Dynamo vê ‘miopia’ com eleição e aumenta aposta em Natura

A gestora de ações ampliou posições em Rede D’Or, Eneva e Vibra Energia, aproveitando para comprar papeis de empresas que, antes de caírem, embutiam uma expectativa de crescimento
Dynamo: "esse parece ser um bom momento para um investidor de longo prazo" (Germano Lühders/Exame)
Dynamo: "esse parece ser um bom momento para um investidor de longo prazo" (Germano Lühders/Exame)
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Vinícius Andrade e Felipe Marques, da BloombergPublicado em 02/09/2022 às 10:10.

A Dynamo voltou às compras. A gestora, cujo principal fundo rendeu cerca de 21% anualizado nos últimos 25 anos, aproveitou os deprimidos múltiplos da bolsa brasileira -- que chegaram a bater o menor nível em mais de uma década -- e aumentou apostas em alguns ativos, incluindo Natura &Co.

“Esse parece ser um bom momento para um investidor de longo prazo”, segundo a Dynamo, que tem cerca de R$ 16 bilhões sob gestão. “Investidores parecem estar míopes, preocupados com cenário político e eleitoral, achando que a eleição vai definir o Brasil. Nossa experiência é que passada a eleição, o Brasil vai continuar sendo como é, alguns passos para frente, alguns para trás, mas sem grandes rupturas”.

A gestora de ações recentemente ampliou posições em Rede D’Or, Eneva e Vibra Energia, aproveitando para comprar papeis de empresas que, antes de caírem, embutiam uma expectativa de crescimento “muito alta”.

A Dynamo também ampliou a exposição a ações da Natura, um voto de confiança para a empresa que desabou 76% desde julho do ano passado. “Embora a companhia tenha um grande desafio de redimensionamento e ajustes de custos pela frente, aumentamos a nossa exposição pois gostamos do negócio e acreditamos na capacidade da gestão de corrigir os problemas”, disse a Dynamo.

A companhia trocou de comando em junho, parte de uma ampla reestruturação corporativa, na tentativa de fazer frente a custos crescentes e entrega de resultados aquém do esperado.

Até o momento, a aposta tem penalizado o fundo Cougar em 2022, que registrou uma queda de 25% no segundo trimestre, um dos maiores recuos na história do fundo para esse período. A gestora reconhece que a “performance neste ano está bem aquém do que gostaríamos e uma parcela relevante está sendo explicada por Suzano e Natura.” No ano, o Cougar cai cerca de 12%, com alguma recuperação recentemente.

Ainda assim, a Dynamo vê uma “oportunidade interessante” nas ações brasileiras, com várias empresas apresentando custos controlados e nível de alavancagem “entre os mais baixos dos últimos anos.” Para fazer frente a oportunidade, a Dynamo reabriu o fundo Cougar em fevereiro -- reabertura que durou menos de 50 segundos -- desafiando uma tendência de resgates recordes para a indústria local de fundos de ações.

“O Brasil tem as condições para nos próximos anos ir no relativo muito bem. O país é uma potência ambiental, a geopolítica favorece, temos água, alimentos, energia limpa em abundância e as grandes cadeias de produção globais deveriam estar atentas a estes elementos”, disse a gestora. “Se o Brasil não fizer nenhuma grande besteira na política externa, tem tudo para atrair capital estrangeiro e voltar a crescer.”