Enjoei melhora margem e prejuízo cai 56% no 3º trim., para R$ 10,18 milhões

Varejista online de itens usados conseguiu aumentar o número de usuários mesmo com redução de investimentos em marketing e receita cresceu 42%

Enjoei: escolha por menos margem no ano passado se mostrou acertada pelo momento, diz CEO (Leandro Fonseca/Exame)

Enjoei: escolha por menos margem no ano passado se mostrou acertada pelo momento, diz CEO (Leandro Fonseca/Exame)

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Raquel Brandão

10 de novembro de 2022, 19h14

Depois de abrir mão de margem para acelerar o crescimento da base de compradores e vendedores na plataforma, o Enjoei (ENJU3), varejo online de compra e venda de itens usados, voltou a buscar rentabilidade. No terceiro trimestre deste ano, o prejuízo líquido caiu 56%, para R$ 10,18 milhões, com um ganho de 86% do lucro bruto e um aumento de 73% no resultado financeiro.

Para o CEO do Enjoei, Tiê Lima o resultado é fruto do momento acertado em que a companhia resolveu investir mais em marketing e em crescer em detrimento da rentabilidade há cerca de um ano. “Ano passado nossa cabeça era das pessoas em casa e entendíamos que tínhamos que atrair mais gente para a plataforma. Hoje está claro que abrimos mão de margem no melhor momento. O custo de capital e taxa de juros naquele momento ainda estavam em ascensão, então esse dinheiro era mais barato. Mas a empresa tinha se comprometido em ter uma trajetória de rentabilidade e o que estamos vendo no terceiro trimestre é resultado desse trabalho”, afirma em entrevista à EXAME Invest.

A receita líquida do trimestre saltou 42%, para R$ 36,68 milhões, com o GMV (sigla em inglês para volume bruto de mercadorias) ficando 40% maior, em R$ 277,9 milhões. O gross billings, indicador que mostra a parcela retida pelo Enjoei em cada transação, cresceu 58%, ficando em uma taxa de 25,5%. Já o take rate, que mede a relação de receita bruta sobre GMV seguiu trajetória crescente, atingindo 14,9% ante 14,1% do último trimestre e 14,7% do trimestre imediatamente anterior.

Parte desse avanço é resultado da estratégia, explica Lima, de dar mais foco à categoria de moda. A receita até poderia ser maior caso as outras categorias estivessem com mais destaque na operação, mas nesse momento o foco está no crescimento da categoria de moda em que há mais transações e rentabilidade e que também exige menos capacidade de oferta de crédito da companhia para o cliente na hora do pagamento, já que o tíquete médio é mais baixo do que de categorias como móveis. Uma decisão de preservação de caixa em meio a um cenário de juros ainda elevados.

Ainda no foco da rentabilidade, a companhia optou, então, por reduzir em 34% o investimento em marketing e publicidade no período, mas isso não impediu o crescimento do universo de usuários, que ganhou 241 mil novos compradores e 149 mil novos vendedores no trimestre. Já o número de itens transacionados, indicador nunca divulgado antes, chegou a 1,77 milhão, 36% mais do que um ano antes e estável em relação ao segundo trimestre. O inventário, ou seja, tudo que é anunciado, totalizou cerca de 4 milhões de itens, crescendo 8,3% na base anual.

Com foco em conveniência para os usuários, o Enjoei agora deve aumentar cada vez mais pontoa físicos de entrega com parceiros, como o Jadlog, o que reduz a dependência dos Correios e incentiva mais pessoas a entrarem na plataforma devido à maior facilidade na entrega ou retirada das encomendas. Um serviço a ser estudado é buscar os itens na casa dos vendedores, o que também geraria mais conveniência, além de ampliar o Enjoei PRO, serviço que fica responsável por todas as etapas da venda, desde a produção das imagens dos produtos. “Estamos conseguindo vender produto mais rapidamente, melhorar número de vendas por vendedor e giro na plataforma”, argumenta Lima.