BC sinaliza fim de alta da Selic: é hora de investir em prefixados?

Com o freio no ciclo de alta de juros, surge a oportunidade de investir em títulos prefixados de curto prazo que estão pagando, em média, 13% ao ano. Saiba como especialistas avaliam essas aplicações
Renda fixa: retorno de prefixados pode ser superior ao de títulos atrelados à inflação e ao CDI (Thinkstock/Thinkstock)
Renda fixa: retorno de prefixados pode ser superior ao de títulos atrelados à inflação e ao CDI (Thinkstock/Thinkstock)
Por Bianca AlvarengaPublicado em 03/06/2022 06:03 | Última atualização em 02/06/2022 18:29Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O Banco Central já mandou avisar: o ciclo de alta da Selic vai acabar em breve. Na última reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, a taxa básica de juros foi elevada para 12,75%. A ata divulgada após a reunião explicou que esse deve ter sido o último ou penúltimo aumento da Selic. A partir de agora, as opções mais prováveis são de mais um aumento de meio ponto percentual, ou de a taxa permanecer como está.

Isso não significa, no entanto, que os juros vão começar a cair tão cedo. As projeções dos economistas consideram que a Selic vai iniciar sua descida, degrau por degrau, apenas no ano que vem. Até lá, o rendimento dos títulos de renda fixa deve permanecer acima de dois dígitos.

O fim do ciclo de alta da Selic e a permanência da taxa em patamares elevados por mais tempo pode abrir uma boa janela para investimento em títulos com rendimento fixo, como papeis prefixados de crédito (CDB, LCI e outros) e as próprias LTN (como é chamado o Tesouro Prefixado).

Esses títulos consideram as projeções de juros para calcular a taxa de rendimento – taxa, que como diz o nome da aplicação, é pré-contratada e não depende de nenhuma variável.

Analistas ouvidos pela EXAME avaliam que tais projeções de juros, especialmente as de curto e médio prazo, podem estar mais pessimistas do que o cenário real. Em outras palavras: o mercado está calculando juros mais altos do que os que possivelmente teremos nos próximos anos.

"Temos uma visão construtiva para os prefixados de curto prazo. Acredito que o mercado está sobreprecificando o risco, uma vez que a Selic deve começar a cair no médio prazo. Comprar um prefixado e 'travar' o rendimento a uma taxa de 12 ou 13% pode ser vantajoso", explica Odilon Costa, analista de renda fixa e crédito privado do BTG Pactual.

Costa diz, ainda, que essa visão mais pessimista faz com que os títulos prefixados tenham uma "gordura" em relação aos títulos pós-fixados. Isso significa que possivelmente as taxas pré-acordadas serão superiores ao valor do CDI nos próximos dois anos.

O Tesouro Prefixado 2023, título que é referência para os prefixados de curto e médio prazo, está oferecendo um rendimento anual na casa de 13%, atualmente. É um retorno maior do que os dos títulos da mesma classe com vencimento em 2025 e 2026, o que corrobora a visão de que a Selic pode cair a partir do ano que vem.

Veja abaixo as taxas de retorno dos títulos do Tesouro Prefixado:

Vale a pena investir em um prefixado de médio ou longo prazo?

Quando o foco deixa de ser o horizonte de um ou dois anos, a visão dos especialistas passa a ser mais cautelosa. A ainda indefinida eleição presidencial, que vai determinar a linha econômica que o Brasil seguirá pelos próximos anos, e os outros fatores imprevisíveis, como o caminhar da política de juros nos Estados Unidos, deixam muito do futuro em aberto.

Assim sendo, apostar em um patamar de juros (seja ele qual for) no médio longo prazo é ainda mais arriscado, e oferece pouca vantagem em relação ao investimento em um pós-fixado atrelado aos juros e inflação. Embora haja perspectiva de uma queda da Selic e do IPCA, ambos indicadores devem permanecer em patamares elevados nos próximos anos.

"Não acredito que investir em um prefixado de 5 ou 10 anos faça sentido porque, embora haja uma 'sobra' na curva de juros, enxergamos à frente um cenário de inflação que tende a acelerar", pondera o analista do BTG Pactual.

Filipe Albert, gestor de crédito da Fator, lembra que o preço das commodities (como petróleo, minério e grãos) continua pressionado, o que indica que a inflação vai demorar a ceder. Por outro lado, o BC já começou a sinalizar que combater essa pressão externa com juros passa a ser contraproducente.

"Os próximos meses vão mostrar qual o legado desses efeitos para a economia e para os juros. Há muito em aberto ainda", lembrou o gestor.

Investimento em IPCA pode ser oportunidade

Dessa maneira, a escolha do pós-fixado também pode trazer oportunidades. O BTG tem indicado aos seus clientes a compra de títulos de duration (tempo necessário para o título entregar o rendimento) curto e intermediário – de 3 a 5 anos.

Para Guilherme Lagnado, sócio da gestora Empírica, faz sentido que o investidor aloque parte do seus recursos em pós-fixados atrelados ao IPCA.

"Se você tem parte do seu patrimônio aplicado em inflação, então está protegido contra choques de preços, e ainda tem a garantia de ganho real. É um benefício importante, ainda mais considerando que o mundo atravessa um contexto econômico bastante inédito", recomendou o gestor.