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MRV quer levar margem bruta de 20% para 30% com repasse de preço

Companhia busca margem bruta para novas vendas de 30% até o 1º trimestre do ano que vem

Em call de resultados realizada nesta sexta-feira, 13, o CEO da companhia, Eduardo Fischer, apontou que a margem bruta para novas vendas aumentou para 25% em abril (Leandro Fonseca/Exame)

Em call de resultados realizada nesta sexta-feira, 13, o CEO da companhia, Eduardo Fischer, apontou que a margem bruta para novas vendas aumentou para 25% em abril (Leandro Fonseca/Exame)

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Marília Almeida

Publicado em 13 de maio de 2022, 14h39.

Última atualização em 13 de maio de 2022, 14h46.

A inflação está pesando sobre as construtoras, como a MRV (MRVE3). Nos três primeiros meses do ano, a companhia teve lucro 48% menor na comparação com o mesmo período de 2021, de R$ 71 milhões.

O resultado reflete os desafios do setor, mais especificamente a inflação das construção. A margem bruta de novas vendas da companhia foi de 23% no período. A margem bruta registrada pela companhia para todas as safras de lançamentos foi de 19,8%, uma retração de 8 pontos porcentuais em relação ao mesmo período anterior.

Para acalmar os ânimos dos acionistas, a construtora resolveu abrir pela primeira vez um indicador antecedente, que aponta a meta para a margem bruta no primeiro trimestre do ano que vem. Em call de resultados realizada nesta sexta-feira, 13, o CEO da companhia, Eduardo Fischer, apontou que a margem bruta para novas vendas de abril já aumentou para 25% e que a companhia busca um meta de 30% para o ano que vem.

"A partir daí começamos a ter um retorno interessante e um bom retorno do nosso capital. Isso porque o custo da nossa operação fica em torno de 18%, já incluindo o pagamento de impostos e despesas financeiras".

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As ações da empresa, que eram negociadas na casa dos R$ 13 em janeiro, caíram para abaixo de R$ 10. Entretanto, reagiam bem à sinalização da empresa nesta terça-feira, 13, e registravam alta de 5%, para R$ 10,20.

Como essa expansão de margem será possível? Repassando a inflação para os preços dos imóveis, aproveitando o cenário de falta oferta no segmento econômico, explica o executivo. "Muitas empresas deixaram de atuar no segmento. A contratação de unidades no programa de incentivos Casa Verde Amarela caiu pela metade, para 15 mil unidades por mês. Então temos conseguido aumentar preço sem afetar a liquidez das vendas".

O executivo pondera que há diferença de competição de cidade para cidade. Mas como a companhia opera em mais de 100 cidades em todo o país consegue ser mais agressiva em algumas praças e mais conservadora em outras. "Temos 300 mil unidades do Casa Verde Amarela no nosso banco de terrenos. Queremos expandir o quanto antes nossa margem bruta. Não vamos lançar produto sem ampliar a margem bruta daqui para a frente".

Casa Verde e Amarela: correção à vista?

Para atingir a meta divulgada, o executivo também está confiante de que deve haver uma correção nas regras do programa Casa Verde e Amarela os próximos meses. "Entidades do setor estão em conversa com o governo para que isso aconteça".

Fischer definiu a velocidade sobre vendas  da companhia no primeiro trimestre como mediana. "Não é espetacular, mas não é ruim. Gostaríamos de estar vendendo mais rápido. Mas além do aumento dos custos para construir o poder de compra da população de baixa renda piorou. Pela primeira vez temos sobra de dinheiro no FGTS".

O governo, segundo ele, "acompanha esse movimento, e vai reagir a ele", com aumento de subsídios e alterações nas faixa de juros do programa.

A conjunção de repasse de preços para novos lançanentos e mudanças no programa de subsídios dará "uma boa segurança" para que a companhia consiga atingir a margem bruta de novas vendas divulgada, concluiu o executivo.