Como o Pix pode beneficiar as ações da PagSeguro, segundo o Itaú BBA

Analistas defendem que o papel da empresa tem potencial de valorização de até 109%
Pix e PagSeguro: entenda como as transações digitais podem ajudar na valorização das ações (Rafael Henrique/SOPA/Getty Images)
Pix e PagSeguro: entenda como as transações digitais podem ajudar na valorização das ações (Rafael Henrique/SOPA/Getty Images)
Por Fernanda BastosPublicado em 25/05/2022 16:10 | Última atualização em 25/05/2022 16:31Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O Pix está beneficiando as empresas do ramo de cartões de crédito. Dentre elas, o destaque é a PagSeguro, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira, 25, pelo Itaú BBA.

Na visão dos analistas do banco, o uso do Pix — bastante popular no Brasil — “não é um vilão” e pode estar até mesmo ajudando no volume de transações com cartões. A tese é de que o Pix está tomando espaço principalmente das operações com dinheiro em espécie e outras formas tradicionais de transferências bancárias, como TED e DOC. O sistema pode ser, inclusive, uma das razões para que o dinheiro esteja circulando mais digitalmente, justamente por gerar um depósito que pode ser usado por um cartão de crédito, criando, assim, uma forma mais prática para o dinheiro transitar.

Considerando o cenário, a recomendação do BBA é de outperform (equivalente à compra) para as ações da PagSeguro, com preço alvo de US$ 28 — o que representa um potencial de valorização (upside) de 109%. Nesta quarta-feira, as ações da PagSeguro (PAGS) na Nasdaq são negociadas em alta de 3,82%. Já o BDR da empresa de finanças negociado na B3 (PAGS34) sobe 4,98%.

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O relatório mostra ainda que os volumes de transações com cartão cresceram mais rápido do que os gastos familiares básicos. Os saques em dinheiro estão perdendo relevância nos cálculos do BBA, caindo 25 pontos percentuais (p.p.), de 65% em 2019 para os atuais 40%. Mas, estima-se que os cartões tenham ganhado cerca de 15 p.p. de participação, alcançando 50%, no mesmo período.

As ações da PagSeguro (PAGS) devem encerrar 2022 com receita acima de 165% e volumes de adquirência acima de 200% em relação a 2019. Os analistas esperam melhores volumes e aumentos nas taxas de pré-pagamento (37% da receita) que devem levar a melhores resultados ao longo de 2022. Os resultados devem servir como gatilhos positivos para as ações.

A expectativa é que os próximos trimestres confirmem os ganhos de participação de mercado da PagSeguro. As estimativas do BBA para a empresa em 2023 estão 13% acima do consenso, segundo os analistas. 

"Há espaço substancial para descompressão de risco para as ações à medida que essa tendência continua. A repactuação bem-sucedida das taxas de pré-pagamento deve oferecer suporte adicional para perspectivas de lucro e múltiplos", comentam analistas. 

Outro ponto importante é que a recuperação dos resultados do PagSeguro não depende de um melhor ciclo de crédito. Os analistas descrevem a valorização do papel como tendo um "desempenho superior". Além da PagSeguro, os analistas veem melhores tendências de curto prazo para Stone e Cielo, mas o risco-retorno não é tão atraente.

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