV estatal para fazer uma ameaça à União Europeia e à comunidade internacional. “Se os cidadãos não vão trabalhar, o abastecimento de petróleo será cortado.” Enquanto falava, o preço do barril registrava a alta de 10% na semana e o maior valor em mais de 30 meses.

A fala de Kadafi foi seguida por declarações de rebeldes de que todos os campos no sul da Líbia já não estavam sob o controle do governo. A meta dos rebeldes é secar a fonte de renda do governo. No caso da Líbia, 90% da arrecadação vem do petróleo. Diante do risco de desabastecimento, os sauditas tomaram a iniciativa de negociar um novo fornecimento, uma medida que viria acompanhada de alta na produção do cartel do petróleo. Em Riad, a constatação foi de que até a recuperação da economia mundial estaria ameaçada e um preço “justo” para o barril seria algo entre US$ 70 e US$ 80. Mas nem todos na Opep concordam com os sauditas. Irã e Venezuela rejeitam a ideia de alta na produção, que faria os preços voltarem abaixo de US$ 100. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Acompanhe tudo sobre:PetróleoÁfricaOriente MédioEnergiaLíbia

Mais de Mundo

O que explica a ascensão de James Talarico, democrata à frente nas midterms no Texas

Trump diz que acordo com o Irã 'pode acontecer' após avanço nas negociações

Ataques russos deixam ao menos 24 mortos na Ucrânia após fim de trégua mediada pelos EUA

Às vésperas das eleições nos EUA, Trump pede à Suprema Corte suspensão de 20 mil votos na Califórnia