Ibovespa: o principal índice da B3 encerrou o pregão em baixa de 1,23%, aos 175.546,36 pontos (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 6 de agosto de 2026 às 17h44.
Última atualização em 6 de agosto de 2026 às 17h48.
O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, 6, pressionado pela cautela dos investidores após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano, mas deixou em aberto os próximos passos da política monetária. O mau humor nas bolsas de Nova York, em meio às incertezas envolvendo as tensões entre Estados Unidos e Irã, também influenciou o desempenho negativo do mercado brasileiro.
O principal índice da B3 encerrou o pregão em baixa de 1,23%, aos 175.546,36 pontos, abaixo dos 176 mil pontos, com volume financeiro de R$ 19,3 bilhões. Já o dólar comercial caiu 0,41% frente ao real e fechou cotado a R$ 5,107.
Entre as ações de maior peso do índice, a Vale (VALE3) caiu 1,66%, mesmo com a alta do minério de ferro no mercado internacional. Já a Petrobras (PETR4) subiu 0,48% e a Petrobras (PETR3) avançou 0,34%, acompanhando a forte valorização do petróleo, na expectativa pela divulgação do balanço da estatal após o fechamento do mercado.
A Smart Fit (SMFT3) liderou as perdas do Ibovespa e caiu 7,82%. A rede de academias divulgou na quarta-feira, 5, resultados do segundo trimestre com receita e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em linha com as projeções, mas o lucro líquido recorrente ficou abaixo das expectativas, pressionado por despesas financeiras maiores.
A segunda maior queda foi Vamos (VAMO3) que caiu 6,02%, seguida por Magazine Luiza (MGLU3), com recuo de 6,33% às véspera da divulgação do balanço do 2° trimestre.
A Brava Energia (BRAV3) aparece na sequência, com queda de 4,78%. A companhia também esteve no foco dos investidores depois que a colombiana Ecopetrol venceu o leilão para assumir o controle da empresa, com aquisição de ações a R$ 23. Apesar de o lucro líquido ter superado as projeções, a receita líquida e o Ebitda ajustado ficaram abaixo das estimativas do mercado.
Entre os bancos, o Bradesco (BBDC4) caiu 1,94%, mesmo após divulgar o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro e retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 16,2%.
O Banco do Brasil (BBAS3) recuou 3,66%, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,30%, o BTG Pactual (BPAC11) recuou 1,07% e o Santander Brasil (SANB11) perdeu 0,71%.
A pressão sobre as ações do Bradesco ocorre apesar do resultado considerado em linha com as expectativas do mercado. Investidores também seguem acompanhando a assembleia marcada para o início de setembro, que decidirá sobre o aumento de capital de R$ 10 bilhões anunciado pela instituição.
Para o CEO da Friggi & Secco, Alberto Friggi, a reação dos ativos reflete o fato de que o corte de juros já estava amplamente precificado pelos investidores. "A Selic em 14% já estava praticamente precificada. O que faltou ao investidor foi uma indicação de que setembro traria automaticamente o quinto corte consecutivo", afirmou.
Agora, a dúvida sobre os próximos passos do Banco Central limita o impacto positivo da redução da taxa básica sobre as ações.
"Para a Bolsa, isso faz diferença porque o valor das empresas incorpora a expectativa de juros de vários meses e anos à frente. Se o ritmo de redução da Selic se torna menos previsível, a queda imediata de 0,25 ponto tem impacto limitado sobre essa conta", explicou Friggi.
As bolsas americanas fecharam em queda, com investidores demonstrando cautela diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio e das expectativas para a política monetária do Federal Reserve.
O Dow Jones caiu 0,85%, aos 53.885,10 pontos. O S&P 500 recuou 0,18%, aos 7.709,96 pontos, enquanto o Nasdaq fechou com baixa de 0,06%, aos 26.348,35 pontos.