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Setubal: real não tem tendência de desvalorização muito grande

Segundo o presidente do Itaú Unibanco Holding SA, "a flutuação do câmbio é natural em momentos de muita volatilidade no mundo"

Roberto Setubal também falou sobre os efeitos da crise: "o Brasil está numa situação muito pouco vulnerável hoje em função de uma situação macroeconômica muito sólida" (Fabiano Accorsi/EXAME.com)

Roberto Setubal também falou sobre os efeitos da crise: "o Brasil está numa situação muito pouco vulnerável hoje em função de uma situação macroeconômica muito sólida" (Fabiano Accorsi/EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 26 de setembro de 2011 às 19h48.

Nova York - Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco Holding SA, maior banco da América Latina por valor de mercado, comentou a desvalorização do real, a taxa de inadimplência do País e sua exposição à crise de dívida europeia. Setubal fez comentários a jornalistas ontem em Washington, durante as reuniões do Fundo Monetário Internacional.

Sobre a taxa de câmbio:

“O câmbio preocupa? Não, não preocupa. A flutuação do câmbio é natural em momentos de muita volatilidade no mundo, muita aversão a risco, muitas preocupações. A tendência do câmbio não é uma desvalorização muito grande”, disse ele referindo-se ao real.

Sobre os efeitos da crise de dívida europeia no Brasil:

“O efeito no Brasil não será direto, porque o Brasil tem uma exposição financeira muito pequena com a Europa e não está exposto aos riscos diretos dos países.”

“O que vai afetar no Brasil é indiretamente, ao longo do tempo, à medida que a economia global reduz seu crescimento, isso tenderá a reduzir preço de commodity e certamente isso vai afetar um pouco o Brasil, mas de uma forma que exigirá algum tipo de ajuste.”

“O Brasil está numa situação muito pouco vulnerável hoje em função de uma situação macroeconômica muito sólida, tem muita margem de manobra. Vai ter que ajustar um pouco, talvez o câmbio desvalorize um pouco mais se as commodities vierem a cair, mas é uma situação muito tranquila para o Brasil.

Sobre a inadimplência dos consumidores brasileiros:

“A queda dos juros facilita evidentemente o serviço da dívida dos clientes, não tem dúvida nenhuma, então isso é positivo. Um cenário de juros mais baixo é um cenário mais propício a uma inadimplência menor.”

“Nós estamos muito abaixo dos picos históricos de inadimplência. Inclusive, o cenário pra frente, ao meu ver, a redução dos juros ajuda e já há uma tendência de redução da própria inadimplência, então eu não vejo nenhuma questão maior em termos de inadimplência de crédito do País. Os números de até 90 dias estão começando a cair.”

Sobre a meta fiscal do governo brasileiro:

“Até esse momento, o governo mostrou números fiscais muito sólidos esse ano. Muito além da expectativa do mercado. Além da meta. O governo está à frente da meta, claramente. Isso dá muita confiança para mim de que os números fiscais desse ano serão cumpridos com folga. E tendo cumprido esse ano com grande eficiência, eu estou confiante de que os números do ano que vem também serão muito bons.”

Sobre as captações externas de empresas brasileiras:

“Está muito fácil captar recursos fora do Brasil, não tem dúvida nenhuma. A situação geral de captação no exterior para empresas e bancos brasileiros é muito tranquila, não tem nenhuma dificuldade.”

Sobre o que é preciso para restabelecer a confiança na Europa:

“Liquidez é um tema importante. Neste momento que tem esse stress todo, é muito importante manter uma liquidez bem ampla no sistema. A situação na Europa é uma situação complexa, exige muita atenção. Essa questão na Grécia tomou uma proporção que não deveria ter tomado, então exige muita atenção e muito cuidado.”

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