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Sob holofotes, Natura & Co divulga balanço após fechamento

Expectativa de analistas é que balanço do terceiro trimestre siga pressionado por desafios nacionais e internacionais

Natura &Co: projeções de especialistas é que companhia encolha em 2022 (Natura &Co/Divulgação)

Natura &Co: projeções de especialistas é que companhia encolha em 2022 (Natura &Co/Divulgação)

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Graziella Valenti

Publicado em 9 de novembro de 2022, 06h54.

Última atualização em 9 de novembro de 2022, 08h43.

Na semana mais movimentada de balanços, os números de algumas companhias são mais aguardados do que outros. Na noite de hoje, quem anuncia os dados do terceiro trimestre é a Natura &Co (NTCO3). A companhia está sob os holofotes do mercado desde que, a partir do terceiro trimestre de 2021, passou a apresentar um desempenho consolidado mais fraco. Uma combinação de fatores tem impactado os números: o desempenho decepcionante da Avon Internacional, pressão de custo com inflação das matérias primas, volatilidade cambial internacional, mudança de hábitos dos consumidores e cenário macroeconômico nacional desafiador.

A lista é grande, mas o fato é que desde o terceiro trimestre de 2021, a companhia não traz crescimento geral para os investidores, o que tornou evidente o desafio da lógica adotada pela gestão anterior da empresa: a formação plataforma global de marcas de beleza pessoal e higiene.

A aposta é que os números do terceiro trimestre mostrem, de novo, esse mesmo panorama. A expectativa do analista do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da Exame) Luiz Guanais é que, neste ano, a Natura &Co encolha. Nos cálculos do especialista, além de terminar 2022 com prejuízo bem superior ao de 2020 (pior ano da pandemia), a empresa deve ter uma receita líquida de R$ 37,4 bilhões, ante R$ 40,2 bilhões no ano passado. No Goldman Sachs, a direção é a mesma: projeção de que a receita encolha para R$ 38,8 bilhões e o Ebitda, de R$ 4,15 bilhões para R$ 3,96 bilhões. Considerando a inflação, no Brasil e no mundo, é um encolhimento não desprezível.

Para completar o quadro, apesar de não ser uma companhia com alavancagem exorbitante (a Natura &Co captou R$ 8 bilhões, na soma de duas emissões de ações em 2020), a alta global da taxa de juros pesa. No segundo trimestre deste ano, por exemplo, as despesas financeiras líquidas mais do que dobraram na comparação anual, de R$ 205 milhões para R$ 427 mlhões.

A companhia está sob nova gestão desde junho, com seu projeto de plataforma global em revisão. Quem está à frente dos estudos é Fabio Barbosa, como CEO da holding Natura &Co. Muitos movimentos são esperados e isso se tornou o principal driver para as ações: um IPO ou spin-off seguido de uma oferta já estão sendo avaliados para a marca australiana Aesop e a expectativa é que o futuro da The Body Shop também colocado na mesa, com potencial oportunidade de venda.

Em relação à Avon, a grande dúvida é sobre o que acontecerá com a operação Internacional (tudo que não é América Latina). Venda? Fechamento de algumas operações? A gestão e integração da operação na América Latina está abaixo de João Paulo Ferreira e, apesar dos solavancos, a percepção geral é que esse processo está muito mais sob controle. Assim como há um entendimento que o desempenho da Natura, como marca, não está tão ruim.

Os balanços se tornaram eventos importantes não apenas para traduzir onde estão as maiores dificuldades como também pela oportunidade de contato com a gestão da companhia, para que o mercado consiga ouvir o que está sendo feito. Hoje, após o fechamento da bolsa, os investidores conhecerão os números e, amanhã cedo, poderão ouvir os planos para o negócio, na teleconferência que será realizada com o mercado. Embora a curiosidade maior seja sobre a definição do futuro das marcas e mercados, os números vão definir o tamanho da paciência dos investidores. A companhia chegou a valer mais de R$ 80 bilhões na B3, entre o fim de 2020 e início de 2021, e está há tempos estacionada pouco abaixo dos R$ 20 bilhões.