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O petróleo caminha para sua sétima semana de queda consecutiva, com o preço rondando os US$ 75 por barril – abaixo da faixa de US$ 80 a US$ 100 que vinha sendo mantida nos últimos meses. A explicação mais replicada entre analistas é a queda na demanda da China, combinada a uma queda do crescimento do PIB nos Estados Unidos. Mas para Tom Holland, analista da Gavekal Research, a explicação vai além.

A maior parte da liquidação do preço do petróleo Brent começou logo após a última reunião da Opep+, no final de novembro. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados decidiu impor um corte de 2,2 milhões de barris por dia no primeiro trimestre de 2024, dando sequência a uma restrição da oferta que tem mantido os preços altos.

Holland avalia, no entanto, que o tiro saiu pela culatra.  “O mercado reage frequentemente às decisões da OPEP testando a determinação do cartel. Depois de a Opep+ ter anunciado cortes de produção em abril, o petróleo foi prontamente vendido, num movimento que durou quase três meses”, escreveu o analista em relatório.

EUA e China têm influência na queda do petróleo?

E quanto à influência de Estados Unidos e China? O analista avalia que o crescimento do PIB americano deve realmente desacelerar no curto prazo, mas sem sinais de recessão. "Apesar da fraca procura de gasolina atribuída ao aumento do trabalho a partir de casa pós-Covid, a procura global de produtos petrolíferos nos EUA está bem acima da sua média de 10 anos”, argumentou.

Da mesma forma, afirmar que há uma crise econômica na China seria exagerado . “Certamente o setor imobiliário chinês enfrenta fortes ventos contrários, mas o governo está implementando medidas de apoio específicas que devem garantir uma meta de crescimento de 4,5-5% em 2024. Além disso, a procura chinesa de petróleo continua forte”, afirmou.

Existe ainda uma preocupação com a expansão da oferta americana de petróleo, que poderia competir com os preços da Opep+. A produção petrolífera dos EUA está em expansão, atingindo um nível quase recorde de 13,1 milhões de barris por dia na última semana de novembro. Mas, segundo o analista da Gavekal, isso representa uma recuperação da produção observada no primeiro trimestre de 2020, imediatamente antes da chegada da Covid, em vez de uma nova expansão na capacidade de produção.

Quais os riscos para o preço do petróleo?

Ainda assim, o analista reforça que o cenário apresenta riscos. “A julgar pela história recente dos EUA, uma recessão prejudicaria a procura de petróleo no país entre 1 milhão e 2 milhões de barris por dia – o suficiente para ter um impacto material nos preços globais”, informou. 

A disciplina da Opep+ também poderia falhar, conduzindo a outra guerra de preços como aquela que viu os preços globais colapsarem no início de 2020. O relatório cita ainda que um avanço no sentido de negociações de paz na Ucrânia poderia resultar numa queda acentuada do prémio de risco geopolítico sobre os preços globais da energia. Simultaneamente, um maior alívio das sanções para a Venezuela ou um abrandamento das sanções dos EUA ao Irão poderia levar a um aumento na produção dos produtores da Opep+.

Mas os investidores devem perguntar-se até que ponto é provável qualquer um destes desenvolvimentos. Como vimos, embora uma recessão nos EUA continue a ser possível, ainda não há sinais firmes de que esteja a emergir. E embora a disciplina da Opep+ pareça sempre estar se desgastando, a visita de quarta-feira do presidente russo, Vladimir Putin, a Abu Dhabi e Riad ilustra como os principais atores do cartel estão interessados ​​em projetar a unidade, uma determinação que só será reforçada pela recente queda nos preços”, afirmou.

O relatório conclui que as possibilidades de uma queda na procura de petróleo ou de um aumento na oferta de petróleo nos primeiros meses de 2024 não são prováveis. “Isto sugere que a perspectiva base para os preços do petróleo será que a atual dinâmica descendente desapareça no curto prazo e que os preços encontrem apoio antes de subirem gradualmente novamente para US$ 80 por barril, tal como fizeram após a crise pós-Opep+. queda na primavera deste ano”.

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