Mercados

Dólar cai 2,12% e vai abaixo de R$ 3,30

O dólar fechou em queda com investidores exergando na meta fiscal para 2017 um sinal de comprometimento do governo com a austeridade


	Dólares: real foi de longe a moeda com maior valorização entre os principais mercados emergentes
 (Thinkstock/Ingram Publishing)

Dólares: real foi de longe a moeda com maior valorização entre os principais mercados emergentes (Thinkstock/Ingram Publishing)

DR

Da Redação

Publicado em 8 de julho de 2016 às 17h22.

São Paulo - O dólar fechou em queda de mais de 2 por cento e foi abaixo de 3,30 reais nesta sexta-feira, com investidores exergando na meta fiscal para 2017 um sinal de comprometimento do governo com a austeridade e reagindo à ausência do Banco Central após cinco dias de intervenção no mercado para sustentar as cotações.

O real foi de longe a moeda com maior valorização entre os principais mercados emergentes. O apetite por ativos de risco voltou nesta sessão após o mercado de trabalho dos Estados Unidos recuperar com força em junho, mostrando robustez na maior economia do mundo.

O dólar recuou 2,12 por cento, a 3,2945 reais na venda, mas ainda acumulou alta de 1,91 por cento na semana. A moeda norte-americana havia caído nas cinco semanas anteriores, período em que acumulou perda de 10,47 por cento.

O dólar futuro caía cerca 2,25 por cento no fim da tarde.

"Temos tudo hoje: fiscal, exterior, BC. Tudo colabora para trazer o dólar de volta a esses 3,30 reais", resumiu o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

O governo definiu na quinta-feira meta de déficit primário de 139 bilhões de reais para o governo central em 2017, abaixo do rombo de 170,5 bilhões de reais previsto para este ano. No entanto, não especificou como vai cumprir o esforço fiscal de 55,4 bilhões de reais necessário para atingir o objetivo.

Preocupações com a possibilidade de o presidente interino Michel Temer se contentar com uma meta pouco ambiciosa haviam contribuído para elevar o dólar frente ao real nas últimas cinco sessões, acumulando avanço de 4,75 por cento no período. A moeda norte-americana foi amparada também pela intervenção do BC, que vendeu em cada um dos dias 10 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares.

Mas o BC não anunciou qualquer intervenção para este pregão. De maneira geral, investidores entendem que o BC quer evitar exageros no mercado e entrou no mercado para reduzir o ritmo de queda do dólar após marcar a maior perda mensal em 13 anos ante o real em junho.

"O BC estava agindo como principal comprador de dólares no mercado brasileiro. Em um dia como hoje, em que tudo aponta para baixo, a ausência do BC chama atenção", resumiu o operador de um banco nacional.

O dólar também perdia valor nos mercados externos após a criação de vagas de trabalho nos EUA avançar mais do que esperado em junho, em mais uma evidência de que a economia recuperou ritmo.

O dado alimentou o apetite por ativos mais arriscados em todo o mundo, com operadores apostando que o Federal Reserve, banco central norte-americano, ainda evitará elevar os juros enquanto avalia as consequências da decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia.

Texto atualizado às 17h22
Acompanhe tudo sobre:CâmbioDólarMoedasReal

Mais de Mercados

A visão apocalíptica do mercado sobre empresas de software na era da IA

O inverno chegou para as criptomoedas? Para analistas, tudo indica que sim

Fôlego de última hora não poupou Nvidia de pior semana do ano na bolsa

Lembra dela? DeepSeek derrubou mercados há um ano — como está a empresa hoje?