Embraer (EMBR3): Menor entrega de aeronaves derruba lucro e receita do 2º tri

Frente de Aviação Comercial impacta negativamente receita da empresa, que é sustentada por maior resiliência em serviços e aeronaves executivas
Modelo de aeronave da Embraer (Aly Song/Reuters)
Modelo de aeronave da Embraer (Aly Song/Reuters)
Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Publicado em 04/08/2022 às 09:32.

Última atualização em 04/08/2022 às 10:21.

A Embraer (EMBR3) apresentou piora em seus principais indicadores do segundo trimestre, pressionada pela menor entrega de aeronaves no período. O lucro líquido ajustado, que exclui imposto de renda e contribuições sociais, caiu de R$ 212,8 milhões para R$ 199,8 milhões na comparação anual. O lucro atribuído aos acionistas sofreu uma baixa ainda maior, de R$ 438,1 milhões para R$ 372,6 milhões. Já o Ebtida caiu quase que pela metade, de R$ 1,034 bilhão para R$ 550 milhões.

O resultado mais fraco foi reflexo de uma menor receita líquida, que ficou em R$ 5,044 bilhões no segundo trimestre, cerca de R$ 900 milhões abaixo do mesmo período do ano passado.

A queda foi puxada pela menor entrega de aeronaves comerciais. A receita da empresa nesse mercado caiu 27% para R$ 1,48 bilhão. Foram 11 aeronaves comerciais entregues , 3 abaixo do total do segundo trimestre de 2021, sendo 4 modelos Embraer 195-E2 a menos.

A divisão, por sinal, perdeu o posto de maior fonte de receita da Embraer para Serviços e Produtos, que terminou o trimestre com receita de R$ 1,575 bilhão, praticamente estável em relação ao ano anterior. A manutenção dos níveis anteriores, segunda a empresa, foi possível graças à "ao maior uso da frota de aeronaves da aviação comercial e executiva, devido à recuperação dos impactos causados pela pandemia."

A frente de aeronaves executivas, que representa cerca de um quarto da receita da Embraer, também apresentou maior resiliência, com faturamento líquido de R$ 1,331 bilhão -- apenas 4% abaixo no ano contra ano. Já a margem bruta em Aviação Executiva subiu 4,8 ponto percentual no período para 22,2%. O número de entregas também aumentou em aeronaves executivas, passando de 20 para 21. O segmento, disse a companhia, segue em expansão

A margem bruta consolidada também cresceu, passando de 18,0% para 22,9%. Segundo a Embraer, o número foi impulsionado "pela melhor eficiência de produção, custos e preços". A margem Ebitda, porém, caiu em relação ao ano passado, de 17,5% para 10,9%.

O fluxo de caixa livre da Embraer foi na contramão, com aumento de R$ 215,7 milhões para R$ 486,2 milhões puxado pelo desinvestimento na Évora e pelo IPO da EVE, a divisão de "carros elétricos".

A companhia encerrou o trimestre com 312 pedidos firmes de aeronaves comerciais em carteira. A carteira de pedidos firmes terminou com US$ 17,8 bilhões, o maior do pós-pandemia.