Inflação surpreende de novo e afeta o Copom? IGP-10 abre safra de abril

Inflação está em trajetória de aceleração e voltou a surpreender analistas e o próprio Banco Central com pressão que vai além dos choques de oferta
Tanques de combustíveis da Petrobras: IGP-10 de abril revela evolução dos preços no atacado e no varejo (Ueslei Marcelino/Reuters)
Tanques de combustíveis da Petrobras: IGP-10 de abril revela evolução dos preços no atacado e no varejo (Ueslei Marcelino/Reuters)
Por Da RedaçãoPublicado em 18/04/2022 06:00 | Última atualização em 17/04/2022 20:43Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Roberto Campos Neto deu o recado no fim de março: ele e os demais integrantes do Copom entendem que uma taxa Selic em 12,75% ao ano -- a taxa está atualmente em 11,75% -- será capaz de levar a inflação para a meta no horizonte relevante. E que o pico da inflação deve se dar neste mês de abril.

Agora a questão é saber se a evolução dos preços e dos fatores que exercem pressão sobre os mesmos vai permitir que esse script seja seguido como esperado ou se, mais uma vez, o Banco Central terá que se render a uma dinâmica de preços que insiste em desancorar expectativas.

A bateria de indicadores que antecedem a próxima reunião do Copom começa nesta segunda-feira, dia 18, com a divulgação do IGP-10 (Índice Geral de Preços - 10) de abril, o primeiro dado relevante referente ao mês vigente. A FGV (Fundação Getulio Vargas) comunica os dados ao mercado às 8h da manhã. O índice mede a inflação entre os dias 11 do mês anterior (março) e 10 do vigente (abril).

Na próxima semana, no dia 27, será a vez da prévia da inflação oficial ao consumidor de abril, com o IPCA-15, calculado pelo IBGE. Nos dias 3 e 4 de maio, acontecerá a próxima reunião do Copom.

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A expectativa de analistas de mercado é que o IGP-10 confirme a aceleração da inflação apontada pelo presidente do BC, a exemplo do que apontou o IGP-DI, que tem a mesma metodologia e composição, mas afere os preços entre os dias 1 e 30 (ou 31) de cada mês. Nesse caso, o IGP-DI passou de 1,50% em fevereiro para 2,37% em março, com forte pressão dos preços dos combustíveis, como a gasolina e o óleo diesel.

O IPCA fechado do mês de março, que superou as projeções de mercado e subiu 1,62%, reforçou o alerta sobre uma dinâmica de preços que pode vir pior que o esperado, como reconheceu o próprio Campos Neto em evento há uma semana.

"Teve um índice mais recente que saiu [o IPCA de março] e foi uma surpresa. A gente via uma velocidade da passagem do preço da gasolina para a bomba um pouco mais rápido, por isso esse próximo índice seria um pouco maior e o próximo um pouco maior. Em parte foi isso, mas houve outros elementos, como vestuário e alimentação fora do domicílio, que vieram numa surpresa grande", disse.