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Ibovespa fecha em queda pelo 5º dia e aprofunda pior patamar do ano; dólar sobe a R$ 5,27

Mudança de meta fiscal para os próximos anos agrava preocupações sobre sustentabilidade da dívida; escalada de conflito no Oriente Médio pressiona bolsas internacionais

Ibovespa: mercado opera com cautela (Eduardo Frazão/Exame)

Ibovespa: mercado opera com cautela (Eduardo Frazão/Exame)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 16 de abril de 2024 às 10h39.

Última atualização em 16 de abril de 2024 às 17h13.

O Ibovespa caiu 0,75%, nesta terça-feira, 16, e fechou a 124.339 pontos. Foi o quinto pregão consecutivo de queda, aprofundando o pior patamar do ano. O mercado brasileiro é impactado por uma somatória de fatores internacionais e locais. O tom negativo tem reflexos também no câmbio, com o dólar registrando mais um dia de forte alta contra o real. Na máxima, a moeda bateu R$ 5,27.

Ibovespa hoje

  • IBOV: - 0,75%, aos 124.339 pontos.
  • Dólar: + 1,64%, R$ 5,270

Por aqui, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentária (PLDO), enviado na segunda-feira, 15, ao Congresso não agradou  o mercado. Um ponto de destaque foi a flexibilização das metas fiscais previstas para o período entre 2025 e 2028.

Outro ponto-chave citado por analistas foram as “projeções de receitas superestimadas” e de “despesas subestimadas”, além da projeção de longo prazo, com PIB de 2,5% nos próximos anos, que foi avaliada como “muito otimista”.

“O PLDO, pode-se dizer, se mostrou muito mais flexível do que se esperava. Há projeções que nos parecem muito otimistas de PIB, crescendo 2,5% até 2028. Também há uma trajetória de IPCA cadente, o que nos parece um otimismo exacerbado por parte do governo nas premissas macro”, aponta o especialista.

Com isso, o Banco Central (BC) elevou, pela primeira vez após 15 semanas, a expectativa da Selic para 2024 de 9% para 9,13% no Boletim Focus divulgado nesta terça. Entretanto, a estimativa do IPCA para 2024 voltou a cair, de 3,76% para 3,71%, após apresentar alta no último boletim. Os economistas também elevaram a previsão do PIB para o ano. A mediana passou de 1,90% para 1,95%.

Aversão ao risco exterior

Ainda que em menor magnitude, o ambiente também foi de perdas no exterior, com as bolsas de Nova York fechando com quedas próximas de 0,1%. A aversão ao risco internacional se dá pelo aumento nas tensões no Oriente Médio, com a possibilidade de Israel responder ao ataque do Irã. Somado a isso, dados mistos da China instalam cautela entre os investidores.

Na manhã desta terça, o país divulgou o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2024. O crescimento econômico foi mais robusto do que o esperado, avançando 5,3% no período, ligeiramente melhor do que no trimestre anterior e superando as estimativas.

Entretanto, segundo Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, alguns sinais ligaram o alerta nos investidores. A produção industrial do país subiu 4,5% em março de 2024, na comparação anual, abaixo do esperado por analistas consultados pela FactSet, de avanço de 5,5%.

“Quando observamos a produção industrial e o varejo da China, os dados foram muito ruins, e são setores extremamente relevantes para o país, então têm feito preço. Existe, hoje, um peso muito grande do setor de real estate, que segue muito fraco, além de infraestrutura e indústria, que também se mostraram mal”, aponta Arbetman.

Acrescentado aos temores com o Oriente Médio e o pessimismo com a China, há ainda a possibilidade do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) adiar o corte de juros para setembro.

Os investidores também acompanharam o presidente do Fed, Jerome Powell, discursar na tarde de hoje. Powell afirmou que a escalada da inflação iniciada em meados de 2021 não é um típico caso de preços impulsionados por uma economia superaquecida.

Ele atribuiu o movimento aos choques de oferta. Segundo Powell, houve uma recuperação das cadeias produtivas ao longo de 2023, que ajudou a reduzir a inflação nos Estados Unidos. O dirigente disse entender o impacto da política monetária americana na economia global, mas defendeu que o melhor que o Fed pode fazer para o mundo é garantir a estabilidade de preços. "Tentamos ser transparentes e produtivos."

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