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Meninas negras duvidam que podem ser médicas — e os CEOs precisam trabalhar para mudar esse cenário

Não é possível alcançar a igualdade de raça e gênero sem a representatividade, um dos principais pilares quando se fala de diversidade e inclusão

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Tassya de Paula, gerente de diversidade e inclusão do Nubank, e Aline Santos, gerente comercial da Fin4she (Reinaldo Borges/Divulgação)

Tassya de Paula, gerente de diversidade e inclusão do Nubank, e Aline Santos, gerente comercial da Fin4she (Reinaldo Borges/Divulgação)

Um sonho comum entre meninos quando são crianças é se tornar jogador de futebol, não importa a raça ou a classe social. Não se fala muito disso, mas esse sonho coletivo é socialmente - e facilmente - construído nos imaginários desses garotos, afinal, um país que ama e que é referência global neste esporte tem muito exemplo para as crianças se inspirarem desde muito cedo.

Também é notável que o sonho de ser jogador não é limitado por raça ou classe social, e a resposta ainda está na representatividade: a maioria dos jogadores brasileiros são de origem humilde e negros. Ou seja, um menino negro não duvida que ele possa ser um jogador de futebol no futuro porque vê isso acontecendo todos os dia.

Mas quantas meninas negras você já ouviu acreditando e sonhando em se tornar uma médica? Eu me arrisco a dizer que muito poucas. Como poderiam elas sonhar com algo que raramente veem?

Quem me trouxe essa reflexão foi a querida Tassya de Paula [inclusive, muito obrigada, Tassya], gerente de diversidade e inclusão do Nubank, durante a sua participação no Women in Finance, o evento da Fin4She para mulheres do mercado financeiro. (Deixo o vídeo completo ao final para vocês assistirem).

Foi uma reflexão que me impactou muito porque quando falamos de diversidade e inclusão, um dos grandes pilares é a representatividade. Não é possível conseguir igualdade de raça e gênero se as pessoas de grupos sociais específicos não enxergarem em exemplos reais que podem alcançar determinados espaços. O limite para os sonhos das mulheres pretas precisam ser traçados por elas, e não por nós como sociedade. 

Quando as jovens negras conseguem derrubar a barreira da falta de representatividade e, mesmo sem exemplos, sonham em se tornarem o que quiserem, ainda assim encontram muitos obstáculos no caminho. É a falta de acesso à educação, a falta de oportunidades, a necessidade de negligenciar os estudos para trabalhar, e assim por diante.

Ainda assim, muitas superam todos esses empecilhos e correm uma maratona antes de chegar ao início da partida. Quando é dada a largada, se deparam com outros competidores descansados e super bem preparados porque puderam passar anos se dedicando apenas para essa competição.

No fim, a jovem negra se torna uma grande médica com muito, mas muito esforço. Ela, como indivíduo, merece todo o mérito e os aplausos pela superação, ela é realmente fora da curva. Mas nós, como sociedade, estamos completamente errados em ovacionar histórias que precisaram de esforço e superação em níveis absurdos (e muitas vezes desumanos) para acontecerem.

Não podemos normalizar uma pessoa ter de enfrentar tantos mais obstáculos no caminho, se deparar com escassez de oportunidades e tantas limitações sociais apenas por causa de sua raça ou gênero.

No Women in Finance, Tassya ainda compartilhou outra grande reflexão sobre tudo isso quando disse “Eu não quero ser vista como uma história de superação, quero ser vista como uma pessoa possível. Não é sobre superação, é sobre possibilidade”.

Eu achei incrível porque é normal aplaudirmos a superação, mas de um certo modo, ela pode passar a ideia de algo inatingível, algo disponível apenas para algumas poucas pessoas fora da curva.

Mas quando olhamos para a superação como uma possibilidade, isso muda. É nesse ponto que passamos a servir de inspiração e referência para que outras mulheres entendam que também podem, que é possível chegar neste lugar. E o movimento de inspirar pessoas, por si só, já é uma forma de gerar muito impacto.

Neste mês da Consciência Negra, que nós possamos realmente nos conscientizar e colocar em prática a busca pela igualdade de raça e gênero. O poder de mudança está  em cada um de nós, mas principalmente nas mãos de líderes, executivos, CEOs e profissionais com poder de tomada de decisão.

Se é o seu caso, pare e pense: quantas vezes você já olhou efetivamente para a diversidade dentro da sua equipe? Quantas vezes você buscou pessoas pretas para novas oportunidades?

Muitas vezes vemos as empresas com ações para incluir mulheres negras em áreas de apoio, mas é difícil encontrá-las em áreas chave e técnicas como tecnologia e investimentos. Voltamos então ao ponto inicial desta conversa: falta representatividade.

Para haver a transformação, a inclusão e a diversidade de verdade, é essencial ter mulheres pretas em cargos executivos e de liderança. O desafio é fazer a mudança nos níveis mais altos da hierarquia. Quanto mais superior o nível, menor a representatividade. Por isso, precisamos cada vez de mais aliados e alianças para promover essa transformação.

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