Biden recebe BTS e premiê da Nova Zelândia — com violência armada na pauta

O grupo de k-pop BTS e a premiê da Nova Zelândia Jacinda Ardern serão recebidos por Biden nesta terça-feira com a tragédia de Uvalde ainda central no debate público americano
BTS: banda sul-coreana será recebida por Biden em meio ao mês que celebra a herança asiático-americana, semanas após novo ataque armado contra grupos asiáticos (The Chosunilbo JNS/Getty Images)
BTS: banda sul-coreana será recebida por Biden em meio ao mês que celebra a herança asiático-americana, semanas após novo ataque armado contra grupos asiáticos (The Chosunilbo JNS/Getty Images)
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Da RedaçãoPublicado em 31/05/2022 às 06:00.

O presidente americano, Joe Biden, terá uma agenda agitada - e voltada ao Pacífico - nesta terça-feira, 31. Biden recebe a premiê da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, na primeira visita de um líder neozelandês à Casa Branca desde 2014. Enquanto isso, em outra reunião, convidou o grupo de k-pop sul-coreano BTS para marcar o mês que celebra os asiáticos-americanos e nativos do Havaí.

Além do olhar para os aliados no oeste - crucial em tempos de disputa com a China - as duas visitas terminam se conectando em outros temas, com os EUA ainda fervilhando no debate sobre o massacre na escola em Uvalde.

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Com Ardern, uma das pautas do encontro será invariavelmente o controle de armas estabelecido entre os neozelandeses. Já com o BTS, além de uma boa dose de marketing que ajude na popularidade em queda do governo, o tema será a importância da comunidade asiática nos EUA e, nas palavras da Casa Branca, "o compromisso de combater a alta de crimes de ódio contra asiáticos".

A comunidade asiática tem vivido suas tragédias particulares. Ainda neste mês de maio, semanas antes do massacre em Uvalde, um atirador abriu fogo contra uma igreja com frequentadores de origem taiwanesa, matando ao menos uma pessoa. Há um ano, um homem atacou um spa em uma comunidade asiática, matando oito pessoas. Ambos os crimes foram considerados de motivação contra um grupo étnico-racial.

Agora, o debate sobre maior controle no acesso a armas toma conta dos EUA após o massacre em Uvalde. O ataque na semana passada perpetrado por um atirador de 18 anos deixou 19 crianças mortas, com idades entre 10 e 11 anos, além de duas professoras. Embora os tiroteios em escolas tenham se tornado infeliz rotina nos EUA, este foi o maior ataque em uma escola desde Sandy Hook, em 2012.

“Por que estamos dispostos a viver com essa carnificina?”, questionou Biden na ocasião.

A Nova Zelândia ampliou as restrições para compra de armas de alto calibre após um massacre em uma mesquita transmitido ao vivo no Facebook em 2019. O caso da Nova Zelândia e da vizinha Austrália, que aprovou controle semelhante, são frequentemente citados no debate público nos EUA.

Biden já se disse defensor de legislação que dificulte a compra de armas nacionalmente, sobretudo rifles. A oposição republicana é majoritariamente contra, e não há expectativa de que leis sobre o tema avancem no Congresso. Com os EUA polarizados em relação ao assunto - e eleições legislativas a caminho em novembro -, Biden indiretamente usará a oportunidade da visita de Ardern para voltar a falar sobre a questão para o público doméstico.

Na pauta do encontro, a Casa Branca afirmou que Biden e Ardern conversarão, entre outros temas, sobre "combater o terrorismo e radicalização [que leve] à violência, tanto offline quanto online". (Em temas mais globais, Biden e Ardern devem conversar também sobre a guerra na Ucrânia e as oportunidades para parcerias, incluindo a influência da China no Pacífico.)

Antes do encontro com o presidente, a premiê da Nova Zelândia discursou para os formandos da Universidade Harvard na semana passada, e também falou sobre o controle armamentício em seu país. "Sabíamos que precisávamos de reforma significativa no tema das armas, e isso foi o que fizemos", disse, sendo ovacionada pelos presentes ao fim do discurso.

Já o BTS, ao falar sobre o encontro com Biden, também citou as ações de preconceito contra asiáticos e disse se lembrar de momentos em que os membros sofreram "discriminação por serem da Ásia".

Os crimes de ódio contra asiáticos nos EUA subiram mais de 300% nos EUA em 2021, segundo pesquisa do Center for the Study of Hate and Extremism. A mesma pesquisa mostrou ainda que os crimes de ódio contra minorias negras lideram as ocorrências, um dos mais trágicos tendo ocorrido também em maio, com o ataque a um supermercado de comunidade negra em Buffalo, Nova York, que matou dez pessoas. O ataque também foi considerado pelas autoridades como crime de motivação racial e terrorismo doméstico.