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Onde está o meu dinheiro? Violência patrimonial contra mulheres cresce 56% em 4 anos

Com muita luta, mulheres conquistaram vários direitos e passaram a gerar riqueza. Mas quando o assunto é gestão do próprio dinheiro, ainda não somos protagonistas

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Mulheres: a violência patrimonial saltou 56% nos últimos 5 anos (	Natalia Lebedinskaia/Getty Images)

Mulheres: a violência patrimonial saltou 56% nos últimos 5 anos ( Natalia Lebedinskaia/Getty Images)

O mês da mulher. Em março, elas são a pauta. São milhares de homenagens, reflexões e um importante lembrete sobre a luta pelos direitos das mulheres. Tudo muito importante, mas vejo que esse mês é pouco usado para chamar a atenção das mulheres, e é isso que eu me proponho a fazer hoje. Mulheres, quando o assunto é o nosso dinheiro, precisamos acordar.

Onde está o seu dinheiro? Você tem uma conta bancária própria? Sabe quais bens tem no seu nome? Se tem dinheiro investido, sabe em quais investimentos está? Tem algum investimento no seu nome ou todos estão no nome do seu parceiro? Quem é responsável por gerir o dinheiro na sua casa?

Estas perguntas servem como um alerta. A função do cuidado foi historicamente colocada sob a responsabilidade da mulher, que passou muitos séculos desempenhando "apenas" o papel de esposa. Ao mesmo tempo, o acesso ao dinheiro nos foi negado até pouco tempo atrás, e só em 1962 nos foi permitido ter CPF próprio e conta em banco sem a permissão do pai ou do marido.

Com o tempo e muita luta, vários direitos foram conquistados e passamos a trabalhar e gerar riqueza. Mas quando falamos de gestão sobre o próprio dinheiro, ainda não somos as protagonistas. A falta de domínio sobre os recursos financeiros acontece muitas vezes porque esse direito é arrancado de nós, muitas vezes porque – dado o histórico de falta de acesso ao dinheiro – passamos a acreditar que não somos capazes e não sabemos cuidar dele.

É muito comum a crença entre mulheres de que cuidar do patrimônio e da riqueza da família é função do homem (independentemente da classe social e da condição financeira).

Não é raro eu ouvir de amigas cujos maridos trabalham no mercado financeiro, que preferem deixar que eles cuidem do dinheiro; primeiro por ser uma função chata, segundo por acharem que eles farão isso melhor do que elas. Ou seja, muitas mulheres ainda delegam a gestão do próprio dinheiro aos parceiros, o que as deixa vulneráveis à violência patrimonial.

Liderando o ranking de crescimento da violência não letal contra mulheres, a violência patrimonial saltou 56% nos últimos 5 anos, de acordo com um levantamento do Instituto Igarapé em parceria com a Uber.

Em 2022, 6 em cada 100 mulheres foram vítimas dessa agressão, o maior número desde que o dado começou a ser coletado em 2009. A violência patrimonial é definida como qualquer ação em que o agressor faz uso do dinheiro, bens, documentos e recursos econômicos para controlar a vítima e tirar a sua liberdade.

O tema veio à tona recentemente quando mulheres famosas levaram a público episódios de violência patrimonial a que estavam sendo submetidas. Larissa Manoela, Ana Hickmann, Naiara Azevedo e Britney Spears foram algumas das vítimas de abuso financeiro.

Larissa Manoela e Naiara Azevedo revelaram que não tinham acesso ao dinheiro que elas próprias ganharam com suas carreiras. No primeiro caso, a atriz afirmou que os seus pais controlavam todo seu patrimônio e não lhe davam acesso ao seu dinheiro; já a cantora sertaneja denunciou o ex-marido por violência doméstica e afirmou que ele não lhe permitia acessar nada do que ela recebia por seus trabalhos.

A apresentadora Ana Hickmann também foi à polícia denunciar o ex-marido por violência doméstica e afirmou que o companheiro era quem controlava todo o seu dinheiro, não a deixava ter acesso a muitas informações, e alegou que teve sua assinatura falsificada por ele. Outro caso que teve repercussão internacional foi o da Britney Spears, que foi colocada sob tutela do pai pela justiça e perdeu o direito e o acesso a tudo: seu dinheiro, seu corpo, suas decisões.

Estes episódios são apenas alguns exemplos do que acontece diariamente com as mulheres, e evidenciam que a violência contra mulheres é um crime que atinge todas as classes sociais. Mulheres que sofrem abuso financeiro (ou qualquer outro tipo de violência) devem procurar uma delegacia para fazer uma denúncia. Dessa forma, é possível pedir uma medida protetiva de urgência que pode obrigar o agressor a devolver todos os recursos financeiros, bens ou documentos da vítima.

A privação dos recursos financeiros é usada como ferramenta quando não se tem mais como atingir a mulher. Por isso, a independência financeira é tão importante para libertar as mulheres de relacionamentos violentos e tóxicos, seja um casamento ou relação profissional.

Deixo aqui as orientações de como agir em casos de violência patrimonial, mas reforço que temos que fazer de tudo para não deixarmos chegar a esse ponto. Por isso, eu peço fortemente: mulheres, busquem educação financeira e passem a ser donas e gestoras do próprio dinheiro.

O lugar de tomar a decisão sobre o dinheiro nunca foi nosso, ele foi conquistado muito recentemente. Esses resquícios da história ainda fazem com que muitas mulheres deleguem ao parceiro a gestão do dinheiro.  Por isso, o meu recado neste mês das mulheres é duro: nós PRECISAMOS assumir o controle do nosso próprio dinheiro; precisamos evitar que alguém use o poder financeiro como forma de controlar o relacionamento ou de nos prejudicar após o término.

Eu vejo muitas mulheres falando e defendendo a pauta da saúde mental, o que é muito importante. Porém, precisamos falar mais sobre saúde financeira e como isso impacta a saúde total das mulheres.

Eu sei que é uma mudança difícil, principalmente pelos vieses e herança que carregamos como mulheres, mas é necessária e urgente. Mais do que nunca, dinheiro é sinônimo de liberdade de escolhas para nós, portanto, não abram mão dele.

Não existe protagonismo feminino, sem liberdade financeira.

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