O que move os mercados: o mercado doméstico acompanha uma bateria de indicadores, com o Banco Central (BC) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgando informações que ajudam a calibrar as expectativas para a Selic em 2026 (Leandro Fonseca/Exame)
Colaboradora na Exame
Publicado em 26 de março de 2026 às 05h30.
Se a quarta-feira foi marcada pela análise de dados europeus, a quinta-feira, 26, desloca o foco para o Brasil. O mercado doméstico acompanha uma bateria de indicadores, com o Banco Central (BC) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgando informações que ajudam a calibrar as expectativas para a Selic em 2026.
A prévia da inflação ao consumidor de março no Brasil, o IPCA-15, que será divulgada às 9h, é acompanhada de perto por trazer trazer sinais atualizados sobre o comportamento dos núcleos e, especialmente, da inflação de serviços, um componente considerado central pela autoridade monetária na condução da política de juros.
O mercado projeta uma alta mensal de 0,29% e anual de 3,74%, o que representa um arrefecimento frente à última divulgação (fevereiro), em que o índice registrou alta mensal de 0,84% e um acumulado de 4,10% em 12 meses. O resultado funciona como um termômetro para entender se o setor de serviços continua pressionando o índice.
Antes disso, às 8h, enquanto a Fundação Getúlio Vargas (FGV) publica o INCC de março, que mede a variação do custo da construção civil, e a sondagem da construção.
No mesmo horário, o Relatório de Política Monetária (RPM) do BC traz as novas projeções da autoridade monetária para crescimento, inflação e cenário externo, servindo como referência para as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).
A divulgação do documento será seguida por coletiva de imprensa, às 11h, do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor de assuntos internacionais e gestão de riscos corporativos, Paulo Picchetti, que, no momento, acumula também o cargo de diretor de política econômica.
Mais tarde, às 11h30, ocorre leilão de NTN-F e LTN no Tesouro Nacional.
No exterior, o destaque da agenda fica com os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos, às 9h30, com dados da semana encerrada no dia 20 de março. O indicador é tradicionalmente monitorado para avaliar o grau de aquecimento do mercado de trabalho norte-americano e possíveis impactos sobre a trajetória dos juros pelo Federal Reserve (Fed).
Às 14h será realizado o leilão de T-notes de 7 anos nos EUA.
A atenção também se volta para decisões de política monetária. A África do Sul divulga sua taxa de juros às 10h, e o México anuncia sua decisão. Em fevereiro, o banco central do país decidiu pela manutenção da taxa de juros às 16h.
Além disso, investidores acompanham ao longo do dia discursos de dirigentes de grandes bancos centrais, como Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra, em busca de sinais adicionais sobre o timing de eventuais ajustes de política monetária nas principais economias desenvolvidas.
No front corporativo internacional, a temporada de balanços segue com resultados previstos para companhias como Commercial Metals, Argan e BRP Inc., que podem oferecer pistas adicionais sobre o ritmo da atividade industrial e do consumo nos Estados Unidos. Já no Brasil, estão previstos os balanços de Braskem, JHSF e Petz.
O conflito envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos permanece como uma das principais fontes de volatilidade para os mercados globais. Nos últimos dias, o presidente Donald Trump anunciou uma suspensão temporária de ataques a infraestruturas energéticas iranianas por cinco dias, após sinalizações de avanço nas conversas entre os países, mas declarações conflitantes entre Washington e Teerã mantêm elevada a incerteza sobre a duração do confronto.
Ao mesmo tempo, o risco de interrupções logísticas no Estreito de Ormuz continua no radar dos investidores. A região concentra parte relevante do fluxo global de petróleo e segue como ponto sensível do conflito.
Esse cenário segue sustentando o prêmio de risco nas commodities energéticas. Após a forte queda registrada no início da semana com o anúncio da trégua temporária, os preços do petróleo voltaram a subir, diante de sinais contraditórios sobre negociações entre EUA e Irã.
O Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda de 0,42%, aos 128.450 pontos, refletindo a cautela técnica pré-indicadores. O dólar comercial caiu 0,65%, cotado a R$ 5,22, enquanto o Petróleo Brent fechou estável, mas em patamar elevado de US$ 98,12, sustentado pela geopolítica.
Com isso, a evolução do conflito permanece como uma das principais variáveis para o comportamento das commodities, das curvas de juros globais e dos ativos de risco ao longo do pregão.