Preço do gás atinge novo recorde na Europa e pode aumentar mais de 60%

No acumulado do ano, o preço do gás na Europa aumentou 220%, principalmente por causa da guerra na Ucrânia
Válvula de pressão é vista em uma estação de gás próxima de Uzhhorod, na Ucrânia (Gleb Garanich/Reuters/Exame)
Válvula de pressão é vista em uma estação de gás próxima de Uzhhorod, na Ucrânia (Gleb Garanich/Reuters/Exame)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 16/08/2022 às 18:55.

Última atualização em 16/08/2022 às 19:02.

O preço do gás na Europa atingiu um novo recorde nesta terça-feira, 16, chegando aos € 251,73 (cerca de R$ 1,3 mil) por MWh na Bolsa do Gás de Amsterdã TTF.

Durante o pregão, a cotação do gás chegou a beirar os € 250 por MWh, baixando logo em seguida.

No acumulado do ano, o preço do gás na Europa aumentou 220%. Há um ano atrás, o preço era de € 60 (cerca de R$ 315) por MWh.

No Brasil, o preço médio do MWh residencial em São Paulo é de cerca de R$ 380.

Essa disparada do gás natural levou ao aumento dos preços da eletricidade na Alemanha, onde o contrato de um ano cotado na Bolsa Europeia de Energia atingiu os € 502 por MWh, registrando uma nova máxima histórica, seis vezes o nível de 2021 e o dobro do nível de junho.

O verão particularmente quente está reduzindo os níveis de água nos rios da Europa, tornando a navegação de barcaças de transporte de carvão antieconômico. Com isso, as concessionárias são forçadas a utilizar mais gás, em um momento em que o fornecimento da Rússia continua diminuindo por causa da guerra na Ucrânia.

Preço do gás pode continuar subindo ao longo do ano

Além da atual alta dos preços, o que preocupa os analistas é o futuro da cotações. De acordo com uma nota da estatal energética russa Gazprom divulgada pela agência de notícias Interfax, os preços do gás na Europa podem aumentar em 60% no próximo inverno, chegando a ultrapassar € 4 mil por mil metros cúbicos.

A estimativa é que o preço do gás possa chegar até a € 350 por megawatt-hora.

Nos primeiros sete meses e meio de 2022, a Gazprom reduziu as exportações de gás para a Europa em 36,2%, chegando em 78,5 milhões de metros cúbicos.

Enquanto isso, continua o impasse entre a Alemanha e a Rússia sobre uma turbina no gasoduto Nord Stream, bloqueada após reparos realizados no Canadá.

No mês passado, Moscou cortou o fornecimento de gás através da infraestrutura para 20% da capacidade total, citando problemas técnicos.

Na segunda-feira, o ministro da Economia alemão, Robert Habeck, declarou que a turbina está disponível para ser reinstalada após a manutenção, e que a Rússia está usando esse episódio como uma "desculpa" para cortar o fornecimento para a Europa.

A Alemanha é um dos países mais afetados pela crise energética, sendo fortemente dependente do abastecimento russo.

O governo alemão pediu uma redução no consumo e nesta semana impôs um imposto sobre o uso do gás, aumentando ainda mais o preço para os consumidores.

Além disso, Berlim assinou um acordo com as principais empresas de energia do país para importar gás natural liquefeito através de dois novos terminais neste inverno.

Por último, o governo estaria pensando em adiar o fechamento das três últimas usinas nucleares ainda em operação no país.

Embora temporária, a decisão marcaria uma primeira reversão de uma política iniciada no início dos anos 2000 para eliminar a energia nuclear na Alemanha.

Os estoques de gás na Europa estão atualmente em cerca de 70% da capacidade. E foi esse aumento nos estoques, registrando na semana passada, que deu uma aliviada para os preços, superada pela forte alta registrada desde segunda-feira.