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Dólar passa a subir em meio a ajustes e cautela no exterior

Dólar chegou a ultrapassar a marca de 4,07 reais pela primeira vez desde meados de maio; às 15:09, a moeda avançava 1,454%, a 4,0649

Câmbio: dólar passava a subir frente ao real nesta segunda-feira (Rick Wilking/Reuters)

Câmbio: dólar passava a subir frente ao real nesta segunda-feira (Rick Wilking/Reuters)

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Reuters

Publicado em 19 de agosto de 2019 às 09h26.

Última atualização em 19 de agosto de 2019 às 15h31.

São Paulo — O dólar passava a subir frente ao real nesta segunda-feira, superando a marca de 4,07 reais pela primeira vez desde meados de maio, na esteira do fortalecimento da divisa no exterior diante de discussões sobre o espaço para mais cortes de juros nos Estados Unidos.

Os debates sobre estímulos por parte de outras economias, como China e Alemanha, combinados com algumas dúvidas sobre a disposição do Federal Reserve em ser mais agressivo em eventual novo afrouxamento monetário davam fôlego ao dólar, num momento em que dados nos EUA voltaram a destacar a força da economia norte-americana frente ao restante do mundo.

Às 15:09, o dólar avançava 1,454%, a 4,0619 reais na venda. Na máxima, a cotação foi a 4,0649 reais.

O dólar futuro de maior liquidez se valorizava 1,60%, para 4,068 reais.

"(Recentes) Dados robustos de consumo e inflação nos EUA enfraqueceram a possibilidade de que o Fed vai cortar os juros preventivamente, mantendo o tema sobre inversão das curvas de juros, saídas de recursos de emergentes e mercados de ações mais fracos", disseram estrategistas do Morgan Stanley em nota a clientes.

O tom de dúvida sobre um Fed mais disposto a cortar os juros era reforçado nesta tarde por comentários do presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren. Mesmo não sendo membro votante do Fomc, as declarações de Rosengren aumentavam a ala dos que questionam a necessidade de concessão generosa de estímulos monetários pelo BC dos EUA.

Segundo Rosengren, não é porque outros países estão afrouxando suas políticas monetárias que os EUA também deveriam fazê-lo. Além disso, para ele, as condições monetárias já estão acomodatícias e a economia está em muito bom estado no momento.

Na sexta-feira, o dólar à vista subiu 0,34%, a 4,0037 reais na venda, fechando a semana em alta de 1,57%, a quinta consecutiva de ganhos.

"Estamos passando por um momento de ajuste técnico. O mercado está um pouco sem rumo, e isso tende a resultar em volatilidade diante dos sinais mistos vindo do exterior", afirmou Fernando Bergallo, diretor de operações da assessoria de câmbio FB Capital.

Mais cedo, o dólar chegou a cair a uma mínima de 3,9916 reais (-0,30%), com os mercados avaliando notícia de que o banco central da China apresentou uma importante reforma dos juros no sábado para ajudar a reduzir os custos de empréstimo para empresas e sustentar a economia, que vem sendo afetada pela guerra comercial com os EUA.

Mas a melhora inicial sucumbiu diante de persistentes temores de uma desaceleração da economia global e preocupações sobre os impactos da guerra tarifária entre Estados Unidos e China, afirmou Bergallo.

O movimento da moeda brasileira seguia o viés observado em outras divisas emergentes, como a lira turca e o rand sul-africano, que também perderam fôlego na sequência do início do pregão nos mercados de ações dos EUA.

"O fluxo está sendo pautado inteiramente pelo exterior. A cena doméstica está relativamente positiva, mas não há liquidez para que isso se transforme em fluxo para cá", acrescentou Bergallo.

O Banco Central vendeu todos os 11 mil contratos de swap cambial tradicional ofertados nesta segunda-feira em leilão de rolagem do vencimento outubro.

A partir da próxima quarta até dia 29 de agosto, o BC fará ofertas simultâneas de 550 milhões de dólares à vista e de igual montante em contratos de swap cambial reverso.

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