Petrobras: trocas de comando aumentam risco da ação, dizem analistas

Caio Mario Paes de Andrade deve se tornar o terceiro presidente da companhia no ano; mudanças ocorrem sob pressão de alta dos combustíveis
Petrobras: ações caem nesta terça (Reuters/Sergio Moraes)
Petrobras: ações caem nesta terça (Reuters/Sergio Moraes)
Por Guilherme GuilhermePublicado em 24/05/2022 11:30 | Última atualização em 24/05/2022 11:57Tempo de Leitura: 2 min de leitura

As trocas de comando na Petrobras têm levantado (ainda mais) questionamentos no mercado sobre o quão arriscado é investir nas ações da companhia.

Caio Mario Paes de Andrade, indicado para assumir a empresa, deve se tornar o terceiro presidente da estatal no ano. Paes de Andrade é o atual secretário de Desburocratização do governo federal.

As ações beiram 4% de queda nesta terça-feira, 24, já considerando o efeito ex-dividendos. Hoje é o primeiro dia que as ações passam a ser negociadas sem direito ao provento de R$ 3,71549 por ação. 

José Mauro Ferreira Coelho, atual presidente da companhia, deve deixar o cargo com menos de dois meses. 

"As mudanças recorrentes para o cargo aumentam substancialmente a percepção de riscos para o investimento em Petrobras, principalmente porque foram anunciadas após os ajustes nos preços dos combustíveis domésticos", afirmam em relatório analistas do Credit Suisse.

Como fica a política de preços? 

Embora pressões sobre a alta dos combustíveis tenham permeado todas as últimas trocas de comando, o Credit Suisse não espera mudanças significativas na política de paridade internacional de preços.

Mas para o BTG Pactual o verdadeiro teste ainda está por vir. "Achamos que o novo CEO enfrenta um dilema difícil: como preservar seu próprio emprego seguindo as políticas da empresa e sem comprometer a disponibilidade de combustível do Brasil?"

A manutenção da maior parte da gestão da Petrobras, segundo analistas do BTG, contribui para a expectativa de continuidade das atuais políticas da empresa.  "Qualquer mudança nisso pode corroer ainda mais a percepção de risco", afirmaram em relatório.

"Permanecemos neutros e preferimos investir no tema petróleo via outros ativos do setor."

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